sexta-feira, 7 de abril de 2017

PROCISSÃO DE BOM JESUS DOS PASSOS EM VALENÇA DO PIAUÍ





                                          Foto: Foto Marques e Portal v1


A Procissão de Bom Jesus dos Passos em Valença do Piauí, é realizada há séculos, dentro da programação alusiva à Semana Santa, na sexta-feira que antecede os chamados "dias grandes".
Tudo começa na quinta-feira à noite, onde é realizada a Procissão da Fugida de Bom Jesus, num cortejo que sai da Igreja Nossa Senhora do Ó até a Igreja São Benedito. Nesta Procissão religiosa em Valença do Piauí, só podem participar homens.
 O cortejo sai as 23:00hs  pós um terço religioso, rezado pelos devotos. Percorre o centro histórico até chegar a secular igreja São Benedito, onde o Padre faz orações e os devotos deixam as velas conduzidas durante o percurso. No dia seguinte, meio dia é rezado o ofício do Bom Jesus dos Passos e as 17:00hs a missa. Após a missa a Procissão segue pelas principais ruas da cidade onde estão localizados em pontos estratégicos os nichos, simbolizando as estações(via sacra), num total de 14 e a 15ª é na Igreja Nossa Senhora do Ó.
A Procissão de Bom Jesus dos Passos, é a maior das Procissões religiosas da região valenciana. Para ela converge, além do povo da cidade,  um número bastante acentuado de pessoas oriundas da zona ruaral e de outras cidades circunvizinhas.
O que caracteriza a Procissão, além das imagens de Bom Jesus e de Nossa Senhora das Dores, é a flor de Passos, conduzida pelos participantes. Muitos conduzindo desde a Igreja São Benedito. Outros, adquerindo à medida que vão ocorrendo os Nichos. Cada família selecionada, ornamenta o nicho com flores naturais, e com a tradicional Flor de Passos e alecrim silvestre. No frontal do nicho, folhas de palmeiras entrelaçadas dão um aspecto bucólico ao espaço.Convém dizer, que a Flor de Passos, foi introduzida na Procissão de Bom Jesus dos Passos aqui em Valença-PI,   no  final do século XIX, pelo Cônego Acylino, que era natural da cidade de Oeiras-Pi e de lá trouxe a tradição.
Durante o espaço percorrido, devotos pagam promessas. Muitos vestem-se de roxo; outros debulham terços religiosos; outros conduzem velas acesas ou mesmo carregam pedras sobre a cabeça,  conduzem cruz.de madeira. É comum vestirem batas roxas.
Muitas famílias, aqui em Valença-PI, neste dia não comem carne vermelha, optam pelo peixe, porque mantêm a tradição do jejum, iniciando assim o cardápio típico da Semana Santa, quibebe de abóbora, com maxixe, quiabo, macaxeira, folha de quiabo, temperado com manteiga da terra ou mesmo nata de leite. O arroz, o feijão e uma torta feita com ovos de galinha caipira, complementam as refeições. É claro, que este cardápio é variado, dependendo da situação financeira de cada família.Cada caso é uma caso diferente. O importante é que cada uma faz ou tenta seguir essa tradição religiosa e alimentar.
Em 1991, Pe Amadeu Matias, solicitou a Professora Dolores Matias, que se encarregasse de fazer o roteiro das Estações, bem como as ruas por onde ia passar a Procissão. Cuidadosamente, Profª Dolores Matias, cuida desta parte, enquanto, Sinhá Dona, Dona Benedita Dedé, cuidavam de arrumar o andor de Nossa Senhora das Dores e coordenar a Procissão de   imagem, da Igreja Nossa Senhora do Ó,   até o local do Encontro de Maria com seu Filho, na 6ª Estação. Sinhá Dona e Dona Benedita Dedé, eram também responsáveis pela seleção de jovens para representar Verônica, carinhosamente conhecida como Maria Beú. Várias foram as jovens de Valença que participaram deste momento, geralmente cantavam em Latim e também em Português.
Pós 1962, com o Concílio Vaticano II, muitas coisas foram retiradas. Por muito tempo, a Procissão ficou sem a participação de Maria Beú. Somente com o Pe. Amadeu Matias, Sinhá Dona e Dona Benedita, conseguiram retornar à tradição do Cântico de Maria Beú, na Procissão de Bom Jesus dos Passos em Valença do Piauí. Com a participação da Profª Teresinha Ferreira, a conhecida Teresinha do Mestre, foram até a residência do Pe. Marques, na Rua São João e solicitaram a letra do cântico e a tradução para a língua portuguesa. Com muito bom grado, Pe Marques, atendeu a solicitação das devotas e a pessoa escolhida para  interpretar Maria Beú, foi a jovem Neusa Leal, filha do Sr. Doca Paraiba e de Dona Maria. Neusa, ensaiou, em latim e em português, cantou e encantou. Foi a grande novidade da Procissão, o retorno da Maria Beú.
A nova geração ficou encantada. Enquanto os  devotos de  idade mais avançada, retrocederam no túnel do tempo pelo retorno á tradição. Neste ano de 2017,  Maria Beú, foi representada pela soprano Profª mestranda Renata Ferreira, com sua voz maviosa, atingiu os ouvidos atentos. Todos silenciavam para ouvir o canto de Maria Beú a cada estação da via sacra. Enquanto voltavam o olhar para as imagens do Senhor Bom Jesus dos Passos e de Sua Mãe Nossa Senhora das Dores, eram capazes também de observar  o movimento das Flores de Passos conduzida pelos devotos. Enquanto isso,  o cheiro forte do incenso exalava por toda região. Pe.  Klebert Viana, Pe Antonio Carlos e o Diácono Rogério Moura, conduziam as orações e agradeciam piedosamente as famílias que prepararam os Nichos, foram elas:(1ª Estação) na casa da Dona Maria de Lourdes Costa, (2ª Estação)na casa da Sra.  Sueli Lima Verde, na Rua do Maranhão;(3ª Estação) na casa da Sra.  Maria Antonia de Sousa, na Praça Jose Martins; (4ª Estação) na casa da Dona Dulce Veloso, na Rua Capitão Cineas Veloso; (5ª Estação) na casa do  Dr. Francisco Dantas(Piroquinha),(6ª Estação) na casa da Sra.  Maria do Socorro Alves, (7ª Estação)na casa da Sra.  Jacinta de Fatima, (8ª Estação)na casa da Sra.  Maria Nadi Maciel, na Rua Eurípedes Martins;(9ª Estação) na casa da Sra.   Marli Sousa(Buzuguh),(10ª Estação) na casa da Sra.  Maria  Helena Carvalho, (11ª Estação)  na cada da Dona Alice Barbosa, Rua Epaminonda Nogueria;(12ª Estação) na casa do Sr.  Marcos Ricardo,  (13ª Estação) na cassa do  Sr, Vieira Lima, (14ª Estação)  na casa do Sr. Mestre Chiquinho, na  Rua Epaminondas Nogueria; (15ª Estação) na  Igreja Nossa Senhora do Ó, na Praça Getulio Vargas. Assim, foi realizada a A tradicional Procissão, com o maior numero de devotos participando, ouvindo os cânticos e orações temáticas do periodo,  através da equipe de Liturgia das paroquias de Nossa Senhora do Ó e São Francisco de Assis.

Texto: Prof. Antonio José Mambenga

quinta-feira, 30 de março de 2017

SR. RAIMUNDO DUARTE DE ARAUJO, UM VALENCIANO DE CORAÇÃO

                                                                     HISTÓRIA DE VIDA



     O homem é um ser social histórico e cultural e conforme o meio que o cerca, consegue transformar sonhos em realidades, dependendo de seu projeto de vida em prol do bem comum.
      1930, o mundo vivia as tribulações ocasionadas pelos regimes  totalitários do nazismo alemão e do fascismo italiano. Por outro lado, as conseqüências da economia norte-americana, ainda em constante pesadelo causada pela crise financeira da quebra da Bolsa de Valores de New York em 1929, atingindo de forma crudelíssima o restante do mundo.
      O Brasil, politicamente abalado, procurava entender os novos paradigmas administrativos provenientes das rupturas do sistema da política do Café com Leite. Enquanto isso, na localidade Riacho Vermelho, zona rural da cidade de Crato – Ceará, no dia 05 de setembro 1930, nascia uma criança, que recebeu dos genitores o nome de Raimundo.
     Seus pais: O Sr. Pedro Regino de Araujo e a Sra. Silvina Duarte de Araujo, ficaram muito felizes pela graça divina, do menino Raimundo ter nascido com muita saúde. Cumpriram os rituais de família e da localidade, soltaram fogos anunciando aos parentes e vizinhos a chegada do menino, pois era o primogênito.
     O tempo passou, o menino Raimundo foi registrado no cartório do Crato com o sobrenome da família, “Duarte de Araujo” e como toda criança de sua época teve sua infância nos mesmos padrões. Na Igreja Católica, recebeu os sacramentos de batismo, 1ª Eucaristia e Crisma.
      Na comunidade, o menino Raimundo, se dividia entre a vida bucólica dos Sítios Guaribas e Poço Dantas, às agitações da vida urbana na cidade de Crato e Juazeiro do Norte, e como os demais moradores da região se dividia entre o místico da religiosidade do Pe. Cícero ou mesmo da tensão nervosa da cidade ser atingida pelo bando de Lampião o Rei do Cangaço.
       Raimundo Araujo, teve os seguintes irmãos:  Françuar Duarte de Araujo (In memorian) Francinete Duarte Araujo, Maria do Socorro Duarte de Araujo, Antonio Duarte e Araujo(In memorian) Aldevanda Duarte de Araujo, Helival Duarte de Araujo Francival Duarte de Araujo.
      O menino Raimundo Araujo, recebeu as primeiras lições de conhecimento escolar na própria família, pelo conhecimento empírico proveniente dos pais. Mas foi na cidade de Crato, onde cursou o Fundamental no Colégio dos Padres, adequerindo o suficiente para enfrentar a vida com o néctar cultural absorvido dos professores.
      Muito jovem despertou o interesse pela dança,   aprendeu logo cedo, menejar o violão, o que favoresceu aguçar a mente em prol da Cultura. Ainda na adolescência sentiu-se tocado pela vontade de entrar no Seminário religioso católico, porém ocorreram alguns obstáculos e o jovem Raimundo optou apenas para cumprir sua trajetória católica apenas como leigo, mas em momento algum deixou de fazer suas leituras bíblicas, frequentar e praticar os ensinamentos dos Mandamentos da Lei de Deus e da Igreja.
      O tempo foi passando, com ele ocorriam as transformações advindas do meio que vivia e do próprio mundo.  Enquanto Raimundo Araujo, migrava da adolescência para a juventude, o mundo europeu se transformava em campo de Batalha através da II Guerra Mundial, o que mexia psicologicamente com os ideais da juventude através da instabilidade sócio histórica e cultural das pessoas.
      Foi nesse clima tenso, que Raimundo Araujo, recebeu o convite de seu tio Luis Regino de Araujo para trabalhar no Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS) juntamente com mais dois primos. Primeiramente exerceu funções burocráticas, mas o que ele queria mesmo era ser motorista, função que veio depois. Naquele período o DNOCS, estava construindo açudes em todo Nordeste, mas Raimundo foi designado para o Piauí, cuja prestação de serviço foram nas cidades de Piripiri (açude Caldeirão), Pio IX (Cajazeira) e Paulistana(Ingazeira).
      Quando morou em Oeiras-PI, foi amigo do Dr. Raimundo Machado, que era Odontólogo, daí incentivado por ele aprendeu o ofício de protético, profissão que lhe favoresceu uma vida nômade, oportunizando aos clientes um belo sorriso com ouro reluzindo na maioria das vezes, pois era moda de época “os dentes de ouro”. Era o momento do Pós II Guerra Mundial, onde o querer das pessoas se transformava em ser. E Raimundo Araujo, como profissional de um dos seguimentos da beleza, resolveu fixar residência no Piauí.
          Conhecendo bem a região devido a prestação de serviço junto ao DNOCS, Raimundo Araujo, ainda bem Jovem 20 anos, instala uma oficina mecânica em Várzea Alegre, naquele tempo Valença, atualmente, Elesbão Veloso e sua prestação de serviço se espalhou pela região momento também que o solo piauiense era rasgado na construção da BR 316.
Em Valença, sede da cidade, Raimundo Araujo, foi testemunha ocular da insatisfação do povo pela não aceitação da passagem da rodagem por fora da cidade. Foi ele quem me contou da carta que as mulheres valencianas enviaram para a Primeira dama do País esposa de Getúlio Vargas, solicitando a passagem da rodagem pelo centro da cidade e da demissão do Ministro por não aceitar a causa. Movimento popular que culminou com a criação da Liga Valenciana, cujo discurso inicial coube ao Prof. João calado (1952)
        Em Elesbão Veloso, o coração de Raimundo Araujo, foi alcançado pela flecha do cupido. Casou-se com a jovem elesbonense Cleonice Lima Verde, na Igreja Santa Teresinha, cuja celebração matrimonial foi assistida e abençoada pelo Reverendo Pe. Marques, de cujo consórcio, nasceram: Maria da Cruz – Maria Cleonice e Raimundo Nonato.
        Em 1972, Raimundo Araujo, chegou em Valença, fixou residência na Rua General Propécio de Castro e a Oficina Mecânica e Lanternagem na mesma rua, sendo que a entrada ficava com frente à lateral do Posto de Gasolina São Jose, naquele período do Sr. Joaquim Xavier e anos  depois do  Sr. Valdemar Moura, atualmente é do Grupo Valadares.
        Em Valença, fez muitos amigos, foi católico praticante e ajudava muito às pessoas que precisavam. Como profissional, era referência na região e até mesmo em outras localidades do Piauí ou fora em outros estados da Federação, uma vez que resolveu muitos problemas em carros quebrados, de pessoas de outros estados que trafegavam pela BR 316.
      Foi amigo pessoal do Pe. Marques, de quem tinha muita confiança e consideração e de quem recebeu o convite para morar em Valença. Outras referências de amizade, era com O Sr. Tarcisio Soares, Sr. Zé Soares da Fazenda Regalia,  Arão Tenório, Sr Antonio Aderaldo e tantos outros, e num período bem próximo década de 80, Zé Nica, pessoal do Crovapi  Mestrinho, pessoal da da Maçonaria, pessoal dos grupos de Igreja dos quais ele participava, sem contar da amizade família do primo irmão Lausemiro Duarte Pinheiro e família.
            O Mário Fernandes, tinha como filho do coração, Ten. Vieira, Arimatéia Sousa, John Kenned Soares, e os vizinhos como a família do Sr. Vieira e do Sr. Zé Pilicio. Valença foi o local que escolheu para viver.
       Profissionais como Dedé Cesário, Adail do caboclim, Luis de Arão Tenório, Compadre Chico, Churica, Chico dos Portões, Piraca, Benedito da Tereza, Dudé,  Gonçalo Vidô,  João Pintor,  “eu”(Antonio Jose ) , passaram por seus ensinamentos, cujo conteúdo, são aplicados não só em Valença, como em outras paragens desse país afora.
       Raimundo Araujo, foi membro da Moçonaria, chegou ao grau 33. Foi membro da Confraria de São Vicente de Paula, Foi Presidente do Crovapi Clube.
        Na Igreja São Francisco de Assis Bairro COHAB, juntamente com a Profª Neusa Gomes e Profª Teresinha Mambenga, formaram a Associação de São Francisco e de Santa Clara, com reunião aos sábados, das quais meus filhos Icaro e Suênia participavam.
       Raimundo Araujo, recebeu os Títulos Honoríficos de :
       - Cidadão Valenciano, dado pela Câmara Municipal de Valença
       - O Certificado do Grau 33 da maçonaria
       - A Medalha Governador João Pereira Caldas – Câmara Municipal
     Dentre suas devoções, além de São Francisco do Canindé, Nossa Senhora do Ó de Valença e São Raimundo Nonato, Santa Teresinha. E nas devoções populares  freqüentava a cova do Doidinho em Elesbão Veloso e do “Terto” em Valença desde os anos 80 do século XX, de preferência às segundas-feira. No dia de finados, 02 de novembro saia as 5:00h da manhã juntamente com sua esposa Dona Nicinha, passavam pelo Cemitério Local (São Benedito) pelo túmulo do Terto e seguiam para a cidade de Elesbão Veloso, fragmentando as paradas nos túmulos localizados na margem da estrada, especificamente os anônimos, pois a vida de caminhoneiro lhe favoreceu essa maturidade, ele temia que um dia pudesse ser um daqueles e que a distância dos familiares lhe deixasse sem visitas. Chegando à Elesbão primeiramente visitava a Cova do Doidinho, o Cemitério local e seguia para a casa dos familiares.
         Em Valença, muito cedo, mandou construir seu jazigo localizado bem no início do  chamado Cemitério novo e em ar de alegria dizia “....aqui será minha eterna morada, quando eu estiver aqui por favor me visite (risos)”.
        Nas viagens que fazia para Canindé, para visitar São Francisco, primeiramente passava por Crato terra berço. Muitas foram as viagens,  que tinha como passageira a lendária Eva Maria da Conceição, mais conhecida por “Preta Mão de Onça”, cujos cuidados ficavam a cargo de sua esposa Nicinha, (....)
       - E como tudo passa, a idade avança, o tempo se transforma chegando o momento de olhar para trás reviver os bons momentos e às vezes refletir sobre algo que deixou de fazer. É nesse giro de 360° onde o homem descobre a certeza do dever cumprido e nos momentos de reflexão aguarda a hora certa para ocorrer a transcendência, no caso de Raimundo Araujo, aconteceu dia 13 de outubro de 2014 à 7:30 da manhã na sua atual residência localizada na rua 1º de maio em Valença do Piauí.
        Raimundo Araujo se foi, mas as ideias e a prestação de serviço, resultados do hercúleo trabalho que desenvolveu em favor das pessoas estão fincados indelevelmente no solo valenciano e porque não dizer no solo brasileiro!
         Foi o homem, ficou a História, mas a certeza do dever cumprido

Texto: Prof. Antonio Jose Mambenga

           
    




sexta-feira, 3 de março de 2017

FRANCISCO DE ASSIS LIMA, O CONHECIDO "BAXIM DO TAXI"



A vida na sua essência,  é constituída por uma caminhada. Para uns, muito rápida. Para outros,  mais elástica, mas existem aqueles que ela se torna longa . Essa longevidade é que oportuniza a definição da pessoa no mundo que a cerca tornando-se, um ser capaz de  protagonizar sua própria história.
O ano de 1942 transcorria normalmente, a localidade Buriti, atual Ipiranga do Piauí, vivia a  o auge da produção de maniçoba. Muitas famílias prestavam serviços para os comerciantes locais. Enquanto na   Europa, a Segunda Grande Guerra destruía vida e sonhos. Mas no meio de tudo isso, na comunidade Buriti, pertencente ao município de Oeiras-Pi, dava continuidade a vida, tanto que no dia 29 de outubro, nascia uma criança, que na Pia Batismal recebeu o nome de Francisco de Assis. Seus pais, Cesário Joaquim  de Lima e Luiza Josefa da Conceição, sentiram felizes pela chegada do novo membro da família, perfazendo uma prole de 9 filhos.
O tempo passou, o menino Francisco de Assis, foi crescendo e com ele suas utopias. Era muito sapeca, extrovertido, corajoso, conversador, o que fazia a diferença entre os demais membros  da família.
Sua juventude, foi uma comédia, ainda na adolescência aprendeu o ofício de sapateiro, quantos pés calçaram sapatos, sandálias, chinelos confeccionados por suas mãos? Tudo isso, despertou o gosto estético daquilo que produzia, bem como o carisma de comerciante. Primeiro como marreteiro, cuja atividade profissional atualmente é conhecida por comerciante   ambulante, ou mesmo camelô.
 Como credialista,  teve que ultrapassar as fronteiras da localidade onde nasceu, já mais desenvolvida e também emancipada com o nome de Ipiranga do Piauí.
Em  março de 1963, casou-se com Maria Valma, natural da localidade Buriti Cumprido, município de Inhuma-PI
Do enlace matrimonial com Maria Valma, nasceram: Elzenir, Antonio Neto, Elzimar, Elzilene, Francisco de Assis, Elza, João de Deus, Teresinha, Jose Antonio, Maurício, Eliene e Douglas. Uns nasceram em Ipiranga, outros em Valença-PI.
A família, crescia, a responsabilidade para manutenção também, Francisco de Assis, ganhava o mundo trabalhando para o sustento da família numerosa, enquanto Maria Valma, sua esposa, cuidava das prendas domésticas, da educação dos filhos e no veio da máquina diuturnamente desenvolvia a arte de costureira para também ajudar no sustento de casa.
Foi nessas andanças, que Francisco de Assis, escolheu Valença para fixar residência, cuja chegada ocorreu em agosto de 1982. Primeiramente, a família foi instalada no Bairro Cacimbas, na Rua Areolino de Abreu, frente a casa da Aldenora, e ao lado da casa da Bia. Pós um ano, já com uma estabilidade financeira mais definida, comprou uma casa no Bairro Lavanderia, na Rua Adeodato Veloso, onde fixou residência até o dia da sua transcendência.
Em Valença-PI, cidade escolhida por Francisco de Assis, para fixar residência, lhe deu estabilidade financeira para conduzir a família, educar os filhos e mudar de atividade profissional, comprando um fusca de cor vermelha, transformando-o em taxi, cuja atividade profissional lhe deu um novo codinome, “Baxim do taxi”, símbolo de coragem,  trabalho e honestidade.
No início, adotou como  “ponto de referencia” para prestação de serviço como taxista,  a lateral da Igreja Matriz Nossa Senhora do Ó, ao lado da Rua Epaminondas Nogueira, depois subiu para o Terminal Rodoviário, e por último frente o Hospital Regional Eustáquio Portela.
Em todos os locais, conquistou a simpatia das pessoas pela prestação de serviço e a cordialidade como tratava os clientes. Muitas vezes naquelas situações extremas, prestava serviço de forma cordial, momento em que agradecia a Deus pelas benesses recebidas.
Baxim, como era carinhosamente tratado por sua esposa Maria Valma, ou mesmo Baxim do Taxi, como era tratado pelo povo valenciano.
 Foi o “pequeno notável”. Sua estrutura física, não foi empecilho praticar grande prestação de serviço à comunidade. Onde ele estava não tinha tristeza.
Em casa, no convívio familiar, era o pai bondoso, comunicativo, mas cheio de ordens, mas de uma sensibilidade extrema. Gostava de música, de festas, inclusive tocava violão e sanfona. Era comum nos bailes onde chegava, tocar duas músicas. Apenas duas, mas  de sua autoria. Outro dom artístico era o de criar versos de improvisos. No cotidiano, era comum saudar as pessoas com versos de improviso aludindo a situação do momento. Podemos destacar, quando da visita de Dona Maria Prestes, à Cruz dos Revoltosos, localizada nas imediações de sua residência quando de sua passagem por Valença em abril de 2014. “Baixim", fez uma saudação a Dona Maria Prestes, agradecendo sua visita ao local histórico em nossa cidade.
 Nas  emissoras de rádio, era comum sua participação nos programas, tanto ao vivo como por telefone. Em todos levava uma palavra amiga e cultural aos ouvintes. Porque Baxim, era símbolo de alegria.
 Nos comícios políticos, era comum sua participação, conforme o segmento que estava defendendo, mas entendia também que  a ideologia do partido contrário era também uma ideologia, uma vez que era amigo e gostava de respeitar todos.
 Como religioso, tinha suas devoções individuais e coletivas E por ser um homem temente a Deus, respeitava as limitações dos outros bem como seus cultos religiosos, baseado em João 14:6  “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.  
Mas como ciclo da vida tem início meio e fim, com “Baxim”, não foi diferente. Ele nasceu! Ele viveu! Mas chegou um momento em que o homem matéria, apresentou  sinais que precisava parar. Parar para pensar! Para cuidar da saúde! Ele seguiu todo procedimento. E de  forma incansável encarou a vida. Em momento algum deixou de ser aquele homem  de fé e de coragem. Mas o próprio ciclo da vida lhe dava sinais. Sendo que dia 25 de fevereiro às 7:30 da manhã, ocorreu sua transcendência, deixando a família, parentes e amigos. Mas como disse Hermann Hesse: Para cada chamado da vida, o coração deve estar pronto pra a despedida e para novo começo. Foi o homem, ficou sua História e a certeza do dever cumprido! “Que as experiências vividas e compartilhadas por ele no percurso de sua vida, sejam alavancas para alcançarmos a alegria de chegar ao destino projetado.

TEXTO: Prof. Antonio Jose Mambenga

                                    
                                  Valença do Piauí, 03 de março de 2017




domingo, 29 de janeiro de 2017

PADRE MARQUES - OFICIAL II.png HISTORIA DE VIDA – Pe. Marques – Valença do Piauí  - PI

        Raimundo  Nonato de Oliveira Marques, nasceu na cidade de Barra de Marataoã, estado do Piauí, no dia 13 de fevereiro de 1916. Filho de Olímpio Marques e de Maria Ester.
        Teve uma infância adequada a seu tempo. Muito cedo ficou órfão de pai, sendo sua vida dirigida por sua mãe Ester.
        Estudou em escola domiciliar, bem como em escola pública e particular.
        Suas lembranças de infância, não foram  das melhores, mas não tão diferente das demais crianças de época. Sua primeira professora, foi Dona Alice Gabriel, de quem tem boas recordações dos ensinamentos e da didática aplicada em sala de aula e das lições de vida aprendidas, da tabuada e da palmatória utilizada quando necessária.
        Muitas recordações, não lhe fugiram da memória, os ensinamentos dos grandes professores, Dona Maria do Livramento e  do Sr. Benedito Moura Santos, no primário e ginásio respectivamente.
       Em 1934, entrou no Seminário em Teresina, estudando primeiramente no Colégio Diocesano. De lá rumou para Fortaleza (CE) para prestar serviço militar obrigatório na Escola de Bombeiros. Lá descobriu que sua vocação mesmo era a religiosa. Daí, uma dedicação mais afinada na Teologia, como também no conhecimento de outros idiomas, como Latim, francês e grego, além de música e outras disciplinas afins do curriculum de época.
          Em 8 de dezembro de 1940, na Igreja de Nossa Senhora das Dores em Teresina sob as bênçãos de Deus e das mãos de Dom Severino Vieira de Melo, recebeu os dons clericais.
           Pe. Raimundo Nonato de Oliveira Marques, iniciou seus trabalhos sacerdotais com a celebração de primeira missa na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, na cidade de União, no dia 15 de dezembro de 1940, mas foi Picos quem lhe ofereceu a primeira paróquia e dela fazia parte Jaicós e Paulistana. Em seguida foi para Regeneração e de lá veio para Berlengas, atual Valença do Piauí. A princípio, como vigário cooperador do Pe. Jose Gomes da Silva e posteriormente seu substituto a partir de 10 de março de 1946.
            Chegando em Valença, encontrou uma cidade bastante limitada em todos os sentidos, uma vez que era bem aguçado o sistema do coronelismo, tão típico no Brasil afora e bem cristalizado aqui no Nordeste. Todavia, a fragilidade maior era no sistema educacional uma vez que só existia o conhecido curso primário no Grupo Escolar Cônego Acylino e de forma bem tímida escolas particulares que obedeciam o mesmo ciclo.
            Como homem de visão acutíssima e deliberada preocupação com a educação escolar, Pe. Marque, por intermédio do Pe. Jose de Jesus Moura Madeira de Araujo Costa, conseguiu trazer seu irmão Antonio de Jesus Maria Madeira de Araujo Costa, para Valença e com ele o Instituto Santo Antonio de sua propriedade em Oeiras- PI. Daí, para a criação do Ginásio Santo Antonio bastou a junção de Pe. Marques com o Ten. Antonio Félix de Melo, que era muito amigo do Senador Joaquim Pires Ferreira, por quem foi dada a entrada da documentação pedindo à Ministra da Educação e Saúde, Dona Lúcia Magalhães, o funcionamento do Ginásio, cuja ordem chegou por telegrama no dia 19 de dezembro de 1948.
             Atrelado ao sistema educacional, criou também o Jardim de Infância Mãe do Céu; a Escola  para Alfabetização de adultos, com o nome “Luz para a vida”; a Escola Normal Santo Antonio; e a Escola Técnica de Comércio Santo Antonio.
            Hoje Pe. Marques é reconhecido e aceito unaninamente como mentor intelectual e espiritual e aclamado como o homem detentor da cultura, no qual se realiza a plenitude da Educação e do ofício sacerdote no grande Território do Vale do Sambito, do qual tem Valença como Cidade Mãe.
             Conhecedor de cada palmo do chão da grande Valença( formada hoje por 14 cidades)  percorrendo a cavalo nas suas desobrigas, Pe. Marques trocava experiências e absorvia a cultura de cada município por que passava e difundia sua missão eclesial, consciente de que cumpria a determinação de Cristo citada pelo evangelista Mateus: “Ide e ensinai a todas as criaturas”. Com a palavra, ensinou a ler, a ter fé, a preservar; como exemplo, ensinou a se eternizar com a composição de hinos sacros, com a declamação de poemas dedicados à Virgem Maria; com a coragem, ensinou o desapego aos bens materiais para revertê-los em obras arquitetônicas como  o Colégio Santo Antonio, a Praça do Milênio e a Capelhinha de São Raimundo que o imortalizarão como grande benfeitor do progresso de Valença.

         Em 13 de fevereiro de 2014, concelebrou com Pe. Klebert Viana, a missa em ação de graças por seu 99 anos de existência,no final bem debilitado pelos anos e pela saúde, faz os agradecimentos ao povo de Valença pela acolhida durante todo sua existência e os convidou para o  os 75 anos de sacerdócio em 8 de dezembro de 2015 e centenário em  13 de fevereiro de 2016, (risos dele e da assembléia).
         Hoje  8 de dezembro de 2015, Pe. Marque completa 75 anos de vida sacerdotal. Uma dádiva de Deus, porque se tornou missão evangelizadora em cada canto do Território do Vale do Sambito, daí se acreditar na certeza do dever cumprido. Durante todo este período, Pe Marques “não conseguiu mudar o mundo, mas conseguiu fazer com que  as pessoas que lidaram com ele, tivessem uma visão diferente do mundo”. Mesmo assim é como disse Lucien Febvre, “A História é filha do seu tempo!” . Pe Marques. Evangelizou, educou e trabalhou em prol  desta cidade, contextualizado no seu tempo.

                                                       Parabéns!

                                 Valença do Piauí, 08 de dezembro  de 2015.
                                               Antonio Jose Mambenga
                                          Prof. Esp. Em História do Brasil



sexta-feira, 30 de dezembro de 2016


A LENDA DA BALEIA DA IGREJA DE SÃO BENEDITO EM VALENÇA DO PIAUÍ

A lenda da baleia da Igreja São Benedito, é a mais conhecida na cidade de Valença do Piauí. Construída pelo imaginário das pessoas, mas dentro de um recorte temporal. A baleia, chegou em Valença, há muito e muitos anos atrás, muito cansada e com sede. Bebeu toda água do rio Catinguinha, caiu num sono profundo e permanece adormecida até a atualidade. O tamanho da baleia é o que impressiona as pessoas, porque a cabeça está localizada debaixo da Igreja São Benedito aqui em Valença do Piauí e a cauda debaixo da Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Aroazes-PI, numa distância de 40 km. Segundo a lenda, no dia que ela acordar toda água ingerida será expelida, e o Rio Catinguinha, receberá toda água de volta e a cidade se inundará. Daí a pessoas ficarem atentas com relação a Igreja São Benedito, com medo da baleia acordar. Qualquer rachadura que aparece nas paredes é logo consertado, porque pode ser que a rachadura tenha sido ocasionada por qualquer movimento da baleia e se ela acordar a cidade se inundará. Saber como a baleia chegou em Valença-PI, é uma das grandes preocupações da população.  Muito procuram saber sua origem pois estranham uma baleia fora do seu habitat natural, uma vez que a cidade de Valença está a 310m acima do nível do mar e mais de 500 km do litoral..  Outros, arriscam acreditar que ela chegou aqui em Valença-PI, sendo fugitiva da Arca de Noé, no período do dilúvio, permaneceu anônima e somente em 1727 quando da construção da Igreja, foi que ela resolveu beber toda água do rio Catinguinha e receosa da punição que os moradores ribeirinhos do rio poderiam lhe dá, alojou-se debaixo da Igreja, a cabeça e a cauda na Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Aroazes. Ainda bem que ela está dormindo. Neste caso, que o sono seja eterno pra que a lenda possa continuar.



Texto: Prof.  Historiador:  Antonio Jose Mambenga




quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

HISTORIA DE VIDA: MIGUEL DE SOUSA FILHO (Miguelim)


                                HISTÓRIA DE VIDA:    MIGUEL DE SOUSA FILHO



A vida de cada um é constituída de momentos. Alguns são passageiros. Outros pela dimensão que possuem  tornam-se eternos. Sabemos que nossa vida aqui na terra é apenas uma passagem, mas nos apegamos tanto  que queremos que se tornem eternos. Quando menos esperamos, cumpre-se o prazo de permanência  momento que ocorre a separação.  
O século XX, transcorria normalmente. As turbulências  econômicas e sociais dos anos 1920, se amenizavam. O mundo, vivia o sistema totalitário protagonizado pelo Nazismo e pelo Fascismo. Enquanto isso, na zona rural de Valença, no estado do Piauí, na localidade Riacho Barnabé,  nascia, Miguel de Sousa Filho, no dia 12 de janeiro de 1934, filho de Miguel Liberato de Sousa e de Maria Barbosa Lima.
Miguel, teve uma infância igual das outras criança de sua época, voltada especificamente para o labor típico da agricultura familiar, adequada à sua idade e condição física. Nas horas de folga, vivia seu lado infantil e juntamente com seus irmãos, caçavam passarinhos, montavam em jumentos, cavalgavam nos campos, mas nunca fugiam do normal, uma vez que os pais eram severos e tinham que obedecer às ordens que lhe eram atribuídas.
Em 1946, já com 12 anos de idade, seus pais foram morar na comunidade Comboeiro, mas seu lugar predileto era o Riacho, onde existiam seus familiares mais próximos. A saudade da terra berço, só não era maior porque a distância não era tamanha e sempre que podia passa por lá.
O menino Miguel, já não era mais criança, aos 12 anos entrava na juventude o que já lhe pesava sobre os ombros a responsabilidade de adulto. Os afazeres infantis, foram trocados pelo jovem rapaz, por um labor mais direcionado para sociedade de época.
A vida campesina, lhe oportunava acreditar numa vida futura, as aptidões de cuidar da roça, do gado, lhes davam uma maturidade para entender que já era tempo de constituir família. Casou-se com Maria Rocha de Sousa e dessa união conjugal, tiveram sete filhos: Eneida Maria, Maria do Socorro, Francisca Maria,  Ivanide Maria, Jose Barbosa, Deuzelina Maria, e Edimar Rocha.
O certo é que a vida de Miguel, não foi fácil. As dificuldades ocorriam, mas Miguel sempre encontrava uma alternativa para superar.
Como vaqueiro, cuidou do rebanho dele e de outras pessoas da comunidade. Muitas vezes, teve que fazer carvão vegetal, para angariar recursos financeiros para comprar alimentos para os filhos.
Miguel, aprendeu com a graça de Deus, o ofício de aplicador de injeção, função essa que exerceu com muito afinco, uma vez que prestava o serviço, não só na comunidade mas nas localidades da circunvizinhança. Outra função que exerceu por muito anos, foi a de cortador de cabelo, não só dos filhos e outros membros da família. Era procurado por outras pessoas da comunidade para terem os cabelos cortados por ele.
Por mais de duas décadas, manteve em sua residência no Comboeiro, uma quitanda, com produtos específicos: cachaça, fumo, querose, fósforo, sal em pedra, cigarro, bom-bom, e muitos outros produtos de primeira necessidade.
Na parte artística, possuía o don da rima e do repente, resultante da literatura de cordel que lia. Gostava muito de cantoria e de baião de viola.
Miguel, era o poeta símbolo da comunidade Comboeiro. De tudo fazia uma rima, o que deixava as pessoas  felizes, pela forma e o limite como conduzia seus poemas. As brincadeiras eram constantes, e a presença de Miguel era sempre uma animação nas rodas de conversa e nas festas familiares. Ele se sentia  feliz pelo que fazia.
Mas como, aqui na Terra, somos apenas visitantes, Miguel, foi acometido pela doença que lhe levou a óbito, cuja passagem ocorreu no dia 16 de agosto de 2016, em sua residência no Comboeiro.
Foi o homem, ficou a História e a certeza do dever cumprido, isto porque, ninguém morre enquanto permanece vivo na memória de um povo.
                             Valença do Piauí, 16 de setembro de 2016.
Texto: Prof. Antonio Jose Mambenga


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

ZE DA CHICA, O CARNAVALESCO-MOR DE VALENÇA DO PIAUÍ


José de Arimateia, o conhecido "Zé da Chica", nasceu no dia 24/02/1930, em Valença do Piauí. Teve uma infância típica como as demais crianças da Rua do Maranhão, mesmo sendo morador do lado de cá do Rio Caatinguinha, espaço conhecido como Piauí. A juventude, não foi diferente, mesmo tendo ocorrido grande parte no período entre guerra. Zé da Chica, pontuou seu cotidiano entre o "ser e o querer" entremeado entre o difícil viver de um jovem que não possuía no registro civil uma paternidade. Todavia isso não foi empecilho para tornar-se uma referência na cidade e no meio social que frequentava, pois suas  genitoras, a biológica e a do coração, não mediam esforços para proporcionar o que havia de melhor dentro de suas limitações sócios e culturais de época uma vez que o período histórico social da cidade exigia um certo padrão para manter de pé os remanescentes da "Belle Epoque" ou mesmo a ascendência do pós guerra rumo aos "anos dourados" tão típicos da juventude de época, seja nos bailes do Cassino, Centro Social São Jose, do clube Sonho Azul, ou mesmo nos salões da antiga sede da Prefeitura, ou nos Salões da "Rural",
bailes que iam da primeira escala ou mesmo de segunda escala, sendo que Zé da Chica, tornou-se uma referência nos bailes carnavalescos, tanto que no período organizava blocos com ou sem fantasias para animar o reinado de momo em nossa cidade ou mesmo quando não encontrava seguidores saia fantasiado dele mesmo com uma lata de talco pelas principais ruas da cidade, animando e convidando foliões para entrarem na brincadeira. São muitas as lembranças deixadas por Zé da Chica, daí ser codinominado como benfeitor da cultura de Valença. Zé da Chica, era figura presente em todas as classes sociais da cidade, respeitado pelo fato de procurar "fazer o bem, sem observar a quem", o que lhe deu o direito de concorrer uma vaga no Legislativo, mesmo num período que não havia remunerção para execer a função.. Como agente de saúde pública, foi grande sua participação na aplicação de injeção em pessoas que necessitavam, tanto que já conduzia diariamente  no bolso da camisa o conhecido "estojo de aplicar injeção" para ser usado onde precisasse, ou mesmo na zona rural onde era um exímio frequentador. Foi grande incentivador das Bandas de músicas da cidade, sendo na aquisição e/ou na manutenção. Foi um grande apoiador do Conjunto os Magnos. Figura muito importante na criação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Valença, como também para vinda das casas do Cojunto COHAB I e II. Na vida política, além da função de vereador, era animador de Comícios tão logo que se definia de que lado ia ficar, saia pelas ruas dirigindo um jeep e fazendo a locução nos sistema de amplificadora, bem como tinha facilidade na composição das paródias  tematizando cada partido ou candidato, dentre as que "a do pé de coco" e/o outras bem típicas de época . Foi funcionário do DNER. Casou-se com Dona Maria do Carmo (Maricas), de cujo consorcio nasceram 8 filhos e muito criterioso na escolha dos nomes que iam de personalidades da música a personalidades do mundo político, familiares ou mesmo os de sua devoção religiosa no caso da Espírito Santo e Maria de Fátima. Zé da Chica, foi também grande benfeitor da Confraria São Vicente de Paula. Um fato interessante foi com relação a sua religiosidade foi quando no início da dé cada de 60 quando de uma visita do saudoso Governador Chagas Rodrigues, que veio a Valença para inaugurar obras, no retorno para Teresina o avião perdeu a rota e de Teresina recebem um telegrama acusando que o avião não tinha chegado lá. Pensem! A preocupação foi tamanha,a história se espalhou como uma rastilho de pólvora pelos quatro cantos da cidade. Parte da população que ainda se encontrava comentando a visita do governador ou mesmo crianças que haviam ensaiado até cântico para saudar o Chefe do executivo se viram também agoniadas, quando de repente Zé da Chica, prosta-se de joelho em frente a Igreja São Benedito, voltando a visão para o lado oeste da cidade, ergue as mãos para o céu e suplica a São Vicente de Paula padroeiro de Novo Oriente para interceder junto ao Pai Celestial que não ocorresse nada com o Governador e nem com a tripulação e começou a rezar o terço juntamente com o aglomerado de pessoas que se encontravam também aflitas pelo ocorrido. De repente chega um mensageiro com a notícia que o avião havia perdido a rota e tinha aterrissado na cidade de Miguel Alves no norte do Estado. Quando recebida a notícia, Zé da Chica, suplica novamente aos céus e agradece a Deus e São Benedito e divulga a “promessa feita ao Santo” – Conduzir em caminhada de Valença a Novo Oriente a imagem de São Vicente. O Governador  cumpriu a promessa e ainda existe uma fotografia para testemunhar a chegada do Santo em Novo Oriente. Outros fatos de devoção também  ocorriam, sempre que podia visitava o Nicho de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro do Deserto, conforme fotografias que constam  no acervo museológico da Secretaria de Cultura. Sua transcendência ocorreu ontem dia 16 de março em Teresina. Seu corpo foi velado em sua residência na Rua Dep. Zé Nunes, a Celebração  de corpo presente na Igreja Matriz Nossa Senhora do Ó pelo Diácono Rogério. O cortejo saiu de sua residência acompanhado por familiares, parentes e amigos, como também pela Banda de Musica Municipal sob a batuta do Maestro Tenente Martinho Chaves, executando música fúnebres e hinos do Divino Espírito Santo, do qual era devoto. Feito a celebração, quando o cortejo seguiu para o Cemitério São Benedito, a mesma Banda executou "Marchinhas Carnavalescas" a pedido do próprio quando em vida. Foi o homem, ficou a História para eternizar na memória de cada um seu espaço terrestre! Valeu Zé da Chica! A cultura agradece!


Texto: Prof. Esp. Antonio Jose mambenga