quarta-feira, 1 de julho de 2020

GRUPO CULTURAL JUNINO SANFONA DE OURO

Grupo Junino Sanfona de Ouro
Foto: www.portal v1.com.br


HISTÓRIA DO GRUPO JUNINO SANFONA DE OURO
                                                          VALENÇA DO PIAUÍ
As festas juninas chegaram ao Brasil no período colonial,  de forma tímida e adequadas ao meio social e cultural que estavam expostos. Com o tempo e a sedentarização foram pegando novos aspectos e o ritual isolado da fogueira e a devoção aos santos do mês de junho, Santo Antonio, São João e São Pedro, foram caindo no gosto popular, cuja forma crescente deu lugar a manutenção da tradição lusa e a criação de uma tradição na Terra Brasilis. 
Em 1808 com a chegada da Família Portuguesa, ocorreu a introdução da dança junina chamada quadrilha, com passos marcados e coreografia adaptada da dança de salão da nobreza francesa.
O Rio de Janeiro tornou-se o epicentro cultural e de lá a dança se espalhou para demais capitanias, mas foi no norte que ganharam proporções maiores e adaptações ao gosto e poder pecuniário das pessoas.
No Piauí, não foi diferente. Em Valença de igual forma, cuja manifestações tornaram-se  coletivas a partir do final da década de 1958, quando ocorreu a primeira apresentação da dança de quadrilha junina na Rua do Maranhão na residência do Sr Benedito Oliveira (Didito), no mês de julho por ocasião de festejo de São Benedito.
Esta apresentação foi o divisor entre as manifestações em família, e a manifestação coletiva.
Com a criação do Festival de Quadrilhas em 1989, ocorreu a proliferação do gosto pela dança junina de quadrilhas com passos coreografados em Valença do Piauí, com a formação de grupos mirins, grupos de jovens e adolescentes e grupo de melhor idade.
O Festival de Quadrilhas, anualmente realizado na Praça do Xerem, através do Arraial do Gorgulho, ganhou nome e preferência pelo povo, bem como a criação de novos grupos.
Em 2013, dia 13 de agosto, às 15:30hs, na Biblioteca Pública Municipal, Mãe Ana, ocorreu uma reunião com jovem e adolescentes de nossa cidade, dissidentes de outros grupos que haviam dado um tempo em suas atividades, para o lançamento do pojeto para criação de um Grupo Junino que atendesse aos anseios de grande parcela da juventude  e aos novos paradigmas que a dança caipira em Valença estava seguindo, também com o intuito de manter viva a tradição e a condução das festas caipiras realizadas no mês de junho na cidade.
A reunião foi conduzida pelos produtores culturais: Luan Santana e Fabio Viterbino. Lançado o projeto, ocorreu aceitação pelos participantes e de imediato foi criado um nome para grupo e aprovado. Nasceu naquele momento o Grupo Cultural Sanfona de Ouro.
Para os organizadores, “a cultura de um povo é grande quando todos são protagonistas”.  Baseado neste contexto e em parceria com o grupo Explosão Junina do Leomar Rodrigues o objetivo do grupo era mediar os anseios dos admiradores da tradição como também atender o gosto estético da contemporaneidade. Foi neste clima entre o passado e o contemporâneo que o Grupo Junino Sanfona de Ouro se projetou para tornar-se vanguarda em nossa cidade uma vez que, foi no “ressoar da sanfona” e em outras ambientações da cultura de raiz que foram emoldurados nossos costumes e tradições, acreditando-se que ninguém é uma ilha, daí o querer coletivo torna-se realidade na tentativa de alavancar cada vez mais a expressão do nosso povo como forma de manifestar as artes, as danças, os contos, os causos, a culinária e as bebidas típicas, como a capacidade que cada um tem de levar aos mais longínquos espaços, o conhecimento da cultura popular e sua pluralidade sócio educativa.
O compromisso de Grupo Sanfona de Ouro, é mediado mais pelo “querer” de que no poder, na certeza de estar contribuindo para o engrandecimento da cultura em Valença e em todo Território do Vale do Sambito, através da chama ardente incrustada no ámago de cada dançarino, seja no gingado ou mesmo nas coreografias mais complexas.
A grande pretensão do grupo Sanfona de Ouro, é externar de forma cultural o querer de um grupo de jovens que permeia cultura acreditando no poder da transformação daquilo que podemos chamar coletivo, porque tudo que vem do povo vem da cultura de raiz porque é no próprio povo que se encontra respaldo para levar adiante o grandioso trabalho do grupo Sanfona de Ouro em Valença do Piauí.
Em 2014, por ocasião do Jubileu de Prata do Festival Cultural de Quadrilhas Juninas de Valença do Piauí, através do Arraiá do Gorgulho, no Espaço Cultural do CSU, sob o anseio do povo de Valença, as 22 horas e 35 minutos o Grupo  Junino Sanfona de Ouro fez sua estreia no Festival municipal. Neste dia o grupo não participou da competição, para o delírio do povo, fez apenas apresentação, por sinal uma perfeição.
Luan Fernandes, sob a graça de Deus e das pessoas de boa vontade conduz o destino deste grupo cultural, porque “lutar é preciso” e a cultura não pode morrer.
  No dia seguinte, já estavam estampados na mídia e rede sociais o mais novo grupo cultural junino de Valença, bem como o trabalho para apresentação no ano seguinte.

Valença do Piauí, 26 de julho de 2020
Texto: Prof. Esp. Antonio Jose Mambenga




quinta-feira, 26 de março de 2020

PROFª ROSA SANTOS MARTINS DE CASTRO

                                                             MENSAGEM

A Diretoria do crovapi, ainda consternada pela passagem da Profª Rosa Santos Martins de Castro para o Plano Superior, apresenta a família enlutada as sinceras condolências.
Dona Rosinha Martins como era conhecida, muito contribuiu com o desenvolvimento de nossa cidade, seja na educação, seja em ações sociais, culturais e religiosas. No que se refere ao Crovapi, foi uma abaluarte, mediando juntos aos órgãos públicos e privados não só de nossa cidade, como a nível de Estado e Brasil, para que o operário valenciano tivesse uma  entidade representativa, tanto que em fevereiro de 1972, seu grande sonho se realizar, com o nome de Clube Recreativo dos Operários de Valença do Piauí e em 1974, intercedeu junto ao Ministro Reis Veloso, a primeira grande reforma e ampliação com alvenaria. Por tudo isso, somos gratos pela forma ativa como pensou e concretizou este grandioso trabalho, juntamente com os outros operários, inclusos como sócios fundadores.
Como diz Eclesiastes, para tudo há um tempo, para cada coisa há um tempo debaixo dos céus: Tempo de nascer, tempo para morrer... O certo que o seu tempo aqui na terra chegou e  seu chamado foi feito pelo Pai Supremo neste 18 de março de 2020.
“Que os sentimentos bons que assinalaram a vida de Dona Rosinha Martins, durante a sua trajetória por entre nós façam fortalecer a terra da nossa alma para que possamos compreender a razão da vida e pra onde vamos. E num gesto de amizade e solidariedade cristã, a Direção do CROVAPI, ao tempo em que tributa a memória da Profª ROSA SANTOS MARTINS DE CASTRO, une-se à sua família, parentes e amigos desejos de que a fé, a esperança e a caridade suprem qualquer sentimento de perda e nos lembrem de que é morrendo que se vive para a vida eterna”.
                                          Valença do Piauí, 18 de março de 2020
                                                ARÃO PEREIRA DA SILVA
                                                          PRESIDENTE

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

FESTA DE MOMO EM VALENÇA DO PIAUI - 2020


CARNAVAL 2020 É EM VALENÇA DO PIAUÍ
A cidade de Valença do Piauí, situada a 210 km da capital Teresina, realizará neste ano de 2020 um dos melhores carnavais do interior do Piauí. Para tanto a Prefeita Municipal Ceiça Dias, tem se empenhado  bastante para  adequar a realidade local ao sistema econômico que o  país atravessa. Tudo isso para  poder proporcionar ao folião valenciano e aos turistas que optarem pela cidade, um período momesco  cheio de alegria e entretenimento se deleitando e vivenciando  os atrativos que a cidade pode oferecer.
A organização do evento ficará a cargo da Secretária Municipal de Cultura e Turismo, Josy Policarpo Martins e sua equipe de trabalho e mediados pelo o Vereador e Produtor Cultural Leilivan Martins.
A cidade já vive o clima carnavalesco, já ocorrerama prévias para o lançamento do tema que será desenvolvido pelos os blocos organizados.  Neste ano o Carnaval de Valença, conta com um numero bastante razoável de blocos. Cerca de 13 blocos  se inscreveram. são eles : Bloco Talvez, Bloco Desmantelo, Os kafagestes, Bloco Ôpa!,  Bloco Chama na Labigás, Bloco do Andinho, Turma da Esquina, Bloquinho do Cangaço Prime, Bloco Turma dos Amigos, Bloco Infantil Turma da Alegria, Bloco Infantil Amigos do Crovapi, e o grupo amigos do Zé da Chica e blocos alternativos que permeiam pela multidão. Cada um realizou suas prévia e participará do corso no sábado, e prometendo muita animação.
O carnaval de Valença do Piauí , tem se destacado dos demais do interior do Piauí, por seguir uma tradição que atende o gosto musical  e estético do  folião da terceira idade, que prefere as marchinha. Enquanto os jovens   optam pelos sons e ritmos contemporâneos  e as crianças, com animação e atrativos infantis. Tudo isso faz a diferença e a participação de cada um conforme sua faixa etária.
O tema deste ano está voltado para um dos codinomes que a cidade já recebeu, daí  a
 Secretária de Cultura e Turismo, Josy Policarpo Martins,  e sua equipe de trabalho  codinominarem de ”Carnaval Sorriso “ a  festa de momo em Valença do Piauí.  
Para o carnaval de Valença do Piauí, atingir este patamar, foi preciso um querer da Gestora Municipal Ceiça Dias, em manter viva a chama cultural da cidade na organização de eventos e manifestações alusivas as tradições populares em sinal de respeito ao querer popular especificamente aqueles que querem ver o  engrandecimento, e manutenção da cultura de raiz .
A Prefeitura Municipa,l através de sua Gestora Ceiça Dias, da Secretaria de Cultura e Turismo Josy Policarpo Martins, contrataram boas Bandas: Felipe Envolvente, Edy Sakana, Fafá Santana, Pura Paixão, Banda Waldo e Felipe, Banda Tome Forró, João Veloso, Banda Requinte, Banda Bill Coimbra, Karlla Thalyta   e  paredão Imaginação.   A segurança do evento será feita pela  Policia Militar, com o apoio da Polícia Civil,  Seguranças particulares e bombeiros civis . Haverá também no Corredor da Folia e Terminal Rodoviário,  viaturas da Policia,  ambulância, com enfermeiro(a), técnico de Enfermagem e motoristas para atendimento de Primeiros Socorro,  uma linda decoração temática, dando ar de brilho e elegância ao folião .
Em Valença do Piauí, o carnaval mexe com o folião,  porque  as opções são múltiplas, e por ser capaz de cristalizar sonhos em realidade. O corso é o momento que a imaginação aflora,   onde a criatividade explode, seja no carro alegórico ou no chão como muitos preferem para ser diferente,
            O epicentro do carnaval ocorre no Terminal Rodoviário, montado com uma boa infra estrutura, palco, som, iluminação, barracas de bebidas, praça de alimentação, segurança, estande  da saúde. Enquanto o Corredor da Folia, se abre para funcionar com o vai e vem dos foliões, se estendendo do cruzamento da Rua Cícero Portela com a Rua Epaminondas Nogueira até a Praça Getúlio Vargas, todo decorado dando assim um aspecto apoteótico ao carnaval de Valença. É neste  Corredor da Folia, onde descem e sobem os paredões do som, conduzindo os blocos,  . Ainda neste Corredor da Folia, o folião  desce até a Praça Getulio Vargas, no Espaço Zé da Chica, onde funciona as marchinhas Carnavalescas, local de encontro dos que optam pelo o carnaval tradicional. O espaço, também muito bem decorado, cuja a animação ficará com a Banda Os Magnos. Lá é comum  as pessoas usarem suas fantasias temáticas e realizarem um concurso para escolherem as mais bonitas e originais.
            O Carnaval de Valença se estende aos bares e lanchonetes da cidade, com destaque especial para o Bloco Infantil Turma da Alegria do Vereador e Produtor Cultural Vereador Leilivan Martins, que anima a tarde da segunda feira e o bloco Infantil Unidos do Crovapi que desce na terça feira a tarde.
Assim é realizado o carnaval em Valença, som, atrativos e coberturas especificas pelos portais locais e regionais, Mídia televisiva, emissora de rádios, rede sociais e o  NW-DRONE.
O carnaval de Valença, faz a diferença dos demais, porque se estende ate a Barragem Mesa de Pedra, Ponte do Rio Sambito, Cachoeiras da Fazenda Velha. Onde o folião se deleita com os atrativos turísticos, destes locais aconchegantes e de rara beleza. Enquanto uns se divertem nos no Terminal Rodovário, Praça Getúlio Vargas, Crovapi, bares, Lanchonetes e similares, outros optam por festivais religiosos contritos em orações e louvores, no caso do Festival do Senhor, organizados pelos cristãos católicos. Outros  credos religiosos cristão de nossa cidade tambem neste período realizam seus retiros espirituais com orações e louvores, em sítios e chácaras da zona rural onde se deleitam com a natureza bela.
Tudo isso ufana o povo valenciano pelas opções que existem no período momesco em nossa cidade.
            O Carnaval sorriso do Piauí , é em Valença , vem brincar com agente!
TEXTO: Prof. Antonio Jose Mambenga
Valença do Piauí, 15 de fevereiro de 2020

PROGRAMAÇÃO:


PROGRAMAÇÃO-CARNAVAL SORRISO 2020 - VALENÇA PI
Dia 08/02/2020
•             1º Prévia do Corso 2020.

  23h00—Prêmio para melhor fantasia. Casa de Shows Alto Bonito ao som de banda Vanvan o Furacao, Tendência do Forró e Paredões: Imaginação e Deboxado. Organização: Bertolina Dantas.

Dia 14/02/2020
•             Festa de Lançamento dos Principais Blocos de Valença.

  23h00- Blocos: OS KAFAGESTES, OZ LEC`S E ÔPA – Casa de Shows Alto Bonito ao som de banda Requinte, Paredões e DJ`s. Organização: Agleidson, Tacím e Hernandes.

Dia 20/02/2020
•             Carnaval da Saúde- Programas CAPS I, NASF e Academia de Saúde.
16h00- Baile Carnavalesco no Espaço Zé da Chica - Praça Getúlio Vargas ao som da banda Banana com Limão. Organização: Secretaria Municipal de Saúde.
Dia 21/02/2020
•             IEDQ- INSTITUTO DE ENSINO DOM QUIXOTE
16h30 – Desfilando pelas principais ruas de Valença com término na Praça Getúlio Vargas, espaço Zé da Chica. Organização: Equipe Gestora- IEDQ
•             III  FORRÓ PRÉ CARNAVAL
22h00 – No Bar do Bonitão – Bairro Novo Horizonte, ao som de: Tendência do Forró e Buteco dos Teclados. Organização: Raimundo Barbosa e Buteco.
•             Tradicional Baile do Hawaí – 23ª Edição. Tema: Sextas Intenções.
23h00- Com o desfile do Garoto e da Garota dos Blocos de Valença. Local: Crovapi Clube, com Gleyce Mendes e banda Tome Forró. Organização: Railsom Lima
•             Clube de Rua Bar do Nelsim.
17h00-24h00 - Concentração e movimentação dos foliões carnavalescos ao som de paredões. Organização: Nelson Bebidas


Dia 22/02/2020
•             Corso da Alegria.
17h00- Concentração na Praça de Eventos Gutenberg Maciel descendo pelas principais ruas da cidade com término na Praça Getúlio Vargas (Espaço Zé da Chica) e premiação para os participantes e vencedores.
•             Clube de Rua Bar do Nelsin.
20h00-23h45 - Concentração e movimentação dos foliões carnavalescos ao som de paredões. Organização: Nelson Bebidas.
•             Foliões do Espaço Zé da Chica.
20h00 – 02h00 –Carnaval das Marchinhas- Animação da Banda OS MAGNOS. Praça Getúlio Vargas- Organização: Foliões do Espaço Zé da Chica.
•             Terminal Rodoviário- BAILE.
23h00 - 24h00 – Felipe Envolvente
24h00 - 01h45– Edy Sakana
02h00 – 04h00 – Fafá Santana
04h15 – 06h00 - Pura Paixão
OBS: Paredão Imaginação durante a troca de bandas.
Dia 23/02/2020
                • Balneário Mesa de Pedra.
10h00 – Banho para os foliões e convidados ao som de Paredões.
•             Festival do Senhor- “Não vos conformeis com este Mundo”.
13h30 – Auditório do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Realização: Paróquias de São Francisco e Nossa Senhora do Ò e Conceição. Organização: Renovação Carismática Católica de Valença.
•             Tardezinha da Xiola de Carnaval
15h00 – No Posto Lava Show ao som da Banda Chica Égua. Organização: Carlos Federal.
•             Carnaval dos Kapteriores 2020
Das 14h00 às 21h00 - Concentração e movimentação dos foliões carnavalescos do Bloco os Kapteriores no Bar da Onda ao som das bandas: Os Magrinhos Elétrico, Kapteriores Elétrico, Tendência do Forró Elétrico. Organização: Grupo Os Kapteriores.

•             Clube de Rua Bar do Nelsim.
 17h00-23h45 - Concentração e movimentação dos foliões carnavalescos ao som de paredões. Organização: Nelson Bebidas.
•             Bloquinho do Cangaço Prime.
17h00-22h00 - Concentração e movimentação dos foliões carnavalescos do Bloco Cangaço Prime ao som da Banda Os Manos. Apresentação do Rei e Rainha do Carnaval de Teresina Organização: Jobsom e Ruth
•             1º Carna Fest Roça
13h00- Espaço Tô na Roça ao som do DJ THIAGO, Paredão PH e banda VANVAN O FURACÃO. Organização: Luan Fernandes. 
•             Foliões do Espaço Zé da Chica.
21h00 – 02h00 –Carnaval das Marchinhas- Animação da Banda OS MAGNOS. Praça Getúlio Vargas- Organização: Foliões do Espaço Zé da Chica.
•             Terminal Rodoviário – BAILE.
23h30 – 01h45 –Banda Requinte
02h00 – 04h00 – Bill Coimbra
04h20– 06h00- Karlla Thalyta
OBS: Paredão Imaginação durante a troca de bandas.
Dia 24/04/2020
•             Festival do Senhor- “Não vos conformeis com este Mundo”.
13h30 – Auditório do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Realização: Paróquias de São Francisco e Nossa Senhora do Ò e Conceição. Organização: Renovação Carismática Católica de Valença.
•             Concentração e Desfile do Bloco Infantil “Turma da Alegria”.
15h00 – No Crovapi Clube, Som da banda Swing Dr Pop e descida pelas principais ruas da cidade ao som do Paredão Imaginação e com animação dos bonecos da Turma da Alegria passando pelo espaço Zé da Chica, retornando ao terminal Rodoviário.
•             Clube de Rua Bar do Nelsim.
 17h00-23h45 - Concentração e movimentação dos foliões carnavalescos ao som de paredões. Organização: Nelson Bebidas.

•                 Mela Mela
15h00-19h00 – No Posto Lava Show. Concentração e movimentação dos foliões carnavalescos ao som de Kaio Stronda. Organização: Thiago Martins.
•             Bloco do Andinho.
16h00-21h00 – No Estacionamento do Hotel Shimamoto. Concentração e movimentação dos foliões carnavalescos, Bloco do Andinho ao som da Banda Swingueto. Organização: Andersom.
•             Foliões do Espaço Zé da Chica.
21h00 – 02h00 –Carnaval das Marchinhas- Animação da Banda OS MAGNOS. Praça Getúlio Vargas- Organização: Foliões do Espaço Zé da Chica.
•             Terminal Rodoviário – BAILE.
23h30 – 01h45 – Waldo e Felipe
02h00 – 03h45 - Tome Forró
04h00– 06h00 – João Veloso     
OBS: Paredão Imaginação durante a troca de bandas
Dia 25/02/2020
•             Balneário Mesa de Pedra.
10h00 – Banho para os foliões e convidados ao som de Paredões.
•             Festival do Senhor- “Não vos conformeis com este Mundo”.
13h30 – Auditório do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Realização: Paróquias de São Francisco e Nossa Senhora do Ò e Conceição. Organização: Renovação Carismática Católica de Valença.
•             Desfile da Escola de Samba Unidos do Crovapi Clube.
14h00 – Concentração no Crovapi Clube ao som de paredões e descida pelas principais ruas da cidade com os integrantes da Escola de Samba Unidos do Crovapi Clube. Organização: Diretoria do Crovapi Clube.
•             Clube de Rua Bar do Nelsim.
 17h00-23h45 - Concentração e movimentação dos foliões carnavalescos ao som de paredões. Organização: Nelson Bebidas.


•             Foliões do Espaço Zé da Chica.
21h00 – 02h00 –Carnaval das Marchinhas- Animação da Banda OS MAGNOS. Praça Getúlio Vargas- Organização: Foliões do Espaço Zé da Chica.
•             Terminal Rodoviário- BAILE.
23h30 - 01h30 –Swing Dr. Pop
01h45 - 03h45– Banda PILERA
04h00 – 06h00 – Swing D’Play
OBS: Paredão Imaginação durante a troca de bandas.

Realização: Prefeitura Municipal de Valença do Piauí.
Organização: Secretaria Municipal de Cultura e demais Secretarias.
















domingo, 5 de janeiro de 2020

MANIFESTAÇÃO CULTURAL: FESTA DE REIS EM VALENÇA DO PIAUÍ


                         REISADO DE DONA BIA NO BAIRRO VALENTIM
O reisado de caretas é uma brincadeira presente em todo o território piauiense, sendo mais freqüentes nos bairros das cidades, mas é na zona rural é onde encontramos as maiores manifestações. O Reisado tem sua origem ligada ao ciclo natalino, fazendo alusão a visita do Reis Magos ao Menino Jesus quando lhe ofereceram os presentes: ouro, incenso e mira. Os Reis Magos ficaram tão  maravilhados com o contexto em que o Filho de Deus nasceu que  passaram a louvar a Deus. Para tanto, tiveram a ideia de se despojarem de suas vestes de luxo e voltaram usando máscaras e trapos, numa forma de louvor a Deus e  a partir daquele momento     saíram cantando e brincando num gesto de agradecimento e louvação.     A  base  Histórica do Reisado,  está atrelada às antigas Festas de Entrudos na Região Ibérica. No Brasil essas festas se fundiram a diversas influências indígenas e negras variando suas formas de manifestação cultural de região para região, tornando-se  singular na maioria das vezes pela forma como se apresenta e pela condição pecuniária de seus organizadores. Cada reisado, tem suas formas de expressão. No Piauí, não foi diferente, chegou no período da expansão do ciclo do gado e aqui se aclimatou através das manifestações dos colonos,   desenvolvendo-se   conforme seu imaginário e praticas culturais de época.

Em Valença, por está inclusa entre as seis primeiras vilas da Capitania do Piauí, foi também palco das manifestações do Reisado, principalmente por realizar o festejo do Natal do Senhor e a Festa da Padroeira Nossa Senhora do Ó num período dentro do ciclo natalino, daí as manifestações do Reisado serem bastante presentes na sua cultura de origem.

Notícias pontuam, a existência de grupos de Reisado há tempos bem remotos, mas a falta de documento escritos, dificultam informações mais precisas. Para tanto, recorremos à técnica da história memória para apresentar informações que ainda povoavam a memória das pessoas mais idosas sobre as manifestações do Reisado em nossa cidade.

No Bairro Bela Flor, existiu por muito tempo o grupo do Joaquim Quitéria, cujos trabalhos foram continuado por seu filho Geraldo, mais conhecido como Bodim. Na comunidade Tranqueira, e João Pires, também existia a dança do Boi no período natalino. Em Valença, por volta dos anos 1960  do século XX, quando da chegada de Dona Pedrosa, proveniente da Região do Brejo Grande, município de São Miguel do Tapuio, o Reisado pegou uma conotação diferente, porque dona Pedrosa, percorria praticamente toda cidade de Valença com seu Reisado. Foi através de Dona Pedrosa que no início da década de 1970 que me deparei pela primeira vez com a dança do Boi, no Bairro Lavanderia, quando ela levou o Boi boi para casa do seu conterrâneo, Sr. Israel Luciano da Silva e sua esposa Maria do Espírito Santo. Neste período, Os Cânticos de Louvação e entrada era entoado por Dona Cicera Costa, Adelaide, Altina e Cecília. Os caretas, eram os Sr. Pedro Santiago e Nestor filho de Pedrosa, Domingo Israel e outro que não me recordo o nome, mas era da família Pedrosa. A Burrinha era seu filho Manoel Pedrosa. O boi, era conduzido pelo Sebastião, e a Nêga do Cocó de fogo, pelo Sebastião Santiago. Foi muito bonito a apresentação. Tinha outras pessoa de outrtas povoações, creio que do Brejo da onça e circunvizinhança.
Em 1984, chegou a Valença, vindo também do município de São Miguel do Tapuio, o Sr. Cesar, que logo se engajou no reisado de Dona Pedrosa por serem conterrâneos e compartilharem com os meios ideais da cultura. Cesar, já dançava reisado desde o ano de 1960 quando tinha 18 anos. Chegando em Valença, tornou-se o chefe dos caretas e por muito tempo participou desta manifestação cultural sempre ao lado de sua esposa Dona Bia, que participava do grupo das mulheres que entoavam os Cânticos de chegada .
Um gesto muito interessante do Sr Cesar, foi por ocasião da doença de seu amigo Nestor filho de Dona Pedrosa, quando estava bastante debilitado pela doença. O Sr César, reuniu seus amigos de reisado e fizeram uma apresentação para seu amigo Nestor, como se estivessem fazendo um a despedida cultural.

O tempo passou,  o Sr César, ainda mantêm viva a chama cultural da manifestação do reisado. Hoje neste 23 de dezembro, reuniu em sua residência, seus amigos, alguns provenientes de sua terra berço e outros de circunvizinhança e até mesmo da cidade de Assunção-PI para realizarem uma apresentação do Reisado neste período do ciclo natalino em Valença do Piauí. É óbvio, que os seus 76 anos de idade cobram uma moderação nos trabalhos de careta e coordenador de Reisado, mas a cultura não pode parar porque ela se manifesta de forma individual e coletiva junto aqueles que são protagonistas.
A apresentação foi marcada por uma grande chuva, porem não inibiu os dançarinos. Outro fato, foi o tocador que foi acometido por uma colerina, que mesmo os chás de boldo, folha e casca de laranja não foram suficientes para amenizar a situação. Dona Bia lembrou de fazer um chá de arva cidreira e uma gotas de Elixir Paregórico e medicou o tocador que se recuperou e continuou a festa.

Valença do Piauí, 23 de dezembro de 2018-12-23
Prof. Antonio Jose Mambenga


domingo, 27 de outubro de 2019

HISTÓRIA DA CAJUÍNA EM VALENÇA DO PIAUÍ


                                    Foto do Acervo da Profª Solange Portela - Valença do Piauí


                         HISTÓRIA DA CAJUÍNA EM VALENÇA DO PIAUÍ
                                                                 Prof. Antonio Jose Mambenga
A cidade de Valença do Piauí, situada a 210 Km de Teresina, capital do estado do Piauí, está inserida na mesorregião Centro-Norte Piauiense.
No que diz respeito ao sistema orográfico, segundo João Gabriel Batista, o município de Valença-PI, pertence ao grupo do relevo piauiense codinominado “Cuestas do Centro” e quanto ao clima se bifurca entre o semi-árido e tropical seco com chuvas esparsas de verão o que favorece se tornar referencia na vegetação que ora possui características da caatinga, ora se apresenta como cerrado, sendo que tudo isso os campos valencianos são pontuados por uma flora bastante eclética  dentre as quais apresenta-se o cajueiro, que comumente é conhecido por cajuí, tamanho menor, próprio para doces, ou mesmo para ser degustado de forma natural pelo sabor que possui e um outro tipo de caju, de pedúnculo maior, às vezes amarelo, ou de cor vermelha, mais suculento, chamados de cajuá ou caju verdadeiro. Ambos pelo  contexto histórico se confundem com a história da cidade.
Segundo Marilda Alves Martinez, no seu livro, Caju uma planta de mil utilidades(1992), “O caju é uma planta genuinamente nordestina. Acrescenta também, que em 1558 um historiador francês ao descrever esse fruto da família das anacardiáceas (Anacardium occidental, etc...), foi o primeiro a confundir o pedúnculo com o fruto.
“O  nome caju é sem dúvida, originário da palavra tupi (“ARAYU”). Do fruto são extraídos a amêndoa e o óleo da castanha”.
“O pedúnculo de consistência dura, possui grande concentração de vitamina “C”. Come-se ao natural em forma de doce, seco (passas ou cristalizado),  em calda ou em pasta”.              
O suco é usado para refresco e para a fabricação de bebidas como vinho, refrigerantes com os sem gás. Todavia, a história  registra em seu acervo a saborosa cajuína, que se projeta ao longo dos anos como a bebida tipicamente valenciana  elastecendo o seu sabor às mais longínquas localidades do país.
Em Valença do Piauí, a comercialização  da cajuína é remota a década de 1930 do século XX,  através da família Portela Veloso, na pessoa de Dona Maria Portela Veloso, popularmente conhecida como “Marica Veloso”, esposa do Senhor Clovis Veloso.
Produzida de forma artesanal para o consumo familiar e para venda, inclusive como produto de exportação para outros Estados da Federação Brasileira (Ceará – São Paulo – Rio de Janeiro, etc.), uma vez que o Sr. Clovis Portela Veloso era comerciante e  fazia o intercâmbio  comercial, levando a cajuína produzida em Valença para outras regiões do espaço brasileiro e de lá regressava trazendo outras mercadorias. Algumas vezes era  comum a prática do escambo, provocado pela demanda de produção ou mesmo pela oscilação financeira do sistema brasileiro.
O certo é que a cajuína, tornava  referência na cidade de Valença do Piauí e o cajueiro o ícone de sua própria identificação adquirindo um espaço no contexto histórico e literário da cidade.
É comum em Valença os cajueiros,  receberem nomes, cujo batismo alude a personagens locais, bem como a situações.
Os cajueiros da Quinta de “Seu Clovis, eram conhecidos como: da  Maria, da  Júlia, do Assis, da Solange e outros personagens da família. Na localidade Riacho  Barnabé, recebiam a alcunha de: Cajueiro de Dona Joana, do Tio Augusto, da Nêga Mariana e do velho Antônio. Em Novo Oriente(PI), Dona Antonina da Cara de Soin, morava na localidade Cajueiro Azedo. Enquanto em Aroazes(PI), tem uma comunidade por nome Cajueiro, onde está fincada, a grande fazenda do Major Sinval. No povoado Taboquinha, próximo ao Balneário Santa Rosa, tem um grande exemplar conhecido por cajueiro do João Couro.
No sitio Juaí, eram famosos os cajueiros das três cuias, da Sinhá Pedrina e do Cabo Jorge. Próximo ao Sítio Almesqueiras, era bastante conhecido o cajueiro do Carretão, onde era comum aparecer o lobisomem no mês  de agosto. Mas foi no cajueiro do menino, nas proximidades da localidade Pedra do Urubu, que  ocorreu um assassinato no final da década de 1950 cuja testemunha ocular foi um menino proveniente de cidade de Pio  IX.
 No perímetro urbano, quem não lembra do cajueiro do “Melão”? Point da Preta Mão de onça e de tantas pretas que também  passaram por lá. Enquanto, no bairro Levanderia, tornaram-se referencias os cajueiros do Firmino Rosca, do Manoel Guilherme, do Velho Rocha e do Tio Riba na roça dos mambengas. Enquanto o cajueiro do ”Padim Raimundo” que ficava  perto da “Pedra da Alma”, também no Bairro Lavanderia,  essa árvore frutífera,  era muito visitada tanto no período da safra e mais ainda na entre safra, pela criançada e    pelos jovens e adolescentes do bairro e circunvizinhança. Quanto aos adultos, quem mais comparecia era o “Seu  Chico do Tiro, por entender de mandinga e causar espanto nas pessoas, porque na mesma árvore, era comum se observar cajus na cor amarela e cajus na cor vermelha, daí só Chico do Tiro, que era catimbozeiro e suspeito de virar lobisomem, ter umas visitas inusitadas e fora de hora ao velho cajueiro no do Bairro Lavanderia.
A identificação do cajueiro com a História de Valença não pára por aqui. O anonimato ainda camufla o cajueiro e os cajus inclusive de um candidato a  cargo eletivo na cidade de Valença(PI),  que no espaço onde funcionou a olaria do Sr.  Nestor, subia nos cajueiros  para sacudí-lo e as crianças disputarem os suculentos pedúnculos que caiam  para saciar mais um desejo cultural de que estomacal das crianças, uma vez que o  caju já faz parte de  cotidianidade do povo valenciano, mas a forma como acontecia tornava-se chamativo para criançada.
          A Cajuina valenciana, tem suas raízes na cidade de Oeiras, chegando a Valença, no final da década de setenta do século XIX (1879) através da família Portela, na pessoa da Sra. Laura Portela Soares, irmã do Cônego Acylino.
Dona Laura trabalhava o caju para extrair o delicioso  suco, cuja preferência do Cônego era sem passar pelo banho Maria.
Os ensinamentos foram passados para dona Srª. Maria Portela Veloso, esposa do Sr. Clovis Veloso.
Em Valença,  Dona Maria Portela Veloso (Marica de Sr. Clovis) continuou o trabalho iniciado por dona Laura, cuja assessoria era feita por: Zulita Portela Mendes que é mãe de Solange Portela, Teresa Maria da Conceição (ama), e Ana Vim-Vim, as duas últimas trabalhavam para Dona Marica, também no período da entre safra do caju. Tereza e Ana Vim-Vim,  colhiam os cajus na roça do Sr. Clovis Veloso, no Sítio Betel, com a ajuda de Dona  Bárbara, uma senhora de idade mais avançada que elas, mas funcionava como orientadora na seleção dos cajus que poderiam ser colhidos. Com o passar do tempo outras mulheres entraram também na atividade de recolhimento de cajus, como: Zoraide, Maria Pretinha, Zefinha do Zé Tucum. Outra pessoa que assessorava Dona Marica, na produção de cajuína, era Dona Vitória, avó do Chico Zeca, porque cumulava conhecimentos na fabricação de cajuína, adqueridos quando ainda morava em Oeiras, daí sua importância, considerada por Dona Marica como seu braço direito e esquerdo, mas nunca como “os olhos e nem ouvidos”, porque também isso não era necessário.
Um detalhe, o caju era colhido de forma individual num pano macio para não sofrer nenhuma agressão no pedúnculo,  daí o sabor, porque não misturavam caju nem pelo tamanho, espessura ou mesmo cor. Como os cajueiros eram identificados por nome de membros da família, trabalhadores e/ou amigos, cuja seleção servia de base para tratar o caju para fabricação da cajuína. O grande segredo era a forma como eram cuidados os cajus sob a vigilância de Dona Marica de “Seu Clovis”.
            O Sr. Clovis Veloso, viajava sempre para Fortaleza, pois era comerciante e em uma dessas viagens, mandou fazer o rótulo na Coletoria. (Hoje Secretaria de Fazenda).
Produzida de forma artesanal para consumo e venda, inclusive como produto de exportação através,  do Bar e Restaurante Glória de propriedade do Senhor Gaudêncio Portela Veloso, que foi responsável pelo intercambio comercial, levando a cajuína produzida em Valença do Piauí para outros Estados  da Federação Brasileira (Ceará, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e outros). Através dos caminhoneiros que passavam pelo restaurante diariamente.
A cidade de Valença do Piauí projeta-se no cenário piauiense como produtora da melhor cajuína da região central do Piauí,  uma vez que funciona como um misto entre o sabor e a tradição.
A história da cajuína se confunde com a história da cidade, introduzida pela  família Veloso nas primeiras décadas do século XX. O certo é que de bebida especial para pessoas especiais, conquistou os vários  segmentos sociais da cidade e circunvizinhança.
Dona Marica, não media esforços para realizar um bom trabalho. Acompanhava tudo de perto, desde a colheita  dos cajus até o armazenamento.
Para executar melhor o trabalho e proporcionar o gosto estético da cajuína  de Valença! A colheita era feita de forma individual e com a mão envolvida em tecido macio, para não prejudicar o pedúnculo e não afetar na transparência e o sabor. Enfim os cajueiros se projetaram,  “ a cajuína, feminina e já cristalina e apenas lá em Teresina é que encontrou sua rima”. Hoje, é comum ainda colocar nomes nas patentes, (São Camilo, Dona Joana, Dona Júlia,  Valença ou mesmo São Francisco, cujo destaque pode ser dado para cajuína confeccionada sob o olhar cuidadoso de Mãe França no Sítio do Pai Larô, localizado ás margens do rio Tranqueira). 
Todavia, foi a Dona Maricas Veloso, a grande responsável por este empreendimento que ganhou fama no Piauí e restante do país. Muitos dos cajueiros ainda estão vivos e funcionam como testemunhas da história que começa com Dona Maricas. Atualmente os terrenos e os cajueiros pertencem a propriedade do Sr. Antonio Carlos Cortez.
Com o passar do tempo, a senhora Maricas Veloso, repassou a técnica de preparo da cajuína para a senhora Carmina Veloso, conhecida como Sinhazinha,(Mãe de Dr Nemésio), possuidora de um pequeno pomar de cajueiro que lhe dava a oportunidade de selecionar os melhores frutos para fabricação do produto. Maravilhados com a nova bebida, a família do Sr Francisco de Castro (Chimba), recebeu a receita e passou  a produzir a deliciosa cajuína, primeiramente para o consumo da família, servir às visitas ilustres e presentear amigos mais íntimos.
Na década de 70 (setenta) do século XX, com o número maior de cajueiros no pomar, a família Martins(Chimba), começou sua pequena e artesanal fabricação da apreciada bebida. Os cajus eram colhidos e selecionados manualmente, como fazia Dona Marica. Após a retirada das castanhas, o pedúnculo era moído em um pequeno moinho de carne, depois de moído era coado e o suco concentrado era classificado com cola derretida em água do caju. Em seguida tampadas e  cozidas  em banho-maria, em tachos de cobre, os mesmos que eram utilizados no preparo da rapadura, os quais ficavam sobre as brasas com as cajuínas de um dia para o outro e depois de frias eram armazenadas e próprias para o consumo. Antes de serem armazenadas as tampas eram fixadas com um produto chamado breu.
Segundo o Senhor Valdir e Dona Neli Martins, donos da Cajuína São Camilo, somente no inicio da década  de 80 (oitenta) do século XX, conseguiram mecanizar a produção, adquirindo uma máquina melhor. Porém a qualidade e  aceitação da cajuína continua sendo a mesma, a qual era  muito apreciada nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Maranhão (de onde veio uma comitiva para aprender o processo de fabricação).
Com a eclosão da cajuína, outras famílias também passaram confeccionar cajuína e lhe atribuírem nome no produto fabricado, porém mantinham os ensinamentos obtidos para manutenção da qualidade, daí o gosto da cajuína fabricada em Valença e/ou por Valencianos radicados em outras cidades, mantem a mesma qualidade.
Atualmente o processo de fabricação da cajuína conquista espaço inclusive a Associação de Desenvolvimento Comunitário de Município de Valença do Piauí (ADECOMVAPI), que vem trabalhando, desde a década de 90 (noventa) do século XX, não só a cajuína como também outros derivados do caju, na área de doces e salgados.
A própria cajuína que atualmente representa uma bebida típica do Piauí, é cantada por Caetano Veloso, a música Cajuína, que tem letra e música do próprio Caetano Veloso.
“... Tão pouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina...”
Isto indica que a cajuína é um produto “genuinamente piauiense”, e também com referencias em Valença do Piauí.
No início, utilizavam as garrafas que vinham com bebidas (cervejas, refrigerantes, etc). tampando com cortiça, amarravam com barbante e fixavam com “breu”. Com o passar do tempo, surgiram as tampas de refrigerantes, mas atualmente existem as tampas próprias adquiridas nas casas comerciais.

BIBLIOGRAFIA
EMATER,  Escritório – Valença do Piauí
EMBRAPA CNPCA – Folder Campanha Nacional de aumento da Produtividade de Cajueiro, Fortaleza – CE, 1992.
FONTES ORAIS, Profª Solange Portela, família Martins, Maria de Lurdes Silva e Lima, vice  - presidente da ADECOMVAPI.
NASCIMENTO, Vera Lúcia Gabriel, Projeto Plano de Divulgação da Cajuina Valenciana nos Bares, Lanchonetes e Restaurantes.2008                                                                                         MINISTÉRIO DA AGRICULTURA DA PECUÁRIA E ABASTECIMENTO: Folder, Cultivo de Cajueiro Anão Precoce em Regime de Sequeiro.
MARTINEZ, Marilda Alvares & BARRERA, Paulo, Caju uma planta de mil utilidades, São Paulo. 1992                                                                                                                        
TEIXEIRA, Tomaz, O Piauí do Futuro, ed. Freire & Companhia LTDA, Teresina-PI.

sábado, 10 de agosto de 2019

HISTÓRIA DO RIO CATINGUINHA EM VALENÇA DO PIAUÍ

 RIO CAATINGUINHA

A Historia do Rio Caatinguinha, se confunde com a Historia da cidade de Valença do Piauí. Nasce na localidade Olho D’água,  a 1 Km da zona urbana da cidade de Valença do Piauí, tem como base as coordenadas geográficas:  06º 24’ 22.2’’ Latitude e 44º 44’ 58.8’’ Longitude Datum Sirgas 2000 MC 39º000’.
Segundo, Reginaldo Miranda: (2008-36), por volta de 1664, um grupo de bandeirantes se estabeleceu nas margens do Rio Santa Catarina, onde fundaram o Arraial dos Paulistas, sob o comando do bandeirante paulista Domingos Jorge Velho. “Nos escombros da povoação foi erguida a atual cidade de Valença do Piauí.”
Santa Catarina, era o nome antigo do Rio Caatinguinha, cuja substituição pode ter ocorrido pelo próprio grupo de Jorge Velho, uma vez que era comum mudarem o nome dos rios. O próprio Jorge Velho, mudou o nome do rio Paraguaçu, para Parnaíba, em homenagem a sua terra natal Santana do Parnaíba em São Paulo. O mesmo pode ter ocorrido, com o rio Santa Catarina, mudar o nome para Caatinguinha, em homenagem  ao rio Catinga, situado na mesma região de onde vieram os bandeirantes.
Revendo autores com trabalhos dentro da Historia do Piauí, muitos mencionam o rio Caatinguinha como referência geográfica para o Arraial de Nossa Senhora da Conceição ainda no início do século XVIII, bem como um período que, o próprio Arraial de Nossa Senhora da Conceição, foi chamado de Arraial do Caatinguinha até o dia da instalação da Vila de Valença, no dia 20 de setembro de 1762.
A partir da instalação da vila, o rio Caatinguinha tornou-se grande referência para os habitantes locais e transeuntes que por aqui passavam. Suas águas serviam para o consumo doméstico, saciar a sede dos animais silvestres e nas margens era comum a utilização das águas para irrigar as vazantes no período do estio.
Com o passar do tempo, foram surgindo os proprietários, cada um demarcando seus espaços ao longo de seu trajeto até a confluência no rio Tranqueira no Sítio Veneza.
Estudos apontam que a estrada Real e/ou Geral, que interligava o norte ao sul, da Capitania do Piauí, passa na margem esquerda, funcionando como parada obrigatória dos Tropeiros, viajantes e andarilhos desde o período colonial, ou mesmo para moradores próximos das Comunidades: Isidória, Buritizal, Fumal e Comboeiro.
A proximidade com o perímetro urbano, favoreceu a criação de uma afinidade com os moradores que procuravam suas nascentes para o banho diário ou mesmo como lazer, atraídos pela exuberância da paisagem, os poços profundos e o micro-clima oferecido. Eram, homens, mulheres e crianças que frequentavam diariamente as nascentes do Rio Caatinguinha.
As várias transformações ocorridas na povoação onde atualmente é Valença do Piauí, foram testemunhadas pelo Rio Caatinguinha, se em tempos remotos aqui foi o arraial que levava o seu nome, mais tarde chamado de Vila de Valença, nem mesmo a elevação da vila a categoria de cidade em 1889, o rio Caatinguinha deixou de exercer seu papel como referência sócio econômica e histórica nesta cidade.
Em 1922, o poeta João Ferry, fez o soneto Minha Valença, tendo o rio Caatinguinha como base., como expressa na primeira estrofe.
Minha Valença, é como uma rainha,
Exilada no centro dos Sertões
Corre em seu seio o riacho Caatinguinha
Que a dívide em dois meigos corações.
Em 1924, o Major Inácio Barbosa, finca uma roda d’água, no leito do Rio Caatinguinha para gerar energia elétrica para sua residência, no Sítio Canadá.
Em 1932, o Prefeito municipal Abimael Rocha, vendo o desenvolvimento da cidade e a dificuldade das pessoas no translado de água para suas casas, mandou cavar um poço para atender as famílias mais necessitadas. O local escolhido foi as Cacimbas, onde moradores próximos já tinham seus buracos para retirar a água para o consumo diário. Dentre eles, a cacimba escolhida para ser adaptada como poço, foi a da Dona Chiquinha, esposa do Sr. Anfrísio. Este local ficou conhecido por Poço da Prefeitura, ainda existe ao lado da residência da Professora Iolanda Pereira, no atual Bairro Cacimbas. O referido Poço é tombado pelo Patrimônio Histórico Cultural de nossa cidade desde 2002.
Com a construção do Poço das Cacimbas, o rio Caatinguinha, perdeu muitos de seus frequentadores, devido a distância que ficava das casas.
Os moradores, das atuais ruas: Aníbal Martins, Areolino de Abreu, Arlindo Nogueira, Engenheiro Elesbão Veloso, São João, São José, Cícero Portela, embora não fossem ainda abertas as ruas, mas de forma fragmentada existiam moradores, passaram usar as águas do Caatinguinha apenas para lavar roupas.
Da década de 1930 até o início da década de 1960 do século XX, foi um período áureo do Lazer nas nascentes do Caatinguinha, onde jovens da elite local buscavam o local para o banho, mas seguindo os princípios da ética, da moral e do respeito e dos bons costumes. No próprio espaço existia, um local destinado para os homens e outro espaço para as mulheres, além de ficar um guardião para avisar se podia passar ou não. A cena se repetia todos os dias no rio Caatinguinha.
No final da década de 1940, existia nas imediações do Bairro Cacimbas, um local de Lazer chamado de Nova Descoberta, muito procurado pela juventude de época, existindo assim um desvio de atenção dos frequentadores assíduos das nascentes do rio Caatinguinha.
No início dos anos 1960, na Quinta dos Martins, situada próximo ao Sítio Canadá, o casal Zé Tito e Benta, construíram uma bica aproveitando água do rio Caatinguinha. O local, tornou-se mais uma opção de lazer para os moradores da cidade e como tinha bebidas e tira gosto, muitos dos frequentadores do Caatinguinha, ficavam pós lá mesmo.
Segundo o Sr. Chico Gabriel, na década de 1940, ainda existiam muitas árvores frondosas nas suas imediações, como também animais e aves silvestres. Dentre os animais ele citou o bicho preguiça e quanto as aves a Seriema. Para preservação, era proibido caçar e se alguém persistisse era preso. Quem ousasse cortar uma árvore, até mesmo uma vara para cabo de vassoura, era preso. Mas como tudo que existe tem seus momentos, com o rio Caatinguinha, não foi diferente.
Em abril de 1956, o poeta valenciano João Ferry, fez o soneto: Meu Poço Azul.
Meu poço azul da minha meninice,
Todo ensombrado de árvores frondosas
Quem foi que te contou, quem foi que te disse
Que eu te esquecia nas manhãs formosas?...

Trepado num cipó, sem gabolice,
Em balanços de curvas perigosas,
Eu saltava-ti-bun-go! Aí que doidice,
No mergulho das águas vaporosas!

Depois, um dia, quando envelhecido,
Procurei teu regaço abençoado
Para o banho – Meu Deus, quantos abrolhos!...
Meu poço azul, havia sucumbido!
Tudo era morte, mas voltei banhado,
Com as lágrimas do poço dos meus olhos!.

Observa-se neste soneto, que em 1956, o rio Caatinguinha, já estava num estágio agravante.
Em 1962, quando o Prof. João Calado, escreveu o Hino de Valença, buscou inspiração no rio Caatinguinha:
Às margens do rio Caatinguinha
Cercadas de mil matagais
Está Valença dos encantos
Altiva, forte e sem rivais.
Com o tempo, o Rio Caatinguinha foi ficando em segundo plano, ocasionando pelas novas opções de Lazer da cidade; Outros porque foram estudar em outros centros ou mesmo residir, em outros lugares distantes, restando apenas a memória. O rio, ficou visitado por um número reduzido de pessoas e por Lavadeiras de roupas. Com isso o poder público municipal também se esquivou, dispensando apenas um olhar menos convergente para o rio e sua permanência de vida.
Muitas tentativas foram feitas para o resgate. Todos querem salvar, mas ainda falta um olhar científico para tanto. “Uma coisa é certa: Morrendo o rio, morre o homem e não temos historia”.
PONTOS DE REFERÊNCIA DO CAATINGUINHA
01-Nascente: Local Olho d’água.
02-Estrada Real
03-Pedra do Defunto
04-Poço Azul
05-Sítio Canadá, onde existia uma moenda.
06-Roda d’água para produzir energia elétrica.
07-Passagem da Doca (Beco).
08-Ponte Antiga
09-Ponte atual
10-Betel
11-Confluência no rio Tranqueira

Valença do Piauí, 05/04/2018.
Professor Antônio José Mambenga