quinta-feira, 14 de setembro de 2017

IGREJA NOSSA SENHORA DO Ó - REFORMA DE 1948 A 1956

                        HISTÓRIA DA IGREJA NOSSA SENHORA DO Ó EM VALENÇA DO PIAUÍ
                                                                         Prof. Antonio Jose Mambenga
A cidade de Valença do Piauí, teve origem da aldeia dos índios aruaques. Em 20 de setembro de 1762, o governador da Capitania do Piauí, João Pereira Caldas, instalou a Vila, dando o nome de Valença em homenagem à sua cidade natal, Valença em Portugal.
Em 30 de dezembro de 1889, Valença foi elevada à categoria de cidade.
No ano de 1943, passou a denominar-se Berlengas, conservando este nome até janeiro de 1949 quando passou a denominar-se Valença do Piauí.
A cidade de Valença do Piauí, conhecida como “Cidade Sorriso”(1984) e/ou Rainha dos Sertões (Ferry: 1951 – p 10), traz na sua cotidianidade uma imagem hospitaleira, típica das cidades interioranas, destacando-se entre as demais do seu tope, pela forma pacata, mantendo suas tradições religiosas, culturais e os  costumes típicos das cidade interioranas. A cajuína e suas comidas típicas, somam aos atrativos de seu calendário religioso social, cívico e histórico  cultural, além da beleza natural e de  seu acervo dentro do patrimônio material e imaterial.
Segundo o Pe Gilberto Freitas, no seu livro, História de um povo e sua fé, o primeiro registro sobre a existência de uma Igreja em Valença, data de 09 de fevereiro de 1727. Essa Igreja era apenas uma capela de taipa, pequena e particular, dedicada a Nossa Senhora do Ó.
Em 1836, por força da Lei provinciana Nº 52 de 05 de dezembro, foi determinado a transferência da sede de residência do Pároco de Aroazes, João Antonio Cardoso Sampaio, para vila de Valença, já com o título de Paróquia de Nossa Senhora do Ó, conservando esta denominação até 1946.
Com a chegada do Cônego Acylino Baptista Ferreira Portella, em  1879, foi necessário a construção de um novo Templo, que pudesse atender a demanda dos fieis católicos, provocado pelo bom pastoreio do referido sacerdote, uma vez que,  percorreu a cavalo, todo município de Valença,  evangelizando e conhecendo a realidade do povo, através das chamadas desobrigas religiosas.
Com a eclosão da República Brasileira em novembro de 1889, ocorreram várias transformações no país, ocasionadas pelo movimento positivista, que culminou com o desligamento da Igreja do Estado. Momento também que todas as vilas do Estado Brasileiro foram elevadas a categoria de cidade e Valença, foi uma delas.
A cada dia, a cidade de Valença dava sinal de progresso, tudo isso impulsionava o Cônego Acylino, pensar na construção de um novo templo Sagrado, que pudesse atender o grande numero de fieis. E de acordo com o Bispo do Maranhão Dom Antonio Cândido e os membros da Confraria de Nossa Senhora do Ó, a pedra fundamental da nova Igreja, foi lançada no dia 27 de agosto de 1893, com grande festa.
Segundo o Pe Marques, o projeto da construção da igreja,  teve como base a Igreja Nossa Senhora dos Remédios da cidade de Picos-PI, mas os pedreiros  se confundiram com as medidas, aumentando os espaços, mesmo assim foi construída, inclusive com duas torres  singelas no frontal.
A nova igreja de Valença, levou cinco anos para ser construída, mas no dia 18 de dezembro de 1898, dia dedicado a Nossa Senhora do Ó, o Templo foi oficialmente batizado, momento também que ocorreu uma celebração Eucarística, que contou com a presença dos Padres: Francisco Jose Batista(Amarante); Carino Nonato da Silva(Monsenhor Gil); Jose Dias Freitas(Oeiras), cuja celebração foi presidida pelo grande idealizador e construtor, Cônego Acylino. A celebração contou também com um grande número de  fieis e autoridades de todo município.
Não foi fácil, construir o novo templo, uma vez que o município, ainda estava vivendo a transição da mudança de vila para cidade e se adaptando aos novos paradigmas da República e ainda as seqüelas deixadas pela terrível seca de 1877 que devastou quase tudo. E como afirma, Reginaldo Miranda(2012): Em Valença, o Cônego Acylino, construiu e adornou a nova matriz em local diverso, para isso, a falta de recursos tendo despender mais de vinte contos de reis do seu próprio bolso, à custa do empenho de bens particulares.
Em 1948, o Pe Raimundo Nonato de Oliveira Marques, em pleno acordo com o povo da zona urbana e rural, bem como com as autoridades locais e estaduais, e aval do Bispo Dom Severino Melo, fizeram uma ampliação geral na  atual Igreja Matriz, ainda conservada até a atualidade. Da construção de 1898, foram demolidas as duas singelas torres laterais, os oratórios laterais internos, mas foram construídos dois corredores  e braços laterais, bem como largas colunas no estilo neoclássico, com 1,35 cm de largura, o altar-mor. As capelas que atualmente são dedicadas ao Santíssimo Sacramento e ao Divino Espírito Santo, um nicho para as imagens de Bom Jesus dos Passos, Nossa Senhora das Dores e Senhor Morto e um outro, que por muito tempo serviu para Pia Batismal, onde ocorriam os batizados.
O grande diferencial da reforma, foi a construção da enorme torre, vista de todos os pontos da cidade, nelas abrigam os sinos e um grande  relógio.
Para reforma e ampliação da Igreja Matriz, a população tornou-se protagonista, mas à medida que o tempo passava, a euforia inicial se tornava estanque, o poder econômico de cada um comprometia, provocando um choque entre a força física e a limitação financeira de grande parcela da população, mesmo assim, o grande projeto teve que sofrer uma modificação, a segunda torre  tornou-se apenas uma  utopia. O próprio Pe Marques, sentiu necessidade de parar, porque viu que a população já estava exausta financeiramente,  porém  via em cada um dos devotos,  a vontade de ver a outra torre concluída, porém   a força física superava a financeira, e  a fé em Nossa Senhora do Ó, encorajava todos.
O certo, é entender que não foi fácil, fazer a reforma e ampliação da Igreja matriz de Nossa Senhora do Ó, num exíguo espaço de tempo, 1948 a 1956. Pe. Marques, contou com ajuda do povo católico, que não media esforço para ver o serviço concluído, mesmo sabendo da impossibilidade da construção da segunda torre.
Segundo alguns fieis, tudo era feito com muito entusiasmo, famílias inteiras, sem distinção social e/ou cultural, após a missa de domingo de manhã, se deslocavam até o bairro Cacimbas, para buscar pedras, tijolos, areia, barro, e trazer até a igreja para ver o andamento da construção, à noite, ocorria o mesmo pós a missa das dezenove horas enfrentando a escassez da iluminação públicas, mas as lamparinas e fachos de cipó de vaqueiro eram utilizados para enfrentar o caminho estreito e cheio de buraco que interligava a igreja ao bairro Cacimbas .
Muitos mestres de carpintaria, pedreiros e/ou operários sem qualificação profissional, prestavam serviços. Sob a orientação do Mestre Acilino, na parte da carpintaria, nomes como: Didito, Manoel Apolinário, Zé Dandá, Manoel Mambenga, Mestrim, Cornélio,  Zequinha Carlota, Zé Tenório, Mário Lima,  Zé Ferreira e Milú, Antonio Mambenga, Arão Tenório, cuidavam da montagem  do teto,  das portas e das janelas, enquanto a parte de paredes e rebocos, ficavam a cargo de Antonino Carlota, Justino Poty, Pedro Bolô, Antonio Maciel, Joaquim Pereca, Osvaldo da Dona Filomena, e tantos outros.
As madeiras das linhas, caibros e ripas e barrotes, foram trazidas da região de Aroazes, Novo Oriente e Várzea Grande, porque somente nestes locais existiam árvores de grande porte, cuja condução era feita pelo próprio Pe. Marques, no seu jepp, amarradas na parte trazeira  do meio de transporte e puxadas até o quintal da igreja, onde existia uma grande mangueira e operários de força como Ze Ferreira, Milú e Zé Paraguai, Augustinho do Sambito, Antonio Monteiro faziam o tratamento da madeira e depois serravam numa serra rústica, uma vez que o serrote vertical, individual ainda não era conhecido na cidade. A serra, era estilo daquelas mostradas nas obras de arte de Debret. A última, encontra-se no acervo museológico da Secretaria de Cultura nesta cidade. Outra parte do material, era colocado debaixo do cajueiro do Melão, frente ao Grupo Escolar Cônego Acylino ou mesmo no antigo prédio do Cassino, onde atualmente funciona o juizado das Pequenas Causas.
A água para construção, vinha do Poço da Prefeitura, localizado no bairro Cacimbas,  carregada em ancoretas, sob o lombo de jumentos. Os tijolos, foram construídos na Olaria do Sr. Romão Batista de França e outra parte nas imediações do Olho Dágua, confeccionados pelo Sr. Benedito Branco, Sr. Izídio irmão do Sr. Kaé,  enquanto as telhas, foram confeccionadas, parte na Lagoa Seca, outra parte no Retiro e outra na Lagoa do Barro perto do Sitio Betel, sob a orientação do Sr. Jose Cesário. O Altar-mor, ficou a cargo do mestre Antão, proveniente de Pimenteiras e seus operários, dentre eles Antonio Maciel.
Assim foi feita a ampliação e reforma da Igreja Nossa Senhora do Ó em Valença do Piauí, de forma parcial, porque a limitação financeira do povo e da própria Igreja não foi possível construir a segunda Torre, o que causa uma lacuna na certeza do dever cumprido e interrogações quando alguém ler o Soneto VALENÇA, do poeta valenciano João Ferry
Minha Valença é como uma rainha
Exilada no centro dos sertões...
Corre em seu seio o riacho Caatinguinha,
Que a divide em dois meigos corações
               De um lado vê-se, linda, uma capela,
               Desde 1840,
               Do outro lado, a Matriz simples e bela,
               Duas torres lindíssimas ostenta.
Nos telhados, na branca casaria,
Nos flamboyans esparsos pelas
Em  tudo se denota uma alegria.
                Para pintá-la é pouco este folheto,
                Descrevo-a, mas bem sei que as cores suas,
                Não podem conter neste soneto.
O certo,  é que a Igreja Nossa Senhora do Ó, é um dos maiores templos católicos do Piauí, possuindo 22,80cm de largura e 39 m de comprimento, mas a ausência da segunda torre, causa espanto e grande confusão, principalmente quando se lê o soneto Valença de João Ferry, quando ele fala das duas torres e você olha e só vê uma torre, mas como a História é investigativa e  analítica, encontrou uma resposta pra as perguntas, retornando ao tempo e descobrindo que o soneto do Ferry, foi feito em abril de 1922, quando na realidade existiam as duas torres singulares, na Igreja Nossa Senhora do Ó,  uma vez que a torre atual data de 1956, daí, nada mais justo e buscar embasamento em Eclesiastes: 3:1, quando alude sobre o tempo: Para tudo há uma ocasião certa, há tempo certo para cada propósito debaixo do céu.
O momento é mais que oportuno para concretização do grande sonho do povo valenciano, vê a segunda torre da Igreja construída, para tanto é preciso que cada um faça sua parte para que seja concretizado o querer, porque o ser não funciona sem as aspirações do querer.

BIBLIOGRAFIA:
FREITAS, Pe. Gilberto – História de um povo e sua fé, Gráfica Mendes – Teresina – PI – 1997
FERRY, João Francisco- Chapada do Corisco, Imprensa Oficial – Tersina – PI 1952
FERNANDEA, Jose Nunes, Aspectos da Arquitetura de Floriano – Academia Piauiense de Letras – Teresina – PI – 1991
MIRANDA, Reginaldo, Biografia do Cônego Acylino Portella – Revista Eletrônica da Academia Piauiense de Letras - 2012 



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11ª PRIMAVERA DOS MUSEUS E 7ª MUNICIPAL EM VALENÇA DO PIAUÍ


VALENÇA DO PIAUÍ
ESPAÇO CULTURAL PROGÊNIE DE MÃE LUIZA CABURÉ
RUA EDMUNDO SOARES, 125 - LAVANDERIA
mambenga@bol.com.br
(89) 9998-55283
18/09/2017 a 24/09/2017 - 08:30 às 12:00 
EXPOSIÇÃO - fotográfica com o tema Flores Campesinas.
Local: Biblioteca Municipal Mãe Ana Apolinário.
19/09/2017 a 24/09/2017 - 09:00 às 16:30 
VISITAÇÃO - guiada ao acervo do Espaço Cultural Progênie de Mãe Luiza Caburé.
22/09/2017 - 19:30 às 20:30 
PALESTRA - sobre a história do Colégio Santo Antonio em Valença do Piauí.
Local: Auditório Pe. Raimundo Nonato de Oliveira Marques.
22/09/2017 - 15:30 às 16:30 
CONTAÇÃO DE HISTÓRIA - Histórias que caracterizam Valença.
Local: Unidade Escolar Prof. João Calado - Ministrante Prof. Antonio Jose Mambenga.


Flor de jasmim


                                                            Lirio do campo e/ou cebola "braba"


Miosote





Laranginha de Noiva



Flor de Joaninha



Capim Silvestre


Bem me quer selvagem




                                                Perpétua, encontrada as margens da Br 316 rumo ao Posto Icarai


                                        

                                                                                     Chanana



Flor de pequi




Flor de  cipó de macaco


                                                             
                                                                             Flor Marianinha



                                           

                                                                       Flor de Urtiga de boi






terça-feira, 20 de junho de 2017

FESTAS JUNINAS EM VALENÇA – PI
A cultura de um povo é plural quando é construída e mantida pelo próprio povo.
As festas juninas chegaram ao Brasil ainda no período colonial, trazida pelo colonizador europeu. No início, apenas as manifestações atreladas às divindades católicas do mês de junho: Santo Antônio, São João e São Pedro.
As Festas Juninas, caracterizava como festas da fertilidade em sinal de agradecimento pela colheita da safra agrícola. Para tanto, cada família acendia uma fogueira, fincava um mastro e preparava uma mesa com comidas e bebidas, utilizando os produtos colhidos em sinal de agradecimento pela fartura conseguida. Aos pouco foi virando tradição e ganhando espaço no restante do Brasil. Com a chegada da Família Real Portuguesa em 1808, as festas juninas adquiriram nova roupagem, foram introduzidas as danças com passos marcados, as chamadas “Quadrilhas Juninas”, baseadas nas danças de Salão da nobreza francesa.
Assim se aclimataram as quadrilhas, somando às fogueiras, às comidas e bebidas típicas do ciclo junino.
Em Valença do Piauí, a primeira quadrilha junina ocorreu no mês de julho de 1958 na Rua do Maranhão, por ocasião de um festejo de São Benedito. Dentre muitos valencianos que participaram, podemos destacar o casal de noivos formado por Eustásio Oliveira e Profª Etevalda Oliveira.
A apresentação festiva agradou os organizadores e dançarinos, bem como, serviu de base para o restante da cidade que a partir da década de 60 do século XX, incrementou a dança da quadrilha às manifestações festivas do mês junho. Vários grupos foram surgindo, à fogueira, às comidas típicas e ao compadrio foi somando á dança caipira codinominada quadrilha.
A população criou gosto pela dança e tornou-se  popular, primeiro pela novidade, segundo pela manifestação em si, que era atraente.
Nos anos de 1970, as escolas da rede Estadual, já realizavam seus arraiais, em praça pública, no Centro Social São Jose, no Loreto, ou mesmo isolando ruas próximas das escolas, onde decoravam o espaço com bandeirolas e outros artefatos típicos das festas juninas como fogueira, balões e folhagem de palmeira. A palmeira pati, muito comum na vegetação valenciana era a mais utilizada.
Neste período, a Rua do Maranhão, tornava-se a mais movimentada da cidade. A criançada se dirigia para lá, para comprar “bombinhas” traques, foguetes dos mais variados tipos e maracás, todos confeccionados de forma artesanal pelo Sr. Saló.
Por volta de 1984, a cidade já contava com vários grupos de quadrilhas juninas. Observando isso a Profª Naildes Lima Verde, convidou o Prof. José Dantas, para organizarem um Festival de quadrilhas juninas para escolherem os melhores grupos da cidade.
Os três primeiros grupos que adquirissem mais pontos na visão do corpo de jurado recebiam uma premiação.
O local escolhido para o Festival, foi a quadra do Colégio Santo Antônio. Nos anos seguintes a mesma equipe organizou outros  Festivais . Tudo isso despertava o gosto da juventude da cidade. Novos grupos eram formados, dentre eles a quadrilha da Rua São João, organizada pelo João da Alexandrina, como também, o grupo da Rua Areolino de Abreu, organizado pelo Sr. Plácido (Praça) e sua esposa Erotildes Barbosa. O grupo da Bela-flor, era o mais organizado, por ser formado na maioria por jovens remanescentes do grupo que dançou na quadrilha de 1958.
Em 1989, foi organizado o primeiro Festival de Quadrilhas Juninas de Valença do Piauí, pela Prefeitura Municipal. Neste período o gestor municipal era  o Dr. Francisco de Assis Alcântara e a Secretária de Educação e Cultura a Profª Ineide Lima Verde.
A Profª Ineide Lima Verde, teve a iniciativa de organizar o Festival, num local mais amplo para atender o público que gostava de ver e dançar quadrilhas juninas. O Espaço escolhido, foi a Praça do Xerém, no centro da cidade. Para homenagear o local, a Profª Ineide Lima Verde, codinominou o espaço como “Arraial do Gorgulho”, porque lá aos sábados ocorria a feira livre.
Para, organizar o Primeiro Festival de Quadrilhas Juninas de Valença do Piauí, Profª Ineide Lima Verde, convidou para lhe assessorar a Profª Nereide Lima Verde e o Prof. Antônio José Mambenga. Ocorreram várias reuniões com os grupos para definição de premiação, regulamento, barracas, quesitos que seriam julgados e segurança. E no dia 28 de junho de 1989 às 20:00 hs foi iniciado a festa. Participaram do Primeiro Festival de Quadrilhas Juninas de Valença do Piauí, os grupos: Quadrilha Joaquim Manoel, Quadrilha Bela Flor, Quadrilha Show, Quadrilha Maravilha, Quadrilha  Matutos da Noite, Quadrilha Renascer, (zona urbana), Quadrilha do Fumal e Quadrilha da Isidória, ( zona rural). A quadrilha Bela Flor, conseguiu o primeiro lugar.
Assim, teve início o Festival de Quadrilhas Juninas de Valença do Piauí. Com o passar do tempo, passou acontecer na sexta e no sábado e com o surgimento de novos grupos, passou para três dias, sexta, sábado e domingo.
O Festival foi ganhando nome e referência, a partir de 2005, passou acontecer em quatro dias: quinta, sexta, sábado e domingo, sempre no último final de semana do mês de junho ou no primeiro final de semana do mês de julho. Da Praça do Xerém, foi transferido para a Praça de Eventos do Bairro Novo Horizonte até 2012, a partir de 2013 no espaço Cultural do CSU. Entre 2001 e 2004 o nome  Arraial do Gorgulho foi substituído por Arraial da Alegria. Em 2005, retornou o nome   até o momento para o Arraial do Gorgulho.
As festas juninas em Valença do Piauí têm se mantido vivas, graças ao empenho dos grupos  de quadrilheiros organizados, dos gestores municipais e  da própria comunidade valenciana. Daí, despertar interesse de grupos de cidades circunvizinhas ou mesmo distantes, em  participarem do evento, como  grupos que vieram da cidade de Bom Jesus do Gurguéia, Paulistana, Francisco Aires, Oeiras, Picos, Barras, Teresina e tantas outras cidades, até mesmo um grupo da cidade de Tauá no estado do Ceará, se interessou em participar. Tudo isso, graças a organização do evento e a receptividade dos quadrilheiros locais e organizadores.
Neste ano de 2017, será realizado  o 29º Arraial de Gorgulho, no Espaço Cultural do C S U, nos dias 30 de junho, 01 e 02 de julho, uma realização da Prefeitura Municipal e organização da Secretaria Municipal  de Cultura e Turismo, demais Secretarias Municipais.
Valença do Piauí, 20 de junho de 2017
Texto: Prof. Antonio Jose Mambenga



sexta-feira, 7 de abril de 2017

PROCISSÃO DE BOM JESUS DOS PASSOS EM VALENÇA DO PIAUÍ





                                          Foto: Foto Marques e Portal v1


A Procissão de Bom Jesus dos Passos em Valença do Piauí, é realizada há séculos, dentro da programação alusiva à Semana Santa, na sexta-feira que antecede os chamados "dias grandes".
Tudo começa na quinta-feira à noite, onde é realizada a Procissão da Fugida de Bom Jesus, num cortejo que sai da Igreja Nossa Senhora do Ó até a Igreja São Benedito. Nesta Procissão religiosa em Valença do Piauí, só podem participar homens.
 O cortejo sai as 23:00hs  pós um terço religioso, rezado pelos devotos. Percorre o centro histórico até chegar a secular igreja São Benedito, onde o Padre faz orações e os devotos deixam as velas conduzidas durante o percurso. No dia seguinte, meio dia é rezado o ofício do Bom Jesus dos Passos e as 17:00hs a missa. Após a missa a Procissão segue pelas principais ruas da cidade onde estão localizados em pontos estratégicos os nichos, simbolizando as estações(via sacra), num total de 14 e a 15ª é na Igreja Nossa Senhora do Ó.
A Procissão de Bom Jesus dos Passos, é a maior das Procissões religiosas da região valenciana. Para ela converge, além do povo da cidade,  um número bastante acentuado de pessoas oriundas da zona ruaral e de outras cidades circunvizinhas.
O que caracteriza a Procissão, além das imagens de Bom Jesus e de Nossa Senhora das Dores, é a flor de Passos, conduzida pelos participantes. Muitos conduzindo desde a Igreja São Benedito. Outros, adquerindo à medida que vão ocorrendo os Nichos. Cada família selecionada, ornamenta o nicho com flores naturais, e com a tradicional Flor de Passos e alecrim silvestre. No frontal do nicho, folhas de palmeiras entrelaçadas dão um aspecto bucólico ao espaço.Convém dizer, que a Flor de Passos, foi introduzida na Procissão de Bom Jesus dos Passos aqui em Valença-PI,   no  final do século XIX, pelo Cônego Acylino, que era natural da cidade de Oeiras-Pi e de lá trouxe a tradição.
Durante o espaço percorrido, devotos pagam promessas. Muitos vestem-se de roxo; outros debulham terços religiosos; outros conduzem velas acesas ou mesmo carregam pedras sobre a cabeça,  conduzem cruz.de madeira. É comum vestirem batas roxas.
Muitas famílias, aqui em Valença-PI, neste dia não comem carne vermelha, optam pelo peixe, porque mantêm a tradição do jejum, iniciando assim o cardápio típico da Semana Santa, quibebe de abóbora, com maxixe, quiabo, macaxeira, folha de quiabo, temperado com manteiga da terra ou mesmo nata de leite. O arroz, o feijão e uma torta feita com ovos de galinha caipira, complementam as refeições. É claro, que este cardápio é variado, dependendo da situação financeira de cada família.Cada caso é uma caso diferente. O importante é que cada uma faz ou tenta seguir essa tradição religiosa e alimentar.
Em 1991, Pe Amadeu Matias, solicitou a Professora Dolores Matias, que se encarregasse de fazer o roteiro das Estações, bem como as ruas por onde ia passar a Procissão. Cuidadosamente, Profª Dolores Matias, cuida desta parte, enquanto, Sinhá Dona, Dona Benedita Dedé, cuidavam de arrumar o andor de Nossa Senhora das Dores e coordenar a Procissão de   imagem, da Igreja Nossa Senhora do Ó,   até o local do Encontro de Maria com seu Filho, na 6ª Estação. Sinhá Dona e Dona Benedita Dedé, eram também responsáveis pela seleção de jovens para representar Verônica, carinhosamente conhecida como Maria Beú. Várias foram as jovens de Valença que participaram deste momento, geralmente cantavam em Latim e também em Português.
Pós 1962, com o Concílio Vaticano II, muitas coisas foram retiradas. Por muito tempo, a Procissão ficou sem a participação de Maria Beú. Somente com o Pe. Amadeu Matias, Sinhá Dona e Dona Benedita, conseguiram retornar à tradição do Cântico de Maria Beú, na Procissão de Bom Jesus dos Passos em Valença do Piauí. Com a participação da Profª Teresinha Ferreira, a conhecida Teresinha do Mestre, foram até a residência do Pe. Marques, na Rua São João e solicitaram a letra do cântico e a tradução para a língua portuguesa. Com muito bom grado, Pe Marques, atendeu a solicitação das devotas e a pessoa escolhida para  interpretar Maria Beú, foi a jovem Neusa Leal, filha do Sr. Doca Paraiba e de Dona Maria. Neusa, ensaiou, em latim e em português, cantou e encantou. Foi a grande novidade da Procissão, o retorno da Maria Beú.
A nova geração ficou encantada. Enquanto os  devotos de  idade mais avançada, retrocederam no túnel do tempo pelo retorno á tradição. Neste ano de 2017,  Maria Beú, foi representada pela soprano Profª mestranda Renata Ferreira, com sua voz maviosa, atingiu os ouvidos atentos. Todos silenciavam para ouvir o canto de Maria Beú a cada estação da via sacra. Enquanto voltavam o olhar para as imagens do Senhor Bom Jesus dos Passos e de Sua Mãe Nossa Senhora das Dores, eram capazes também de observar  o movimento das Flores de Passos conduzida pelos devotos. Enquanto isso,  o cheiro forte do incenso exalava por toda região. Pe.  Klebert Viana, Pe Antonio Carlos e o Diácono Rogério Moura, conduziam as orações e agradeciam piedosamente as famílias que prepararam os Nichos, foram elas:(1ª Estação) na casa da Dona Maria de Lourdes Costa, (2ª Estação)na casa da Sra.  Sueli Lima Verde, na Rua do Maranhão;(3ª Estação) na casa da Sra.  Maria Antonia de Sousa, na Praça Jose Martins; (4ª Estação) na casa da Dona Dulce Veloso, na Rua Capitão Cineas Veloso; (5ª Estação) na casa do  Dr. Francisco Dantas(Piroquinha),(6ª Estação) na casa da Sra.  Maria do Socorro Alves, (7ª Estação)na casa da Sra.  Jacinta de Fatima, (8ª Estação)na casa da Sra.  Maria Nadi Maciel, na Rua Eurípedes Martins;(9ª Estação) na casa da Sra.   Marli Sousa(Buzuguh),(10ª Estação) na casa da Sra.  Maria  Helena Carvalho, (11ª Estação)  na cada da Dona Alice Barbosa, Rua Epaminonda Nogueria;(12ª Estação) na casa do Sr.  Marcos Ricardo,  (13ª Estação) na cassa do  Sr, Vieira Lima, (14ª Estação)  na casa do Sr. Mestre Chiquinho, na  Rua Epaminondas Nogueria; (15ª Estação) na  Igreja Nossa Senhora do Ó, na Praça Getulio Vargas. Assim, foi realizada a A tradicional Procissão, com o maior numero de devotos participando, ouvindo os cânticos e orações temáticas do periodo,  através da equipe de Liturgia das paroquias de Nossa Senhora do Ó e São Francisco de Assis.

Texto: Prof. Antonio José Mambenga

quinta-feira, 30 de março de 2017

SR. RAIMUNDO DUARTE DE ARAUJO, UM VALENCIANO DE CORAÇÃO

                                                                     HISTÓRIA DE VIDA



     O homem é um ser social histórico e cultural e conforme o meio que o cerca, consegue transformar sonhos em realidades, dependendo de seu projeto de vida em prol do bem comum.
      1930, o mundo vivia as tribulações ocasionadas pelos regimes  totalitários do nazismo alemão e do fascismo italiano. Por outro lado, as conseqüências da economia norte-americana, ainda em constante pesadelo causada pela crise financeira da quebra da Bolsa de Valores de New York em 1929, atingindo de forma crudelíssima o restante do mundo.
      O Brasil, politicamente abalado, procurava entender os novos paradigmas administrativos provenientes das rupturas do sistema da política do Café com Leite. Enquanto isso, na localidade Riacho Vermelho, zona rural da cidade de Crato – Ceará, no dia 05 de setembro 1930, nascia uma criança, que recebeu dos genitores o nome de Raimundo.
     Seus pais: O Sr. Pedro Regino de Araujo e a Sra. Silvina Duarte de Araujo, ficaram muito felizes pela graça divina, do menino Raimundo ter nascido com muita saúde. Cumpriram os rituais de família e da localidade, soltaram fogos anunciando aos parentes e vizinhos a chegada do menino, pois era o primogênito.
     O tempo passou, o menino Raimundo foi registrado no cartório do Crato com o sobrenome da família, “Duarte de Araujo” e como toda criança de sua época teve sua infância nos mesmos padrões. Na Igreja Católica, recebeu os sacramentos de batismo, 1ª Eucaristia e Crisma.
      Na comunidade, o menino Raimundo, se dividia entre a vida bucólica dos Sítios Guaribas e Poço Dantas, às agitações da vida urbana na cidade de Crato e Juazeiro do Norte, e como os demais moradores da região se dividia entre o místico da religiosidade do Pe. Cícero ou mesmo da tensão nervosa da cidade ser atingida pelo bando de Lampião o Rei do Cangaço.
       Raimundo Araujo, teve os seguintes irmãos:  Françuar Duarte de Araujo (In memorian) Francinete Duarte Araujo, Maria do Socorro Duarte de Araujo, Antonio Duarte e Araujo(In memorian) Aldevanda Duarte de Araujo, Helival Duarte de Araujo Francival Duarte de Araujo.
      O menino Raimundo Araujo, recebeu as primeiras lições de conhecimento escolar na própria família, pelo conhecimento empírico proveniente dos pais. Mas foi na cidade de Crato, onde cursou o Fundamental no Colégio dos Padres, adequerindo o suficiente para enfrentar a vida com o néctar cultural absorvido dos professores.
      Muito jovem despertou o interesse pela dança,   aprendeu logo cedo, menejar o violão, o que favoresceu aguçar a mente em prol da Cultura. Ainda na adolescência sentiu-se tocado pela vontade de entrar no Seminário religioso católico, porém ocorreram alguns obstáculos e o jovem Raimundo optou apenas para cumprir sua trajetória católica apenas como leigo, mas em momento algum deixou de fazer suas leituras bíblicas, frequentar e praticar os ensinamentos dos Mandamentos da Lei de Deus e da Igreja.
      O tempo foi passando, com ele ocorriam as transformações advindas do meio que vivia e do próprio mundo.  Enquanto Raimundo Araujo, migrava da adolescência para a juventude, o mundo europeu se transformava em campo de Batalha através da II Guerra Mundial, o que mexia psicologicamente com os ideais da juventude através da instabilidade sócio histórica e cultural das pessoas.
      Foi nesse clima tenso, que Raimundo Araujo, recebeu o convite de seu tio Luis Regino de Araujo para trabalhar no Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS) juntamente com mais dois primos. Primeiramente exerceu funções burocráticas, mas o que ele queria mesmo era ser motorista, função que veio depois. Naquele período o DNOCS, estava construindo açudes em todo Nordeste, mas Raimundo foi designado para o Piauí, cuja prestação de serviço foram nas cidades de Piripiri (açude Caldeirão), Pio IX (Cajazeira) e Paulistana(Ingazeira).
      Quando morou em Oeiras-PI, foi amigo do Dr. Raimundo Machado, que era Odontólogo, daí incentivado por ele aprendeu o ofício de protético, profissão que lhe favoresceu uma vida nômade, oportunizando aos clientes um belo sorriso com ouro reluzindo na maioria das vezes, pois era moda de época “os dentes de ouro”. Era o momento do Pós II Guerra Mundial, onde o querer das pessoas se transformava em ser. E Raimundo Araujo, como profissional de um dos seguimentos da beleza, resolveu fixar residência no Piauí.
          Conhecendo bem a região devido a prestação de serviço junto ao DNOCS, Raimundo Araujo, ainda bem Jovem 20 anos, instala uma oficina mecânica em Várzea Alegre, naquele tempo Valença, atualmente, Elesbão Veloso e sua prestação de serviço se espalhou pela região momento também que o solo piauiense era rasgado na construção da BR 316.
Em Valença, sede da cidade, Raimundo Araujo, foi testemunha ocular da insatisfação do povo pela não aceitação da passagem da rodagem por fora da cidade. Foi ele quem me contou da carta que as mulheres valencianas enviaram para a Primeira dama do País esposa de Getúlio Vargas, solicitando a passagem da rodagem pelo centro da cidade e da demissão do Ministro por não aceitar a causa. Movimento popular que culminou com a criação da Liga Valenciana, cujo discurso inicial coube ao Prof. João calado (1952)
        Em Elesbão Veloso, o coração de Raimundo Araujo, foi alcançado pela flecha do cupido. Casou-se com a jovem elesbonense Cleonice Lima Verde, na Igreja Santa Teresinha, cuja celebração matrimonial foi assistida e abençoada pelo Reverendo Pe. Marques, de cujo consórcio, nasceram: Maria da Cruz – Maria Cleonice e Raimundo Nonato.
        Em 1972, Raimundo Araujo, chegou em Valença, fixou residência na Rua General Propécio de Castro e a Oficina Mecânica e Lanternagem na mesma rua, sendo que a entrada ficava com frente à lateral do Posto de Gasolina São Jose, naquele período do Sr. Joaquim Xavier e anos  depois do  Sr. Valdemar Moura, atualmente é do Grupo Valadares.
        Em Valença, fez muitos amigos, foi católico praticante e ajudava muito às pessoas que precisavam. Como profissional, era referência na região e até mesmo em outras localidades do Piauí ou fora em outros estados da Federação, uma vez que resolveu muitos problemas em carros quebrados, de pessoas de outros estados que trafegavam pela BR 316.
      Foi amigo pessoal do Pe. Marques, de quem tinha muita confiança e consideração e de quem recebeu o convite para morar em Valença. Outras referências de amizade, era com O Sr. Tarcisio Soares, Sr. Zé Soares da Fazenda Regalia,  Arão Tenório, Sr Antonio Aderaldo e tantos outros, e num período bem próximo década de 80, Zé Nica, pessoal do Crovapi  Mestrinho, pessoal da da Maçonaria, pessoal dos grupos de Igreja dos quais ele participava, sem contar da amizade família do primo irmão Lausemiro Duarte Pinheiro e família.
            O Mário Fernandes, tinha como filho do coração, Ten. Vieira, Arimatéia Sousa, John Kenned Soares, e os vizinhos como a família do Sr. Vieira e do Sr. Zé Pilicio. Valença foi o local que escolheu para viver.
       Profissionais como Dedé Cesário, Adail do caboclim, Luis de Arão Tenório, Compadre Chico, Churica, Chico dos Portões, Piraca, Benedito da Tereza, Dudé,  Gonçalo Vidô,  João Pintor,  “eu”(Antonio Jose ) , passaram por seus ensinamentos, cujo conteúdo, são aplicados não só em Valença, como em outras paragens desse país afora.
       Raimundo Araujo, foi membro da Moçonaria, chegou ao grau 33. Foi membro da Confraria de São Vicente de Paula, Foi Presidente do Crovapi Clube.
        Na Igreja São Francisco de Assis Bairro COHAB, juntamente com a Profª Neusa Gomes e Profª Teresinha Mambenga, formaram a Associação de São Francisco e de Santa Clara, com reunião aos sábados, das quais meus filhos Icaro e Suênia participavam.
       Raimundo Araujo, recebeu os Títulos Honoríficos de :
       - Cidadão Valenciano, dado pela Câmara Municipal de Valença
       - O Certificado do Grau 33 da maçonaria
       - A Medalha Governador João Pereira Caldas – Câmara Municipal
     Dentre suas devoções, além de São Francisco do Canindé, Nossa Senhora do Ó de Valença e São Raimundo Nonato, Santa Teresinha. E nas devoções populares  freqüentava a cova do Doidinho em Elesbão Veloso e do “Terto” em Valença desde os anos 80 do século XX, de preferência às segundas-feira. No dia de finados, 02 de novembro saia as 5:00h da manhã juntamente com sua esposa Dona Nicinha, passavam pelo Cemitério Local (São Benedito) pelo túmulo do Terto e seguiam para a cidade de Elesbão Veloso, fragmentando as paradas nos túmulos localizados na margem da estrada, especificamente os anônimos, pois a vida de caminhoneiro lhe favoreceu essa maturidade, ele temia que um dia pudesse ser um daqueles e que a distância dos familiares lhe deixasse sem visitas. Chegando à Elesbão primeiramente visitava a Cova do Doidinho, o Cemitério local e seguia para a casa dos familiares.
         Em Valença, muito cedo, mandou construir seu jazigo localizado bem no início do  chamado Cemitério novo e em ar de alegria dizia “....aqui será minha eterna morada, quando eu estiver aqui por favor me visite (risos)”.
        Nas viagens que fazia para Canindé, para visitar São Francisco, primeiramente passava por Crato terra berço. Muitas foram as viagens,  que tinha como passageira a lendária Eva Maria da Conceição, mais conhecida por “Preta Mão de Onça”, cujos cuidados ficavam a cargo de sua esposa Nicinha, (....)
       - E como tudo passa, a idade avança, o tempo se transforma chegando o momento de olhar para trás reviver os bons momentos e às vezes refletir sobre algo que deixou de fazer. É nesse giro de 360° onde o homem descobre a certeza do dever cumprido e nos momentos de reflexão aguarda a hora certa para ocorrer a transcendência, no caso de Raimundo Araujo, aconteceu dia 13 de outubro de 2014 à 7:30 da manhã na sua atual residência localizada na rua 1º de maio em Valença do Piauí.
        Raimundo Araujo se foi, mas as ideias e a prestação de serviço, resultados do hercúleo trabalho que desenvolveu em favor das pessoas estão fincados indelevelmente no solo valenciano e porque não dizer no solo brasileiro!
         Foi o homem, ficou a História, mas a certeza do dever cumprido

Texto: Prof. Antonio Jose Mambenga

           
    




sexta-feira, 3 de março de 2017

FRANCISCO DE ASSIS LIMA, O CONHECIDO "BAXIM DO TAXI"



A vida na sua essência,  é constituída por uma caminhada. Para uns, muito rápida. Para outros,  mais elástica, mas existem aqueles que ela se torna longa . Essa longevidade é que oportuniza a definição da pessoa no mundo que a cerca tornando-se, um ser capaz de  protagonizar sua própria história.
O ano de 1942 transcorria normalmente, a localidade Buriti, atual Ipiranga do Piauí, vivia a  o auge da produção de maniçoba. Muitas famílias prestavam serviços para os comerciantes locais. Enquanto na   Europa, a Segunda Grande Guerra destruía vida e sonhos. Mas no meio de tudo isso, na comunidade Buriti, pertencente ao município de Oeiras-Pi, dava continuidade a vida, tanto que no dia 29 de outubro, nascia uma criança, que na Pia Batismal recebeu o nome de Francisco de Assis. Seus pais, Cesário Joaquim  de Lima e Luiza Josefa da Conceição, sentiram felizes pela chegada do novo membro da família, perfazendo uma prole de 9 filhos.
O tempo passou, o menino Francisco de Assis, foi crescendo e com ele suas utopias. Era muito sapeca, extrovertido, corajoso, conversador, o que fazia a diferença entre os demais membros  da família.
Sua juventude, foi uma comédia, ainda na adolescência aprendeu o ofício de sapateiro, quantos pés calçaram sapatos, sandálias, chinelos confeccionados por suas mãos? Tudo isso, despertou o gosto estético daquilo que produzia, bem como o carisma de comerciante. Primeiro como marreteiro, cuja atividade profissional atualmente é conhecida por comerciante   ambulante, ou mesmo camelô.
 Como credialista,  teve que ultrapassar as fronteiras da localidade onde nasceu, já mais desenvolvida e também emancipada com o nome de Ipiranga do Piauí.
Em  março de 1963, casou-se com Maria Valma, natural da localidade Buriti Cumprido, município de Inhuma-PI
Do enlace matrimonial com Maria Valma, nasceram: Elzenir, Antonio Neto, Elzimar, Elzilene, Francisco de Assis, Elza, João de Deus, Teresinha, Jose Antonio, Maurício, Eliene e Douglas. Uns nasceram em Ipiranga, outros em Valença-PI.
A família, crescia, a responsabilidade para manutenção também, Francisco de Assis, ganhava o mundo trabalhando para o sustento da família numerosa, enquanto Maria Valma, sua esposa, cuidava das prendas domésticas, da educação dos filhos e no veio da máquina diuturnamente desenvolvia a arte de costureira para também ajudar no sustento de casa.
Foi nessas andanças, que Francisco de Assis, escolheu Valença para fixar residência, cuja chegada ocorreu em agosto de 1982. Primeiramente, a família foi instalada no Bairro Cacimbas, na Rua Areolino de Abreu, frente a casa da Aldenora, e ao lado da casa da Bia. Pós um ano, já com uma estabilidade financeira mais definida, comprou uma casa no Bairro Lavanderia, na Rua Adeodato Veloso, onde fixou residência até o dia da sua transcendência.
Em Valença-PI, cidade escolhida por Francisco de Assis, para fixar residência, lhe deu estabilidade financeira para conduzir a família, educar os filhos e mudar de atividade profissional, comprando um fusca de cor vermelha, transformando-o em taxi, cuja atividade profissional lhe deu um novo codinome, “Baxim do taxi”, símbolo de coragem,  trabalho e honestidade.
No início, adotou como  “ponto de referencia” para prestação de serviço como taxista,  a lateral da Igreja Matriz Nossa Senhora do Ó, ao lado da Rua Epaminondas Nogueira, depois subiu para o Terminal Rodoviário, e por último frente o Hospital Regional Eustáquio Portela.
Em todos os locais, conquistou a simpatia das pessoas pela prestação de serviço e a cordialidade como tratava os clientes. Muitas vezes naquelas situações extremas, prestava serviço de forma cordial, momento em que agradecia a Deus pelas benesses recebidas.
Baxim, como era carinhosamente tratado por sua esposa Maria Valma, ou mesmo Baxim do Taxi, como era tratado pelo povo valenciano.
 Foi o “pequeno notável”. Sua estrutura física, não foi empecilho praticar grande prestação de serviço à comunidade. Onde ele estava não tinha tristeza.
Em casa, no convívio familiar, era o pai bondoso, comunicativo, mas cheio de ordens, mas de uma sensibilidade extrema. Gostava de música, de festas, inclusive tocava violão e sanfona. Era comum nos bailes onde chegava, tocar duas músicas. Apenas duas, mas  de sua autoria. Outro dom artístico era o de criar versos de improvisos. No cotidiano, era comum saudar as pessoas com versos de improviso aludindo a situação do momento. Podemos destacar, quando da visita de Dona Maria Prestes, à Cruz dos Revoltosos, localizada nas imediações de sua residência quando de sua passagem por Valença em abril de 2014. “Baixim", fez uma saudação a Dona Maria Prestes, agradecendo sua visita ao local histórico em nossa cidade.
 Nas  emissoras de rádio, era comum sua participação nos programas, tanto ao vivo como por telefone. Em todos levava uma palavra amiga e cultural aos ouvintes. Porque Baxim, era símbolo de alegria.
 Nos comícios políticos, era comum sua participação, conforme o segmento que estava defendendo, mas entendia também que  a ideologia do partido contrário era também uma ideologia, uma vez que era amigo e gostava de respeitar todos.
 Como religioso, tinha suas devoções individuais e coletivas E por ser um homem temente a Deus, respeitava as limitações dos outros bem como seus cultos religiosos, baseado em João 14:6  “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.  
Mas como ciclo da vida tem início meio e fim, com “Baxim”, não foi diferente. Ele nasceu! Ele viveu! Mas chegou um momento em que o homem matéria, apresentou  sinais que precisava parar. Parar para pensar! Para cuidar da saúde! Ele seguiu todo procedimento. E de  forma incansável encarou a vida. Em momento algum deixou de ser aquele homem  de fé e de coragem. Mas o próprio ciclo da vida lhe dava sinais. Sendo que dia 25 de fevereiro às 7:30 da manhã, ocorreu sua transcendência, deixando a família, parentes e amigos. Mas como disse Hermann Hesse: Para cada chamado da vida, o coração deve estar pronto pra a despedida e para novo começo. Foi o homem, ficou sua História e a certeza do dever cumprido! “Que as experiências vividas e compartilhadas por ele no percurso de sua vida, sejam alavancas para alcançarmos a alegria de chegar ao destino projetado.

TEXTO: Prof. Antonio Jose Mambenga

                                    
                                  Valença do Piauí, 03 de março de 2017




domingo, 29 de janeiro de 2017

PADRE MARQUES - OFICIAL II.png HISTORIA DE VIDA – Pe. Marques – Valença do Piauí  - PI

        Raimundo  Nonato de Oliveira Marques, nasceu na cidade de Barra de Marataoã, estado do Piauí, no dia 13 de fevereiro de 1916. Filho de Olímpio Marques e de Maria Ester.
        Teve uma infância adequada a seu tempo. Muito cedo ficou órfão de pai, sendo sua vida dirigida por sua mãe Ester.
        Estudou em escola domiciliar, bem como em escola pública e particular.
        Suas lembranças de infância, não foram  das melhores, mas não tão diferente das demais crianças de época. Sua primeira professora, foi Dona Alice Gabriel, de quem tem boas recordações dos ensinamentos e da didática aplicada em sala de aula e das lições de vida aprendidas, da tabuada e da palmatória utilizada quando necessária.
        Muitas recordações, não lhe fugiram da memória, os ensinamentos dos grandes professores, Dona Maria do Livramento e  do Sr. Benedito Moura Santos, no primário e ginásio respectivamente.
       Em 1934, entrou no Seminário em Teresina, estudando primeiramente no Colégio Diocesano. De lá rumou para Fortaleza (CE) para prestar serviço militar obrigatório na Escola de Bombeiros. Lá descobriu que sua vocação mesmo era a religiosa. Daí, uma dedicação mais afinada na Teologia, como também no conhecimento de outros idiomas, como Latim, francês e grego, além de música e outras disciplinas afins do curriculum de época.
          Em 8 de dezembro de 1940, na Igreja de Nossa Senhora das Dores em Teresina sob as bênçãos de Deus e das mãos de Dom Severino Vieira de Melo, recebeu os dons clericais.
           Pe. Raimundo Nonato de Oliveira Marques, iniciou seus trabalhos sacerdotais com a celebração de primeira missa na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, na cidade de União, no dia 15 de dezembro de 1940, mas foi Picos quem lhe ofereceu a primeira paróquia e dela fazia parte Jaicós e Paulistana. Em seguida foi para Regeneração e de lá veio para Berlengas, atual Valença do Piauí. A princípio, como vigário cooperador do Pe. Jose Gomes da Silva e posteriormente seu substituto a partir de 10 de março de 1946.
            Chegando em Valença, encontrou uma cidade bastante limitada em todos os sentidos, uma vez que era bem aguçado o sistema do coronelismo, tão típico no Brasil afora e bem cristalizado aqui no Nordeste. Todavia, a fragilidade maior era no sistema educacional uma vez que só existia o conhecido curso primário no Grupo Escolar Cônego Acylino e de forma bem tímida escolas particulares que obedeciam o mesmo ciclo.
            Como homem de visão acutíssima e deliberada preocupação com a educação escolar, Pe. Marque, por intermédio do Pe. Jose de Jesus Moura Madeira de Araujo Costa, conseguiu trazer seu irmão Antonio de Jesus Maria Madeira de Araujo Costa, para Valença e com ele o Instituto Santo Antonio de sua propriedade em Oeiras- PI. Daí, para a criação do Ginásio Santo Antonio bastou a junção de Pe. Marques com o Ten. Antonio Félix de Melo, que era muito amigo do Senador Joaquim Pires Ferreira, por quem foi dada a entrada da documentação pedindo à Ministra da Educação e Saúde, Dona Lúcia Magalhães, o funcionamento do Ginásio, cuja ordem chegou por telegrama no dia 19 de dezembro de 1948.
             Atrelado ao sistema educacional, criou também o Jardim de Infância Mãe do Céu; a Escola  para Alfabetização de adultos, com o nome “Luz para a vida”; a Escola Normal Santo Antonio; e a Escola Técnica de Comércio Santo Antonio.
            Hoje Pe. Marques é reconhecido e aceito unaninamente como mentor intelectual e espiritual e aclamado como o homem detentor da cultura, no qual se realiza a plenitude da Educação e do ofício sacerdote no grande Território do Vale do Sambito, do qual tem Valença como Cidade Mãe.
             Conhecedor de cada palmo do chão da grande Valença( formada hoje por 14 cidades)  percorrendo a cavalo nas suas desobrigas, Pe. Marques trocava experiências e absorvia a cultura de cada município por que passava e difundia sua missão eclesial, consciente de que cumpria a determinação de Cristo citada pelo evangelista Mateus: “Ide e ensinai a todas as criaturas”. Com a palavra, ensinou a ler, a ter fé, a preservar; como exemplo, ensinou a se eternizar com a composição de hinos sacros, com a declamação de poemas dedicados à Virgem Maria; com a coragem, ensinou o desapego aos bens materiais para revertê-los em obras arquitetônicas como  o Colégio Santo Antonio, a Praça do Milênio e a Capelhinha de São Raimundo que o imortalizarão como grande benfeitor do progresso de Valença.

         Em 13 de fevereiro de 2014, concelebrou com Pe. Klebert Viana, a missa em ação de graças por seu 99 anos de existência,no final bem debilitado pelos anos e pela saúde, faz os agradecimentos ao povo de Valença pela acolhida durante todo sua existência e os convidou para o  os 75 anos de sacerdócio em 8 de dezembro de 2015 e centenário em  13 de fevereiro de 2016, (risos dele e da assembléia).
         Hoje  8 de dezembro de 2015, Pe. Marque completa 75 anos de vida sacerdotal. Uma dádiva de Deus, porque se tornou missão evangelizadora em cada canto do Território do Vale do Sambito, daí se acreditar na certeza do dever cumprido. Durante todo este período, Pe Marques “não conseguiu mudar o mundo, mas conseguiu fazer com que  as pessoas que lidaram com ele, tivessem uma visão diferente do mundo”. Mesmo assim é como disse Lucien Febvre, “A História é filha do seu tempo!” . Pe Marques. Evangelizou, educou e trabalhou em prol  desta cidade, contextualizado no seu tempo.

                                                       Parabéns!

                                 Valença do Piauí, 08 de dezembro  de 2015.
                                               Antonio Jose Mambenga
                                          Prof. Esp. Em História do Brasil