domingo, 8 de julho de 2018

HISTÓRIA DAS FESTAS JUNINAS EM VALENÇA DO PIAUÍ


                                             XXX FESTIVAL CULTURAL PIAUÍ – 2018
                                                                  JUBILEU DE PEROLA

As manifestações juninas chegaram ao Brasil através dos colonizadores. Aqui se aclimataram e a medida que o território ia sendo desbravado, os hábitos e costumes atrelados as divindades católicas do mês de junho: Santo Antônio, São João e São Pedro, foram acontecendo e se cristalizando nas povoações recém criadas.
Os habitantes aqui existentes quando da chagada deste povo distante e diferente foram absorvendo de forma lenta, mas gradual a tradição européia.
No início, a única coisa que coincidia era o fogo que já fazia parte dos rituais dos povos ameríndios  existente  por estas plagas
Somente em 1808, com e chegada da família Real Portuguesa no Brasil,  ocorreu a eclosão das danças juninas, tendo por base os ritmos, cadência e coreografia da dança de salão praticadas pela nobreza, sob a influência francesa.
Assim, surgiram, as quadrilhas juninas, e foram se elastecendo chegando aos locais mais distantes do Brasil e se adequando ás realidades locais, principalmente as pecuniárias, porque cada povo tem seu estilo próprio de vida e de ver as coisas.
Em Valença, as manifestações juninas ocorriam anualmente como festa da fertilidade, em sinal de agradecimento as divindades pela boa colheita, cuja simbologia se resumia numa fogueira em frente a casa, uma árvore fincada no chão e em frente da fogueira, ou mesmo num mastro numa peça de madeira colhida entre as mais altas da redondeza
A fogueira, era acesa, ao anoitecer pelo patriarca da família, na noite do dia 23 de junho. No momento que a  família se reunia em frente da casa para referenciar o Santo de devoção em sinal de agradecimentos, momento também que convidavam os vizinhos próximos, parente e amigos.
 As crianças, brincavam de roda, as meninas, enquanto os meninos, de outras brincadeiras, como cavalo de talo de carnaúba, ou mesmo outras brincadeiras típicas da época.
Quando o braseiro começava, era hora de assar carne, ou mesmo assar abóbora, batata, macaxeira, peixe, sob o vapor da brasa ou do borralho.
Os jovens, aproveitavam o momento para fazer as simpatias, tais como, olhar o reflexo sob a bacia com água, esta muitos tenham medo, porque, caso não visse o rosto no reflexo da água da bacia, não completava o ano sem fazer e transcendência. Colocar a cera da vela branca para formar as letras do futuro cônjuge, colocar brasa da fogueira para saber se quando casasse ,ficaria viúvo para os rapazes e viúva para moças, Eram duas brasas cada uma tinha o nome e sexo, caso uma afundassem, a preocupação era tamanha, as vezes estas práticas de simpatia até causavam retardamento no casamento. Outras práticas era o do compadrio, crianças  jovens e adultos, pegavam um “tição” da fogueira e ali passavam fogo com temas dos mais simples aos mais exóticos e complicados. O mais importante era o compromisso firmado e a forma como eram cumpridos.
Estas e outras práticas eram utilizadas em Valença do Piauí. Embora dependendo da situação financeira de cada família, contratavam sanfoneiros para animar a fogueira, ou mesmo violeiros para as famosas cantorias, muitas vezes a família ficava até altas horas dependendo da animação. As famílias mais carentes , utilizam latas para produzir o som daí ter surgindo a famosa expressão Bate Lata 
Em 1958, ocorreu na Rua do Maranhão a primeira apresentação de uma quadrilha junina em Valença, com passos marcados e coreografados, por ocasião de um festejo de São Benedito.
Para ensaiar os passos coreografados veio um senhor da cidade de Picos - Piauí, o sanfoneiro, foi o Sr. Jose Filho, vindo da Lagoa do Sitio, neste período, pertencente ao município de Valença.
Os noivos foram Eutasio e Etevalda Oliveira. Os dançarinos: Mestrim e Teresinha, Jesus do Miné, Maria Joana, Mestre Dezinho, Nazareth e  Monteiro, e tantos outros jovens da cidade. A quadrilha junina coreografada foi o divisor entre as manifestações culturais de época e o novo modelo advindo de outras regiões.
A apresentação foi à grande novidade na cidade o que levou apartir do ano seguinte ocorrer novas apresentações e novos dançarinos ingressarem na nova dança junina da cidade. Com isso vários grupos foram se formando e a cidade pegando gosto pela dança da Quadrilha Junina, com isso o mês de junho em Valença tornou um outro aspecto sócio histórico e cultural com as quadrilhas juninas.
As escolas, também realizavam suas quadrilhas juninas, principalmente o Cônego Acelino sob a organização da Professora Maria dos Prazeres, pós os meados da década de 1960 o grupo junino saia em passeata,   pelas ruas da cidade .As crianças montadas em jumentos e outras caminhando, cujo trajeto era do Cônego até o Loreto, onde ocorria a festa, cujo culminância era a apresentação da quadrilha junina, com coreografias simples e passos também voltado para o tradicionalismo.
Por volta de 1984, a cidade já contava com vários grupos de quadrilha juninas individualizadas e sem um nome que os identificassem o grupo era conhecido pelo o nome dos organizadores da festa . Observando isso o Profª. Naildes Lima Verde, convidou o Prof. José Dantas, para organizarem um Festival de Quadrilhas Juninas, para escolherem os melhores grupos da cidade.
O local foi a quadra do  Colégio Santo Antônio. Nos anos seguintes novos grupos se formavam objetivando participar do Festival.
Em 1989, foi organizado o Primeiro Festival de Quadrilhas Juninas de Valença do Piauí, pela Prefeitura Municipal. Neste período o gestor era o Dr. Francisco de Assis Alcântara e a Secretaria de Educação e Cultura e Professora Ineide Lima Verde.
A Profª. Ineide Lima Verde, teve a iniciativa de organizar o Festival, num local mais amplo para atender o público que gostava de ver e dançar quadrilha junina.
O espaço escolhido, foi a Praça do Xerém, no centro da cidade. Para homenagear o local, a Profª. Ineide Lima Verde, codinominou o espaço como “Arraial do Gorgulho”, porque lá aos sábados ocorria a feira livre e o feijão era o produto mais encontrado e também  por ser o pratico típico de grande parcela das famílias valencianas . Com ou sem farinha, arroz, ou milho, o feijão faz parte do cardápio do povo valenciano, mais se não for cuidado com zelo, ele cria gorgulho, daí o nome do Festival, uma homenagem ao gorgulho inseto que dá no feijão quando não é bem cuidado.
Para organizar o primeiro Festival de Quadrilhas Juninas a Prof.ª. Ineide, Convidou para lhe assessorar, a Prof.ª. Nereide Fernandes e o Prof. Antônio José Mambenga. E no dia 28 de junho de 1989, ás 20h00min foi iniciada a festa com um grande público presente. Participaram os grupos: Quadrilha Joaquim Manoel, Quadrilha Bela Flor, Quadrilha Maravilha, Quadrilha Matutos da Noite, Quadrilha Renascer e do Zona Rural: Quadrilha do Fumal, Quadrilha da Isidória. A campeã foi a Quadrilha Bela Flor.
Nos primeiros anos era apenas no sábado, foi ampliado para sexta e sábado, depois para sexta, sábado e domingo e no período áureo acontecia a partir da quinta feira até o domingo. De 1989 ao ano 2000funcionou na praça do Xérem . Em 2001 foi transferido para praça do     Getulio Vargas, onde o nome Gorgulho foi substituído por alegria. Em 2005, o no festival voltou ser Gorgulho em 2007. Retornar para Praça do xerem. Em 2008, o festival  subiu para praça do Novo Horizonte em 2013 para o Espaço Cultural do CSU. O nome Gorgulho continua pela subjetividade e a forma de homenagear em espaço da feira livre onde a cultura popular se mantêm viva através das vivencias do cotidiano. As quadrilhas Juninas em Valença, se mantém, através da força de vontade dos grupos organizados, da Prefeitura Municipal, que oferece toda infra-estrutura para o evento, através de contratação de bandas, palco, som, iluminação, limpeza do espaço, decoração, premiações, banheiros químicos, para que o evento continue sendo uma grande referência na região do território do Vale do Sambito.
Neste ano de 2018, o Festival  completou 30 anos de existência, ocasião que foi comemorado o seu Jubileu de Perola. Para marcar o natalício, vários grupos de Quadrilhas Juninas se apresentaram, tanto da cidade como grupos visitantes vindos de outras cidades, bem como apresentações culturais de danças folclóricas e para folclóricas. Completar 30 anos de existência um Festival Cultural de Quadrilha  Juninas, é poder dizer que "a cultura não é um substituto para vida e sim a chave para própria vida." porque não foi fácil, chegar a trigésimo ano de apresentação, mas as dificuldades os erros, os acertos serviram de base para entender que o povo é sim o grande protagonista da sua própria cultura e o Festival funcionado como elo entre o querer e o fazer de nossa gente na certeza que as Festas Juninas de Valença do Piauí, são referências em todo região central do Piauí.
                                                          Valença do Piauí, 25/06/2018
                                                         Prof. Antônio José Mambenga
Especialista(lato Sensu) em História do Brasil e História Social da Cultura


quarta-feira, 27 de junho de 2018

AS MANIFESTAÇÕES DE UMBANDA EM VALENÇA-PI


                                                     ... TUDO, POR UMA QUESTÃO DE FÉ



Cada povo possui uma maneira diferente de entender as divindades religiosas, daí existir um pluralismo de manifestações que encadeiam o intuitivo de cada um. A cidade de Valença do Piauí,  teve sua origem de aldeia de índios aruaques, localizada na serra da missão na atual cidade de Aroazes-Piauí.
No início, este povo chamado primitivos. pelos primeiros colonizadores que por aqui passaram, tinham suas manifestações religiosas atreladas a natureza e o ciclo do conhecimento de época.
Com a chegada dos primeiros desbravadores, por volta do final da primeira metade do século XVII, trouxeram a religião cristã, através do catolicismo e foram conquistando espaço, pois além de desbravarem a região, o colonizador também repassava mensagem de fé.
Salvar almas era o grande objetivo cristão, mesmo na maioria das vezes os financiadores da fé estivessem mais distantes de Deus, que os próprios habitantes da terra ora conquistada.
Por volta de 1762, quando da instalação da vila de Valença-Pi, a 20 de setembro, existiam africanos vivendo como escravos,   e pessoas livres. Convém mencionar que estes africanos e/ou remanescentes, tinham e conservaram sua religião de origem, embora de forma clandestina. Neste caso as manifestações religiosas de matriz africanas já existiam  por estas plagas desde este período histórico, cujo repassar a seus descendentes, as rezas e rituais não era coisa fácil, pela repressão as práticas de culto e a forma exótica como eram trabalhadas.
Neste caso, é preciso entender, que, foi no silencio da noite, sob o zumbido das muriçocas e o estalar da lenha  da fogueira que os pretos e pretas velhas mantiveram sua tradição e conseguiram repassar suas crendices e rituais religiosos trazidos e adquiridos no decorrer do tempo por seus ancestrais.
O tempo passou, a cautela para tanto era necessária, e aos poucos foi ocorrendo o sincretismo cuja metamorfose ritualista na maioria das vezes bifurcava entre os que praticavam o bem e os que faziam o mal, cuja orientação pela sociedade branca e detentora do poder financeiro, era altamente seletista, levando em conta os traços físicos e faciais. Geralmente se o rezador, “cientista popular” ou mesmo o feiticeiro, era pessoa advinda de classe subalterna, possuidor de pouca escolaridade e comportamento estranho diante de certas situações sociais, culturais ou mesmo religiosas, cheio de superstições, crendices, agouros, cujo repertório de malefícios intimidava as pessoas que passavam a tê-lo como amigo. Os poucos que arriscavam. era mais por temor, que por considerações recíprocas.
Assim, foi se formando as religiões de matrizes africanas no território valenciano, nomes como Cinobelino Soares da Silva, Antonio Fernandes, Chico Feitosa, Manoel da Vaca e tantos outros, se firmaram e tornaram-se referências na prática do bem. Enquanto, João Luzia, morador na comunidade Ovelha Morta, localizada as margens da estrada rumo para o povoado João Pires, era visto como o catimbozeiro mais temido da região.
As  as pessoas se apavoravam quando se deparavam com ela nas ruas da cidade, ou mesmo nos trajetos que trafegavam pela estrada do João Pires, ao passar por sua residência, faziam o sinal da cruz, cruzavam os dedos, não olhavam para traz com receio de serem atingidas pelas práticas do mal, evocadas por ele.
No frontal de sua casa, existiam vários bonecos de barro sob um peitoril, isso provocava um medo terrível nas pessoas, segundo informações de moradores próximos, Dona Benedita, esposa de Cinobelino, quando vinha para Valença, montada em seu cavalo, trazia consigo uma cabaça com água pura da fonte para ser despejada em frente à casa de João Luzia, com o objetivo de quebrar as forças malignas se por acaso ele quisesse fazer o mal a ela e/ou a seu esposo Cinobelino.
Com o surgimento dos salões de Umbanda entre as décadas de 1950-1970, o som do tambor, tornou-se uma referência na cidade, uns pelo diferente, outros pela curiosidade, mas no Cômputo geral, chegava a atrair pessoas para frequentar e adeptos para desenvolver suas entidades.
Nas sextas-feiras, quando o tambor rufava, logo se formavam um grupo para ir ao terecô. Lá, uns iam para observar, outros para se escandalizar e muitos para falar mal. Outras pessoas temiam ir porque tinham medo de receber “entidade” e ter que desenvolver os “passes”.
Nos meados da década de 1970, na rua Cicero Portela, nas imediações do cruzamento com a PI 120 que vai para cidade de Pimenteiras-Pi, uma Senhora por nome Gorete, esposa de um Senhor por nome Paixão, ambos da classe popular, tornou-se o nome mais comentado na cidade, porque recebia o espírito de uma criança, diariamente no turno da tarde. Para lá convergia um número bastante acentuado de pessoas para ver o ocorrido, dentre os olheiros, muitos estudantes até mesmo do Ginásio Santo Antônio, compareciam para ver e conversar com a divindade sobrenatural. Tudo isso ocorria num momento quando os salões ainda não funcionavam e as mães e pais de santo, atendiam em suas residências altas horas da noite, primeiro pela clandestinidade, segundo porque o cliente não queria ser visto pela população.
Assim, foi sendo construindo a ideia da criação e manutenção dos salões de umbanda em Valença do Piauí, de forma lenta, mas gradual, até encontrarem pessoas que pudessem se firmarem como adeptos, embora de forma muito resumida, porque se sobrecarregavam de preconceito, pela forma  exótica como tudo ocorria. Atualmente ainda  é um numero muito pequeno de seguidores ou melhor que se apresentam de forma oficial, mas a clandestinidade, é bem aguçada. Os que assim se comportaqm, admitem que a Umbanda para eles tem sua importância. Este  número pequeno de seguidores na ativa é ocasionado, pela escassez de informações sobre o tema, daí,  clandestinamente o número ser bem maior e crescente,  pois quando se trata de sobrenatural as pessoas temem e acreditam no poder da transformação, na maioria das vezes vendo a Umbanda como um mal necessário para suas vidas.
                                       Antônio José Mambenga
                            Valença do Piauí, 15 de junho 2018.



sábado, 26 de maio de 2018

PONTO DE VISTA: MANIFESTAÇÃO DOS CAMINHONEIROS - 2018


        O BRASIL PAROU E O PNEU DA MINHA BICICLETA FUROU E PAREI TAMBÉM   

  
 Parece que o Brasil acordou sem precisar alguem cutucar! Sem rótulo partidário, sem cor, sem outros apetrechos alusivos a nenhum sistema governamental. Foi um acordar por categoria operaria. Lembrei da Revolução Russa de 1917, quando o proletariado rural, foi a luta, enquanto se esperava, um movimento daquela natureza, proveniente dos operários urbanos da Alemanha ou mesmo da Inglaterra, mas foi da Rússia, no momento com menos referencia em termos de conhecimento letrado. Caso estivesse ocorrido no ano passado, apontaria como uma comemoração ao centenário da Grande Revolução, mas como todo movimento, não eclode sem planejamento, o que estar ocorrendo no Brasil, pode ser uma comemoração tardia, mas benéfica para mostrar que o homem é sim o protagonista da sua própria Historia, mas precisamos entender que  a Rússia, neste momento tambem está em voga. Tudo e/ou praticamente quase tudo converge, para o grande espetáculo, da grande invenção inglesa que leva o povo cantar, gritar, se emocionar e num gesto subjetivo ecoar goooollllll! Eu, também grito, sou brasileiro nato!
Avante Brasil! E como diz Karl Marx, "A História da humanidade até hoje tem sido a história das lutas de classe. Outros pensamentos, também povoaram a mente de muitos brasileiros. Uma certa vez li, não me recordo muito bem o autor e/ou autora, mas ficou marcado na memória "....já é tempo do brasileiro tomar vergonha na cara e pensar por si próprio! Pára dos outros pensarem por nós...!." será se estamos amadurecendo e/ou sendo ainda um protótipo, deste grande pensamento? Viva o Brasil! Viva o povo brasileiro! Vamos a luta! Mas precisamos de Moisés?  -- Sim!  Precisamos, muitos outros moisés e de outros mais, porque o "mar vermelho" atualmente é multicolorido" e mais sólido, daí não ser impossível, basta cada um fazer sua parte! Quem sabe se de repente este mar  se abrir  e num passe de mágica, todos passarão e do outro     lado,  encontrarão novos horizontes e alternativas para    buscar o tempo perdido.
Aqui em Valença(PI), parcela do povo se sentiu partícipe do movimento,   filas foram necessárias nos postos de combustível  para que  veículos fossem   abastecidos do líquido precioso.
 Os mais eufóricos, até arriscavam mensagens, muitas delas como se estivessem gravando para fazer parte do “Projeto Brasil que quero” de uma emissora de TV brasileira. Outros, mantinham-se calados mas com gesto de preocupação pela  suposta crise do combustível ocasionada pela manifestação dos caminhoneiros.
Quando menos espero, senti algo diferente na minha bicicleta, até aquele momento sem preocupação, porque  não precisava nem de álcool, gasolina ou mesmo diesel, o pneu estava baixo e secou. Fui até a oficina mais próxima para solucionar o problema e veja o que me foi informado: --- Estamos sem material, se manifestou o operário que atendia no momento,  o caminhão que faz a entrega aderiu ao movimento e se encontra parado numa estrada deste Brasil afora. Com isso, voltei caminhando para casa e a bicicleta ficou parada, mas como cada um participa como quer e pode, fiz minha parte. E você? Para tento, precisamos entender   que "uma ideia torna-se uma força material quando ganha as massas organizadas"(Karl Marx).


Texto: Prof. Antonio Jose Mambenga
Valença do Piauí, 26 de maio de 2018


terça-feira, 1 de maio de 2018

EM VALENÇA DO PIAUÍ, O 1º DE MAIO, É DIA DE COLOCAR FLORES NAS PORTAS FRONTAIS DAS CASAS


             EM VALENÇA DO PIAUÍ, O 1º DE MAIO É DIA DE COLOCAR FLORES NAS PORTAS DAS CASAS
                                                             Prof. Esp. Antonio Jose Mambenga
        A cidade de Valença do Piauí, guarda na sua História muitas manifestações culturais, uma delas é colocar flores nas portas e janelas no dia 1º de maio de cada ano. O costume é bastante remoto,  trazido pelos primeiros habitantes no início da colonização desta região ainda no século XVII.
        A História Oficial, aponta a presença do colonizador   por estas plagas por volta da segunda metade do século XVII, quando da presença do Bandeirante Domingos Jorge Velho e seus comandados, no vale do Rio Santa Catarina, atual Rio Catinguinha ou suas imediações, onde foi fundado o Arraial dos Paulistas.
                                                                   “O Arraial de Paulistas” foi o único centro urbano do  Piauí
                                                                   no século XVII, e sucumbiu ante a escassez de índios   para
                                                                   serem capturados como escravos, ... Nos escombros  da po-
                                                                   voação foi erguida a atual cidade de Valença do Piauí,   no
                                                                   centro-leste do estado .(SILVA: 2008 – p 36)
                               
         Este povo, vinha provido de hábitos e costumes oriundos de seus ancestrais, dentre as quais a tradição de colocar flores nas portas e janelas na noite de 30 de abril, para saudar o 1º de maio, acredita-se ter iniciado neste período. Aqui os bandeirantes, passaram cerca de 16 anos e  deram continuidade, repassando aos habitantes  do Arraial de Paulista, os hábitos e costumes que absorveram com seus ancestrais na terra berço. O tempo se encarregou de cristalizar na memória de cada um, como deveria ser visto o dia 1º de maio de cada ano. Outros moradores foram chegando e se adequando a realidade local, até construírem uma identidade própria mesmo tendo  que se adaptar a realidade de cada um, seguindo o princípio que “o homem é produto do meio que vive”.
                                                              Segundo a tradição em parte do norte de Portugal, na noite de
                                                              30 de abril para 1º de maio, muitas pessoas colocam maias (gi-
                                                              estas floridas) nas portas das casas para lembrarem o     tempo
                                                              da fuga de Jesus para o Egito Noutras terras colocam      maias
                                                              no  ferrolho da porta para serem protegidos  das doenças e dos
                                                              Espíritos maus.(MOTA: 2012)   
            Assim foi passando de geração para geração esta tradição de origem europeia na atual  cidade de Valença do Piauí. Embora sofrendo adaptações conforme a época e limitação cultural de cada família. Todavia, é comum observar a forma como são tratadas as flores que são colocadas nas portas. Convem dizer que em Valença, as flores são colocadas nas portas e janelas no amanhecer do dia 1º de maio, dependendo do despertar de cada um. Os que acordam mais tarde, assim fazem mas ninguém, se arrisca colocar pós as 9 horas da manhã, primeiro pela temperatura ser alta oscilando entre 28° e 35° Graus  e comumente o 1º de maio raramente amanhece chovendo.
              Minha mãe, Sra. Benedita Luzia(1922-2017), cultivava plantas, dentre elas um exemplar de buganville vermelho, ofertado por sua madrinha Maria Juvina, quando ainda morava na Rua Areolino de Abreu, e a medida que mudava de endereço, providenciava uma muda para nova residência. Além da buganville, cultivava outros tipos de flores, como margarida, bredo, jasmim, e bugarim, para que  no dia 1º de maio, não lhe faltasse flores para colocar nas portas e janelas da casa onde morava. Neste dia tudo era motivo de  festa. Acordava muito cedo, colhia flores do pequeno jardim e complementava com flores silvestres colhidas nos arredores da casa e circunvizinhança, e colocava nas portas e janelas frontais, e na porta de entrada, fazia uma espécie de  tapete.  Com as demais, cumpria o mesmo ritual enfeitando tambem a casa dos filhos que moram próximos. Quando acordávamos, era bonito ver a singeleza das flores cultivadas e das flores campesinas ornamentando nossas portas e janelas e melhor ainda era saber que eram colocadas por nossa mãe. Às vezes “a maioria eram flores do campo, que deixavam transparecer até nos mais distraídos a singeleza da vida bucólica”, ali incrustada.
       Em Valença, o costume de colocar flores nas portas no dia 1º de maio, para o imaginário das pessoas, funciona como uma saudação ao mês de Maria, Mãe de Jesus, que conforme a tradição,  neste dia, a Mãe de Nosso Senhora Jesus Cristo, percorre toda cidade, abençoando as residências ornamentadas com flores.
                                                 Maio recebeu o nome do deus Maius que era o   deus da  primavera
                                                 E do crescimento. Para outros vem de Maia, mãe de Mercúrio.    As
                                                Celebrações em honra de Flora, a deusa   das flores e da   juventude
                                                (mãe da Primavera).  Iniciavam o novo ano agrícola e atingiam,    na
                                                Roma antiga, o seu clímax nos três primeiros dias de Maio. A Igreja
                                                Católica declarou Maio como o mês de Maria, a mãe e rainha.(MOTA:
                                                2012).
     
          No entardecer do dia 1º de maio, bem na hora do crepúsculo, quando as atenções se voltam pra o momento do Angellus, é comum as famílias valencianas que ornamentaram  suas residências com flores, ascenderem uma fogueira para iluminar a passagem de Nossa Senhora, que novamente faz o sentido contrário da visitação matutina, em sinal de agradecimento.
          O objetivo da fogueira, é se por acaso, Nossa Senhora, durante a passagem matutina, tenha passado na  residência, e ainda não estivesse ornamentada,   a luminosidade da fogueira ao anoitecer, serve como indicativo, que os moradores cumpriram com a tradição, mesmo fora do horário. Quando da Passagem Nossa Senhora,  abençoará a família e tudo fica resolvido. E como   tudo tem um tempo, a medida que a cidade foi crescendo, a fogueira foi sendo substituída por iluminação elétrica, fincada em postes de cimento.
          É comum também as famílias colocarem uma lâmpada na frente da casa, ou mesmo, acender uma vela de preferência de cera de abelha silvestre e na ausência desta uma vela branca comum. Enquanto isso, nos bairros mais distantes e na zona rural a tradição da fogueira ainda permanece em voga.
           Na  década de 1940, quando a cidade se resumia entre a ruas do Maranhão, rua do Fio, rua do Fogo, Largo da Bela Flor, Cacimbas, Casa do Loreto e outras poucas casas na atual Rua Areolino de Abreu, no dia  1º de maio, a cidade era acordada pela cantoria do Ofício de Nossa Senhora, puxado por Dona Tereza Preta, moradora num casebre onde atualmente é a Casa Renascer, Dona Felisbela, mãe do Antonio de Mato, Dona Felícia, mãe do Pedro Mudo, ex-serviçal da Casa do Padre Aristeu, que morava na Casa Grande da Tranqueira, Dona Antonia, Mãe de Siá Chica Paraguai e tantas outras.  Das Cacimbas, participavam: Dona Josefa e Dona Matildes, irmãs de “seu” Lucas de Dona Neguinha. E  do Sítio Betel, eram presenças garantidas, a mãe da Maria Pretinha, Chiquinha Furtuosa,  Dona Maria Germana e a mãe do João Urubu. Estas mulheres, faziam a diferença, saiam cantando  em alta voz o Ofício de Nossa Senhora, rua acima e rua abaixo, numa linguagem entre a língua oficial e um latim, conforme aprenderam pela oralidade. Elas conduziam muitas flores, algumas  cultivadas  e a maioria eram  silvestres. O ritual era exótico, mas em momento algum se tem notícia que foram clicadas pela lentes do fotógrafo de época, Sr. Benedito Macaco, pai da Maria Macaquinha. O certo é que além de passarem pela Igreja São Benedito, e Nossa Senhora do Ó, onde deixavam parte das flores, tinham paradas nas casas de suas patroas, locais que  durante o ano exerciam prestação de serviço, umas como cozinheiras, outras como  lavadeiras de roupas, babás, ou mesmo como operárias no período da colheita dos cajus. Dentre elas, existiam aquelas que eram boleiras, e/ou outros serviços típicos de época como botadeiras de água do Rio Catinguinha para o consumo doméstico.  Muitas vezes paravam, na Casa da Dona Dina Dantas, Dona Odila Martins, Dona Chiquinha de “Seu” Abdon,  e de Dona Maricas do Sr. Clovis, aonde aumentavam a voz para que Nossa Senhora ouvisse melhor suas vozes. Examinadas  o porque das paradas em pontos estratégicos, Tereza Preta como era mais extrovertida, respondia: -- São estas pessoas que nos socorrem no momento que mais precisamos durante o ano todo e neste dia, somos gratas a Nossa Senhora e a elas pelos que fazem por nós. Em cada uma destas casas elas deixavam flores que somavam com as já existentes embelezando a cidade de Valença e mantendo viva a tradição do 1º de maio.
           O certo é que no 1º de maio, a cidade de  Valença do Piauí, era contemplada com a manifestação cultural das flores nas portas das residências, e a cantoria do Ofício de Nossa Senhora,  protagonizado por estas senhoras simples e anônimas que tinham uma forma diferente de saudar Nossa Senhora  pelas benesses recebidas e suas patroas pelo serviço que lhes davam durante o ano.
          Assim, a tradição era mantida e ainda continua na contemporaneidade, mesmo tendo ficado apenas na memória a participação das senhoras cantoras, que eram vistas mais pela forma exótica de manifestação de que mesmo como expressão de uma cultura popular e laicista,  mantida em nossa cidade  por muito tempo. Atualmente o 1º de maio é lembrado mais pelas flores colocadas nas portas e janelas das casas enquanto a memória se encarrega de atiçar as mentes atentas que garimpam os modos,  hábitos e costumes de nosso povo num determinado tempo histórico que ocorria no 1º de maio.

BIBLIOGRAFIA

CARITA, Lourdes, Tradição das Maias ... uma pratica tradicional e intercultural Recordação cristã e pagã – 12/05/2012 – Blog: http://abemda nação.blogs.sapo.pt 
MAMBENGA, Antonio Jose, Em Valença-PI,  Colocar Flores Nas Portas No Dia 1º de Maio é Mito Ou Tradição?:  www.tribunadevalenca.com  -  01/05/2017
MOTA, Maria do Céu, Maias à porta do 14º de Maio. https: www.aventar.eu – 01 de maio de 2012
SILVA, Reginaldo Miranda da, Piauí de Paulista, Revista História da Biblioteca Nacional, ano  03 – Nº 34 – Julho de 2008 – Rio de Janeiro - RJ  

sexta-feira, 27 de abril de 2018

HISTORIA DA COMUNIDADE PAI PEDRO EM VALENÇA DO PIAUÍ


        HISTÓRIA DA COMUNIDADE PAI PEDRO EM VALENÇA DO PIAUÍ


     A cidade de Valença do Piauí, situada na Mesorregião Centro Norte Piauiense, no Território do Vale do Sambito, possui uma área territorial de 1.033 km². É formada por uma zona urbana e a zona rural constituída pelas  comunidades campesinas, dentre as quais uma por nome Pai Pedro, localizada entre os povoados Isidória, Buritizal, Palmeirinha e Cumbe.
      A boa localização geográfica, formada por um solo fértil,  onde os moradores cultivam, cana de açúcar, arroz, milho, feijão e mandioca.
       Vestígios arqueológicos apontam a presença humana há cerca de 7 a 12 mil, conforme a arte parietal existente em abrigos rochosos, próximos ao Arco da Igreja, morro do Pereira e imediações. 
        Passado o período Pré-histórico, a História pontua a existência de antigos moradores na comunidade, atraídos pela existência de brejos, que favoreciam o plantio na entre safra  e a criação de gado.
        Notícias apontam que a comunidade funcionava como um corredor de passagem de transeuntes, e caminhantes, que iam e vinham entre as comunidades circunvizinhas, bem como mangaeiros,  em cujo labor tinham como parada obrigatória o local para  compra ou mesmo, a comercialização de seus produtos. Outros paravam, mais para descansar das longas jornadas.
         Por volta de 1910, o Sr. Pedro Dias, oriundo da Ribeira de Picos-PI, atual cidade de Santana, numa viagem de negócios para localidade Coroatá, atual cidade de Elesbão Veloso-PI, hospedou-se na residência do seu irmão João Dias, que morava na comunidade Brejo, atual Pai Pedro. A escolha foi feita pelos laços familiares, e tambem, para conversarem ou mesmo  para repouso da cansada viagem. Quando isso acontecia, era uma festa, primeiro por rever familiares, segundo pelas notícias de familiares e outros temas afins. Neste dia foi diferente, a conversa entre os dois e a família do Brejo se prolongou por muitas horas. Nem mesmo o canto rouco da coruja, e o canto estridente do galo, foram suficientes para anunciar que já passavam de meia noite.
           Assuntos não faltavam, uma história puxava outra, mas o Sr. João Dias, anunciou que ia se recolher para dormir os demais  membros da familia que ali estavam,  seguiram o patriarca.
            No romper da aurora, o Sr. Pedro, levantou-se, fez suas orações matutinas e rumbeia com destino a roça do brejo, onde pastavam seus animais. Seu irmão, João Dias, deu notícia do levantar do hóspede irmão, pelo ranger da porta quando esta foi aberta e também pelo latido consistente dos cachorros, anunciando sua saída rumo a roça do brejo para buscar os animais.
               O Sr. João Dias, não se preocupou, uma vez que, antes de dormirem, quando ainda conversavam na sala de frente, Pedro Dias, havia falado que na primeira barra do dia, ia buscar os animais e prepara-los para seguir viagem rumo ao Coroatá.
         A natureza já dava conta que o dia já estava amanhecendo, pelo canto das casacas, dos coquis e de tantas aves campesinas que saúdam o amanhecer. O Sr. João Dias e familiares, já estavam de pé. Sua esposa nos preparativos do café da manhã, naquele dia, seria um cardápio diferente, pois   sentaria a mesa com eles  um membro muito querido da família, Pedro Dias, o irmão mais velho.
         As horas  passavam, o Sr. João Dias, fitava o olhar para o caminho, e nem sinal de Pedro. O irmão achava esquisito tanta demora. Não suportando mais, resolveu ir ao encontro, chamou um de seus trabalhadores e seguiram para saber o que havia acontecido. Para sua surpresa, ainda numa distância aproximada de uns 30 metros, bem na curva do caminho, onde existia uma antiga  mangueira, Pedro Dias estava caído no chão, como se estivesse tropeçado nas raízes expostas da antiga árvore. Pedro Dias, já estava sem vida. Para seu irmão, foi uma surpresa tamanha. Trêmulo e sem alento, pede ao trabalhador que havia lhe acompanhado para retornar até sua residência e comunicar o ocorrido a esposa, aos demais familiares e vizinhos próximos
          O velório, foi realizado na residência do Sr. João Dias e como não tinha como levar o corpo para Santana, Pedro Dias, foi sepultado, na própria comunidade Brejo.
          A notícia se espalhou pela comunidade e circunvizinhança, porem seus familiares que residiam em Santana,  vieram apenas para visita de sétimo dia, mas anualmente seus netos, vinham visitar sua cova. E como em vida, chamavam o avô de Pai Pedro, quando se reuniam para planejar a viagem, era comum dizerem:   -- Vamos ao Brejo, visitar a cova do Pai Pedro, ou mesmo quando chegavam, na residência do Sr. João Dias, formulavam o mesmo convite: -- vamos visitar a cova do Pai Pedro ou mesmo, os moradores sempre que tocavam no assunto, faziam alusão a cova do Pai Pedro, seja quando visitavam também o campo santo, ou nas conversas sobre como tinha ocorrido a transcendência do ancião.  Assim, o nome Pai Pedro, foi se tornando popular e  referência para codinominar a comunidade Brejo, cujo espaço, passou ser conhecido em toda região e em documentos oficiais, como Pai Pedro.
          A localidade, possui uma beleza impar, formada por  paisagem exuberante, um solo fértil, um povo ordeiro e trabalhador, onde desenvolvem atividades agrícolas. Um relevo, formado por vales, onde se localizam os brejos com um numero bastante acentuado da palmeira buriti, bem como, muitas formações geológicas do estilo cabeça, cujos contornos foram moldados ao longo do tempo através da erosão eólica e pluvial, bem típicas da região central do Piauí, onde predomina o relevo conhecido por “Cuestas do Centro”.
          Nos grandes paredões de pedras, são encontradas muitas formações que receberam nomes populares como: Arco da Igreja, Pedra do Papagaio, Dedo de Deus, Pedra do Vigilante, além de outras formações onde existem pinturas rupestres, dentre elas, a Caverna do Cururu.
     Outros grandes atrativos, estão no Morro do Pereira, uma formação rochosa com mais de 30 metros de altura, onde existem vários  abrigos e um painel com varias pinturas rupestres na cor vermelha, conhecido por Abrigo das Ovelhas, o Poço do Cágado, onde existe as nascentes do riacho que corta o brejo.
       O Morro do Pereira, é cheio de mistérios e lendas, muitas delas com conotação  do sobrenatural, onde o povo da ufologia acredita  ser um local propício para pouso de disco voadores.
        Atrativos é que não faltam na comunidade Pai Pedro, a Pedra da Curva tem várias pinturas rupestres, a Serra da Prata, conhecida por sua exuberância, bem como as lendas e mistérios que povoam o imaginário popular, além de possuir  reserva de salitre, tanto que o Sr. Saló, grande artesão de foguetes e similares em Valença, vinha pegar esta matéria prima para confeccionar fogos, bombas, traques, e tantos outros artefatos. O pontal da Serra da Prata, servia de base para pouso de helicópteros dos americanos, quando estiveram em Valença, nos anos 1950, realizando  pesquisas geodésicas.
       O patrimônio material e imaterial da comunidade Pai Pedro, é bastante eclético. O primeiro formado pelas construções de pedras e tijolos, como a casa do Sr Jose Cipriano Barbosa, que existe há mais de um século, cujo mobiliário rústico, confeccionado por artesãos anônimos, resistem ao tempo para servir de base para se contar a História. São Baus, malas, camas cobertas de couro de boi, arados, pilões,  mesas, cadeiras,  bancos, prensas, gamelas e oratórios dedicados aos santos de devoções. Quanto ao patrimônio imaterial,  as referencias estão atreladas ao Morro do Pereira, a lenda do Galo no Arco da Igreja,  e ao Gritador, as bolas e rodas de fogo que aparecem nas noites escuras de verão.
       A comunidade Pai Pedro, destaca-se pela religiosidade desde os mais antigos moradores através dos novenários dedicados aos Santos de devoção, dentre eles podemos citar o festejo de São Sebastião, realizado por Dona Francisca Rosa de Sousa, anualmente, no mês de janeiro, cuja devoção serviu de base para que esta comunidade se mantivesse na fé.
        Atualmente, a comunidade se ufana por ter, oriundo dela um diácono permanente,  Evandro Sousa, cujo trabalho tem servido de referencia para outras comunidades de igual porte que se irmanam para propagação e manutenção da fé.

                      Valença do Piauí, 28 de abril de 2018
                                    Texto: Prof. Antonio Jose Mambenga
                                          Especialista em História do Brasil
                                                             


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO EM VALENÇA DO PIAUÍ


O Ginásio Santo Antonio, foi fundado no dia 03 de dezembro de 1949, numa reunião ocorrida numa das salas do Grupo Escolar Cônego Acylino, pelo Pe. Raimundo Nonato de Oliveira Marques.   Esta fotografia, mostra a farda original da referida escola, por ocasião de um Desfile Cívico     organizado pela Diretora Profª Etevalda Oliveira,  na segunda metade dos anos 80 do século XX. A História de um povo é contada através de fatos e acontecimentos e como diz Peter Burker: A função do historiador é lembrar a sociedade daquilo que ela quer esquecer. Estou fazendo a minha parte!


domingo, 7 de janeiro de 2018

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO EM VALENÇA DO PIAUÍ




O Instituto Santo Antonio, foi fundado em Oeiras-PI, em 1943, e transferido para Valença do Piauí, em 1948. Esta foto mostra o primeiro uniforme da escola em Valença-PI, por ocasião de um desfile Cívico, na segunda metade da década de 1980 do século XX, quando o Colégio Santo Antonio estava sob a direção da Profª Etevalda Oliveira. A História de um povo é contada com fatos e acontecimentos.
Acervo fotográfico: Prof. Antonio Jose Mambenga