segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

GRATIDÃO AO CONHECIMENTO






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A imagem pode conter: 3 pessoas, incluindo Suênia Marla, pessoas sorrindo, pessoas em pé e comidaJá que quinta é dia de #TBT vou relembrar esse dia mágico para pais, filhos, professores, expectadores do Instituto Dom Quixote - Valença do Piauí - PI. Pra ter uma ideia da magia que rondou o evento, imagine crianças felizes, pais orgulhosos, professores realizados, familiares emocionados... ou seja, foi um sucesso só!!
Esse dia foi muito importante para mim, me emocionei ao relembrar o que passei nessa escola, momentos que ficaram na memória e que formaram o alicerce para 
hoje eu ser a pessoa que sou. Minha emoção ao reviver a infância na escola infantil "O Guri", ver minhas professoras, que com muito carinho ainda chamo de "tia", passar aquele filme de todos os momentos felizes que passei naquelas salas de aula, projetos, feiras culturais... 
Imagine como foi ver pais orgulhosos de seus filhos, por estarem com seus próprios livros em mãos!! Sim, isso mesmo... Livros!! Numa sociedade cheia de mídias e tecnologias, o livro foi o destaque principal! 
Ler gera curiosidade, criatividade, incentiva a escrita, amplia o conhecimento, aumenta o vocabulário entre outros benefícios, e ver crianças tão felizes por terem sua própria produção foi encantador!!
Mas minha maior emoção foi quando me perguntaram, Suênia, e quando for a Hellen Sofia? Nossa, meus olhos encheram de lágrimas e disse: eu só vou conseguir chorar de orgulho!! Um orgulho que só quem é mãe/pai/responsável pode entender... Agradeço o convite para prestigiar esse momento único, e parabenizo toda a escola pelo belíssimo evento! Professores, gestão, administrativo, por acreditarem na educação e terem proporcionado uma noite tão linda... tão mágica!!

Texto: Profº Suênia Marla de Gênesis
A imagem pode conter: 3 pessoas, incluindo Suênia Marla, pessoas sorrindo, pessoas em pé e comida



quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Valença do Piauí, 256 anos de História, Cultura e Tradição




  Foto:cidade verde

A cidade de Valença, localizada a 210km de Teresina capital do estado do Piauí, teve origem de uma aldeia dos Índios Aruaques, onde atualmente é a cidade de Aroazes. Em 19 de junho de 1761, Dom José, Rei de Portugal, assinou a Carta Regia, autorizando o Cel. Joao Pereira Caldas, Governador da Capitania de São Jose do Piauí, criar as primeiras vilas, dentre as quais, a de Valença. No momento a Vila seria instalada em Aroazes, por sediar a freguesia de Nossa Senhora da Conceição, mas no ato da instalação, por motivos ignorados a Vila foi sediada no arraial do Catinguinha. O nome Valença, foi em homenagem a terra natal do então Governador da Capitania, Valença em Portugal.
O tempo passou e a Vila de Valença foi se adequando ao progresso. Em 1889, com a Proclamação da República, a 15 de novembro, a Vila foi elevada à categoria de cidade, pelo decreto Número 03 de 30 de dezembro. Em 1943, a Cidade de Valença passou a denominar-se Berlengas, nome este que durou até 1948, quando passou a denominar-se Valença do Piaui.
A medida que o tempo foi passando foi crescendo o acervo cultural dentro do patrimônio material e imaterial.
Em cada rua, em cada esquina, nas praças ou em lugares pitorescos, ficaram as memorias de cada um através do papel que exerceu ou que deixou de exercer em prol do desenvolvimento coletivo. Se por um lado existiram os benfeitores, cuja notoriedade se imortalizaram através de homenagens em prédios, ruas, praças, logradouros públicos, estradas e comunidades. Por outro lado, pessoas anônimas também tiveram seus nomes cristalizados na memória de grande parcela da população e quando lembradas, provocam elogios sinceros e menos reação contrarias de muitos que de imediato provocam risos ou no mínimo um balançar de cabeça, reagindo uma interrogação negativa para tal homenagem. Uma das homenagens que mais provocou alarido nesta cidade, foi quando o Ponto de Cultura, recebeu o nome de Preta Mão de Onça, codinome da valenciana Eva Maria da Conceição, pelo fato da homenagem ter saído do raio dos bem nascidos, cuja quebra de paradigma remoeu as entranhas dos bem vividos. Muitos chegaram dizer que era o pior nome que o ponto poderia receber, mas as reações eram tão pequenas, diante do mito e do papel que a Preta desempenhou na cidade, que deu para despertar aquilo que Torquato Neto expõe num de seus poemas, Anjo Torto, "...Vai desentoar o coro dos contentes...".
O nome ficou, mas era sentido uma reação muito grande por parte daqueles que se sentiam afrontados com a homenagem.
A História de Valença, foi sempre uma luta de classe. Em tempos passados, ocorria no beco da amargura, a tomada do Boi da Bela Flor, organizado pelo Sr. Joaquim Quitéria, pai do Bodim, por rapazes da elite local, moradores na parte central da cidade, entre a rua Antônio Luiz e Rua do Maranhão.
A memória também pontua, a Chica da Dona Eulália, que muitas vezes se transformava em animadora de festa, cujas notas musicais eram tiradas de um pente fino e um pedaço de papel de cigarro. Pitirran, ex-dançarino de reisado, onde desempenhava o papel da cocó de fogo, não podia sair na rua que era escanteado e afrontado por crianças e muitas vezes por adultos, através da expressão "coroa de Pade". Mas como a História tem seu tempo, seu espaço e seus atores, nada mais oportuno para mencionar a importância do Sr. Benedito, que por criar macacos, lhe foi acrescentado o nome dos animais ao seu. Ele era fotografo, mas no sábado de aleluia, se transformava em galo para anunciar que a missa da aleluia estava próxima a começar. Meia noite, ele subia no cruzeiro que existia frente à igreja matriz, abria os braços onde se encontravam fixas uns papelões em formato de asas e cantava como galo 12 vezes, avisando o povo da redondeza que a missa já ia começar, tudo isso porque em Valença no período da Semana Santa o sino não toca e sim a matraca, cujo som não chegava em locais mais distantes por exemplo; as proximidades da rua do Maranhão.



As representações sobre a história de Valença possui um divisor através da educação, nomes como, de Raimundo  Nonato de Oliveira Marques, jamais poderá ser esquecido. Ele que nasceu na cidade de Barra de Marataoã, estado do Piauí, no dia 13 de fevereiro de 1916. Filho de Olímpio Marques e de Maria Ester.
        
            Chegando em Valença, encontrou uma cidade bastante limitada em todos os sentidos, uma vez que era bem aguçado o sistema do coronelismo, tão típico no Brasil afora e bem cristalizado aqui no Nordeste. Todavia, a fragilidade maior era no sistema educacional uma vez que só existia o conhecido curso primário no Grupo Escolar Cônego Acylino e de forma bem tímida. Escolas particulares que existiam também obedeciam ao mesmo ciclo.
Como homem de visão acutíssima e deliberada preocupação com a educação escolar, Pe. Marque, por intermédio do Pe. Jose de Jesus Moura Madeira de Araújo Costa, conseguiu trazer seu irmão Antônio de Jesus Maria Madeira de Araújo Costa, para Valença e com ele o Instituto Santo Antônio de sua propriedade em Oeiras- PI. Daí, para a criação do Ginásio Santo Antônio bastou a junção de Pe. Marques com o Ten. Antônio Félix de Melo, que era muito amigo do Senador Joaquim Pires Ferreira, por quem foi dada a entrada da documentação pedindo à Ministra da Educação e Saúde, Dona Lúcia Magalhães, o funcionamento do Ginásio, cuja ordem chegou por telegrama no dia 19 de dezembro de 1948.
O acervo pertinente ao patrimônio imaterial é enorme, entre lendas e mitos, a cidade se torna um palco, cuja representatividade vão da Baleia da Igreja de São Benedito, Procissão dos Mortos que tem como protagonistas a Alma Penada e Prisilina. Outras lendas também são referencias como: a mulher nua da Mesa de Pedra, a noiva da Santa Rosa, o Bicho Gritador da Izidoria, o Galo do Arco da Igreja do Buritizal, Cavaleiro da Rua Mundico Dantas, dentre outras que mexe com o imaginário de grande parcela do povo Valenciano, mesmo sabendo que patrimônio imaterial é necessário para que a cidade tenha vida.
Na certeza de que, feliz do povo que pode comemorar o aniversário de sua cidade rememorando o cotidianidade do sua gente! Parabéns Valença pelos 256 anos de criação!

Texto: Prof. Antônio José Mambenga

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O QUINTAL DE MINHA CASA


                                                       O QUINTAL DE MINHA CASA

As faveiras de minha casa! Onde também canta o  sabiá e os danados pardais e as pardocas se aninham. No amanhecer escuta-se o palrar dos periquitos e bem próximo do meio dia, bem-ti-vis saciam a sede no balde de água que em esse fim. Rolinhas, “fogo pagou”, sngue de boi, também passeiam neste quintal. No inicio do período de estio um recongo solitário pousava no mais alto galho da faveira bem como, também de forma solitária uma alma de gato pulava de galho e galho.
 È um quintal abençoado,  funciona praticamanente como um corredor de pasagem entre o turblento centro urbano e o sitio Lagoa Seca e suas adjacências como Tanques e Morro Alto. Também passam por este quintal: anuns brancos que minha esposa chama de piguaris, anuns pretos e chibitas, cuja sinfonia suavisa os ouvidos atentos, tanto no amanhecer como no entardecer. Neste quintal, onde a natureza se faz presente, de vez em quando sobrevoam tímidos urubus em busca de alimentação ou mesmo pra tentarem captar tradicionais víceras estendidas numa vara, proveniente da casa da Aldenora do Bairro Cacimbas.
Este é meu quintal, local onde estar sendo construído o meu acervo museologico e um nicho dedicado ao Divino Espirito Santo. Quando estiver pronto aviso para visitação agendada porque os guardiões do espaço: Tigrão e Lessi Francisca, precisam ser avisados. Moro na Rua Edmundo Soares, no Bairro Lavanderia em Valença do Piauí

TEXTO: Prof. Antonio Jose Mambenga
               Especialista em História do Brasil; História Social da Cultura e História e Cultura Afro
               Brasileira

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

12ª PRIMAVERA DOS MUSEUS


A instituição ESPAÇO CULTURAL PROGENIE DE MAE LUIZA CABORE está participando da 12ª PRIMAVERA DOS MUSEUS.Os dados e o(s) evento(s) cadastrados são os seguintes:

RUA EDMUNDO SOARES, 125  - LAVANDERIA
mambenga@bol.com.br Tel:(89) 9998-55283
64300-000
VALENÇA DO PIAUÍ - PI



•17/09/2018 - 09h30 às 10h30
PALESTRA -  Tema: Educação valenciana no contexto piauiense(História do Colégio Santo Antonio)
Local:Colégio Santo Antonio: Auditório Pe. Raimundo de Oliveira Marques
•18/09/2018  - HORARIO - 08h30 às 09:30H
EXPOSIÇÃO - Exposição fotográfica: Tema: Flores campesinas
Local:Academia de Letras da Confederação Valenciana
•18/09/2018 - horário: 08:30 às 11:30h -manhã
PALESTRA - Palestra sobre a História do Grupo Escolar Cônego Acylino, fundado em 1932
Local:Auditorio do Grupo Escolar Cônego Acylino
•18/09/2018  - Horário: 20:00 à 21:00h
VISITA MEDIADA - Visita mediada ao acervo museológico do Espaço Cultural Progênie de Mãe Luiza Caboré - PERIODO: 18/09/2018 A 22/09/2018 - HORÁRIO: 14:30 ÀS 17:00h


domingo, 8 de julho de 2018

HISTÓRIA DAS FESTAS JUNINAS EM VALENÇA DO PIAUÍ


                                             XXX FESTIVAL CULTURAL PIAUÍ – 2018
                                                                  JUBILEU DE PEROLA

As manifestações juninas chegaram ao Brasil através dos colonizadores. Aqui se aclimataram e a medida que o território ia sendo desbravado, os hábitos e costumes atrelados as divindades católicas do mês de junho: Santo Antônio, São João e São Pedro, foram acontecendo e se cristalizando nas povoações recém criadas.
Os habitantes aqui existentes quando da chagada deste povo distante e diferente foram absorvendo de forma lenta, mas gradual a tradição européia.
No início, a única coisa que coincidia era o fogo que já fazia parte dos rituais dos povos ameríndios  existente  por estas plagas
Somente em 1808, com e chegada da família Real Portuguesa no Brasil,  ocorreu a eclosão das danças juninas, tendo por base os ritmos, cadência e coreografia da dança de salão praticadas pela nobreza, sob a influência francesa.
Assim, surgiram, as quadrilhas juninas, e foram se elastecendo chegando aos locais mais distantes do Brasil e se adequando ás realidades locais, principalmente as pecuniárias, porque cada povo tem seu estilo próprio de vida e de ver as coisas.
Em Valença, as manifestações juninas ocorriam anualmente como festa da fertilidade, em sinal de agradecimento as divindades pela boa colheita, cuja simbologia se resumia numa fogueira em frente a casa, uma árvore fincada no chão e em frente da fogueira, ou mesmo num mastro numa peça de madeira colhida entre as mais altas da redondeza
A fogueira, era acesa, ao anoitecer pelo patriarca da família, na noite do dia 23 de junho. No momento que a  família se reunia em frente da casa para referenciar o Santo de devoção em sinal de agradecimentos, momento também que convidavam os vizinhos próximos, parente e amigos.
 As crianças, brincavam de roda, as meninas, enquanto os meninos, de outras brincadeiras, como cavalo de talo de carnaúba, ou mesmo outras brincadeiras típicas da época.
Quando o braseiro começava, era hora de assar carne, ou mesmo assar abóbora, batata, macaxeira, peixe, sob o vapor da brasa ou do borralho.
Os jovens, aproveitavam o momento para fazer as simpatias, tais como, olhar o reflexo sob a bacia com água, esta muitos tenham medo, porque, caso não visse o rosto no reflexo da água da bacia, não completava o ano sem fazer e transcendência. Colocar a cera da vela branca para formar as letras do futuro cônjuge, colocar brasa da fogueira para saber se quando casasse ,ficaria viúvo para os rapazes e viúva para moças, Eram duas brasas cada uma tinha o nome e sexo, caso uma afundassem, a preocupação era tamanha, as vezes estas práticas de simpatia até causavam retardamento no casamento. Outras práticas era o do compadrio, crianças  jovens e adultos, pegavam um “tição” da fogueira e ali passavam fogo com temas dos mais simples aos mais exóticos e complicados. O mais importante era o compromisso firmado e a forma como eram cumpridos.
Estas e outras práticas eram utilizadas em Valença do Piauí. Embora dependendo da situação financeira de cada família, contratavam sanfoneiros para animar a fogueira, ou mesmo violeiros para as famosas cantorias, muitas vezes a família ficava até altas horas dependendo da animação. As famílias mais carentes , utilizam latas para produzir o som daí ter surgindo a famosa expressão Bate Lata 
Em 1958, ocorreu na Rua do Maranhão a primeira apresentação de uma quadrilha junina em Valença, com passos marcados e coreografados, por ocasião de um festejo de São Benedito.
Para ensaiar os passos coreografados veio um senhor da cidade de Picos - Piauí, o sanfoneiro, foi o Sr. Jose Filho, vindo da Lagoa do Sitio, neste período, pertencente ao município de Valença.
Os noivos foram Eutasio e Etevalda Oliveira. Os dançarinos: Mestrim e Teresinha, Jesus do Miné, Maria Joana, Mestre Dezinho, Nazareth e  Monteiro, e tantos outros jovens da cidade. A quadrilha junina coreografada foi o divisor entre as manifestações culturais de época e o novo modelo advindo de outras regiões.
A apresentação foi à grande novidade na cidade o que levou apartir do ano seguinte ocorrer novas apresentações e novos dançarinos ingressarem na nova dança junina da cidade. Com isso vários grupos foram se formando e a cidade pegando gosto pela dança da Quadrilha Junina, com isso o mês de junho em Valença tornou um outro aspecto sócio histórico e cultural com as quadrilhas juninas.
As escolas, também realizavam suas quadrilhas juninas, principalmente o Cônego Acelino sob a organização da Professora Maria dos Prazeres, pós os meados da década de 1960 o grupo junino saia em passeata,   pelas ruas da cidade .As crianças montadas em jumentos e outras caminhando, cujo trajeto era do Cônego até o Loreto, onde ocorria a festa, cujo culminância era a apresentação da quadrilha junina, com coreografias simples e passos também voltado para o tradicionalismo.
Por volta de 1984, a cidade já contava com vários grupos de quadrilha juninas individualizadas e sem um nome que os identificassem o grupo era conhecido pelo o nome dos organizadores da festa . Observando isso o Profª. Naildes Lima Verde, convidou o Prof. José Dantas, para organizarem um Festival de Quadrilhas Juninas, para escolherem os melhores grupos da cidade.
O local foi a quadra do  Colégio Santo Antônio. Nos anos seguintes novos grupos se formavam objetivando participar do Festival.
Em 1989, foi organizado o Primeiro Festival de Quadrilhas Juninas de Valença do Piauí, pela Prefeitura Municipal. Neste período o gestor era o Dr. Francisco de Assis Alcântara e a Secretaria de Educação e Cultura e Professora Ineide Lima Verde.
A Profª. Ineide Lima Verde, teve a iniciativa de organizar o Festival, num local mais amplo para atender o público que gostava de ver e dançar quadrilha junina.
O espaço escolhido, foi a Praça do Xerém, no centro da cidade. Para homenagear o local, a Profª. Ineide Lima Verde, codinominou o espaço como “Arraial do Gorgulho”, porque lá aos sábados ocorria a feira livre e o feijão era o produto mais encontrado e também  por ser o pratico típico de grande parcela das famílias valencianas . Com ou sem farinha, arroz, ou milho, o feijão faz parte do cardápio do povo valenciano, mais se não for cuidado com zelo, ele cria gorgulho, daí o nome do Festival, uma homenagem ao gorgulho inseto que dá no feijão quando não é bem cuidado.
Para organizar o primeiro Festival de Quadrilhas Juninas a Prof.ª. Ineide, Convidou para lhe assessorar, a Prof.ª. Nereide Fernandes e o Prof. Antônio José Mambenga. E no dia 28 de junho de 1989, ás 20h00min foi iniciada a festa com um grande público presente. Participaram os grupos: Quadrilha Joaquim Manoel, Quadrilha Bela Flor, Quadrilha Maravilha, Quadrilha Matutos da Noite, Quadrilha Renascer e do Zona Rural: Quadrilha do Fumal, Quadrilha da Isidória. A campeã foi a Quadrilha Bela Flor.
Nos primeiros anos era apenas no sábado, foi ampliado para sexta e sábado, depois para sexta, sábado e domingo e no período áureo acontecia a partir da quinta feira até o domingo. De 1989 ao ano 2000funcionou na praça do Xérem . Em 2001 foi transferido para praça do     Getulio Vargas, onde o nome Gorgulho foi substituído por alegria. Em 2005, o no festival voltou ser Gorgulho em 2007. Retornar para Praça do xerem. Em 2008, o festival  subiu para praça do Novo Horizonte em 2013 para o Espaço Cultural do CSU. O nome Gorgulho continua pela subjetividade e a forma de homenagear em espaço da feira livre onde a cultura popular se mantêm viva através das vivencias do cotidiano. As quadrilhas Juninas em Valença, se mantém, através da força de vontade dos grupos organizados, da Prefeitura Municipal, que oferece toda infra-estrutura para o evento, através de contratação de bandas, palco, som, iluminação, limpeza do espaço, decoração, premiações, banheiros químicos, para que o evento continue sendo uma grande referência na região do território do Vale do Sambito.
Neste ano de 2018, o Festival  completou 30 anos de existência, ocasião que foi comemorado o seu Jubileu de Perola. Para marcar o natalício, vários grupos de Quadrilhas Juninas se apresentaram, tanto da cidade como grupos visitantes vindos de outras cidades, bem como apresentações culturais de danças folclóricas e para folclóricas. Completar 30 anos de existência um Festival Cultural de Quadrilha  Juninas, é poder dizer que "a cultura não é um substituto para vida e sim a chave para própria vida." porque não foi fácil, chegar a trigésimo ano de apresentação, mas as dificuldades os erros, os acertos serviram de base para entender que o povo é sim o grande protagonista da sua própria cultura e o Festival funcionado como elo entre o querer e o fazer de nossa gente na certeza que as Festas Juninas de Valença do Piauí, são referências em todo região central do Piauí.
                                                          Valença do Piauí, 25/06/2018
                                                         Prof. Antônio José Mambenga
Especialista(lato Sensu) em História do Brasil e História Social da Cultura


quarta-feira, 27 de junho de 2018

AS MANIFESTAÇÕES DE UMBANDA EM VALENÇA-PI


                                                     ... TUDO, POR UMA QUESTÃO DE FÉ



Cada povo possui uma maneira diferente de entender as divindades religiosas, daí existir um pluralismo de manifestações que encadeiam o intuitivo de cada um. A cidade de Valença do Piauí,  teve sua origem de aldeia de índios aruaques, localizada na serra da missão na atual cidade de Aroazes-Piauí.
No início, este povo chamado primitivos. pelos primeiros colonizadores que por aqui passaram, tinham suas manifestações religiosas atreladas a natureza e o ciclo do conhecimento de época.
Com a chegada dos primeiros desbravadores, por volta do final da primeira metade do século XVII, trouxeram a religião cristã, através do catolicismo e foram conquistando espaço, pois além de desbravarem a região, o colonizador também repassava mensagem de fé.
Salvar almas era o grande objetivo cristão, mesmo na maioria das vezes os financiadores da fé estivessem mais distantes de Deus, que os próprios habitantes da terra ora conquistada.
Por volta de 1762, quando da instalação da vila de Valença-Pi, a 20 de setembro, existiam africanos vivendo como escravos,   e pessoas livres. Convém mencionar que estes africanos e/ou remanescentes, tinham e conservaram sua religião de origem, embora de forma clandestina. Neste caso as manifestações religiosas de matriz africanas já existiam  por estas plagas desde este período histórico, cujo repassar a seus descendentes, as rezas e rituais não era coisa fácil, pela repressão as práticas de culto e a forma exótica como eram trabalhadas.
Neste caso, é preciso entender, que, foi no silencio da noite, sob o zumbido das muriçocas e o estalar da lenha  da fogueira que os pretos e pretas velhas mantiveram sua tradição e conseguiram repassar suas crendices e rituais religiosos trazidos e adquiridos no decorrer do tempo por seus ancestrais.
O tempo passou, a cautela para tanto era necessária, e aos poucos foi ocorrendo o sincretismo cuja metamorfose ritualista na maioria das vezes bifurcava entre os que praticavam o bem e os que faziam o mal, cuja orientação pela sociedade branca e detentora do poder financeiro, era altamente seletista, levando em conta os traços físicos e faciais. Geralmente se o rezador, “cientista popular” ou mesmo o feiticeiro, era pessoa advinda de classe subalterna, possuidor de pouca escolaridade e comportamento estranho diante de certas situações sociais, culturais ou mesmo religiosas, cheio de superstições, crendices, agouros, cujo repertório de malefícios intimidava as pessoas que passavam a tê-lo como amigo. Os poucos que arriscavam. era mais por temor, que por considerações recíprocas.
Assim, foi se formando as religiões de matrizes africanas no território valenciano, nomes como Cinobelino Soares da Silva, Antonio Fernandes, Chico Feitosa, Manoel da Vaca e tantos outros, se firmaram e tornaram-se referências na prática do bem. Enquanto, João Luzia, morador na comunidade Ovelha Morta, localizada as margens da estrada rumo para o povoado João Pires, era visto como o catimbozeiro mais temido da região.
As  as pessoas se apavoravam quando se deparavam com ela nas ruas da cidade, ou mesmo nos trajetos que trafegavam pela estrada do João Pires, ao passar por sua residência, faziam o sinal da cruz, cruzavam os dedos, não olhavam para traz com receio de serem atingidas pelas práticas do mal, evocadas por ele.
No frontal de sua casa, existiam vários bonecos de barro sob um peitoril, isso provocava um medo terrível nas pessoas, segundo informações de moradores próximos, Dona Benedita, esposa de Cinobelino, quando vinha para Valença, montada em seu cavalo, trazia consigo uma cabaça com água pura da fonte para ser despejada em frente à casa de João Luzia, com o objetivo de quebrar as forças malignas se por acaso ele quisesse fazer o mal a ela e/ou a seu esposo Cinobelino.
Com o surgimento dos salões de Umbanda entre as décadas de 1950-1970, o som do tambor, tornou-se uma referência na cidade, uns pelo diferente, outros pela curiosidade, mas no Cômputo geral, chegava a atrair pessoas para frequentar e adeptos para desenvolver suas entidades.
Nas sextas-feiras, quando o tambor rufava, logo se formavam um grupo para ir ao terecô. Lá, uns iam para observar, outros para se escandalizar e muitos para falar mal. Outras pessoas temiam ir porque tinham medo de receber “entidade” e ter que desenvolver os “passes”.
Nos meados da década de 1970, na rua Cicero Portela, nas imediações do cruzamento com a PI 120 que vai para cidade de Pimenteiras-Pi, uma Senhora por nome Gorete, esposa de um Senhor por nome Paixão, ambos da classe popular, tornou-se o nome mais comentado na cidade, porque recebia o espírito de uma criança, diariamente no turno da tarde. Para lá convergia um número bastante acentuado de pessoas para ver o ocorrido, dentre os olheiros, muitos estudantes até mesmo do Ginásio Santo Antônio, compareciam para ver e conversar com a divindade sobrenatural. Tudo isso ocorria num momento quando os salões ainda não funcionavam e as mães e pais de santo, atendiam em suas residências altas horas da noite, primeiro pela clandestinidade, segundo porque o cliente não queria ser visto pela população.
Assim, foi sendo construindo a ideia da criação e manutenção dos salões de umbanda em Valença do Piauí, de forma lenta, mas gradual, até encontrarem pessoas que pudessem se firmarem como adeptos, embora de forma muito resumida, porque se sobrecarregavam de preconceito, pela forma  exótica como tudo ocorria. Atualmente ainda  é um numero muito pequeno de seguidores ou melhor que se apresentam de forma oficial, mas a clandestinidade, é bem aguçada. Os que assim se comportaqm, admitem que a Umbanda para eles tem sua importância. Este  número pequeno de seguidores na ativa é ocasionado, pela escassez de informações sobre o tema, daí,  clandestinamente o número ser bem maior e crescente,  pois quando se trata de sobrenatural as pessoas temem e acreditam no poder da transformação, na maioria das vezes vendo a Umbanda como um mal necessário para suas vidas.
                                       Antônio José Mambenga
                            Valença do Piauí, 15 de junho 2018.