sábado, 10 de agosto de 2019

HISTÓRIA DO RIO CATINGUINHA EM VALENÇA DO PIAUÍ

 RIO CAATINGUINHA

A Historia do Rio Caatinguinha, se confunde com a Historia da cidade de Valença do Piauí. Nasce na localidade Olho D’água,  a 1 Km da zona urbana da cidade de Valença do Piauí, tem como base as coordenadas geográficas:  06º 24’ 22.2’’ Latitude e 44º 44’ 58.8’’ Longitude Datum Sirgas 2000 MC 39º000’.
Segundo, Reginaldo Miranda: (2008-36), por volta de 1664, um grupo de bandeirantes se estabeleceu nas margens do Rio Santa Catarina, onde fundaram o Arraial dos Paulistas, sob o comando do bandeirante paulista Domingos Jorge Velho. “Nos escombros da povoação foi erguida a atual cidade de Valença do Piauí.”
Santa Catarina, era o nome antigo do Rio Caatinguinha, cuja substituição pode ter ocorrido pelo próprio grupo de Jorge Velho, uma vez que era comum mudarem o nome dos rios. O próprio Jorge Velho, mudou o nome do rio Paraguaçu, para Parnaíba, em homenagem a sua terra natal Santana do Parnaíba em São Paulo. O mesmo pode ter ocorrido, com o rio Santa Catarina, mudar o nome para Caatinguinha, em homenagem  ao rio Catinga, situado na mesma região de onde vieram os bandeirantes.
Revendo autores com trabalhos dentro da Historia do Piauí, muitos mencionam o rio Caatinguinha como referência geográfica para o Arraial de Nossa Senhora da Conceição ainda no início do século XVIII, bem como um período que, o próprio Arraial de Nossa Senhora da Conceição, foi chamado de Arraial do Caatinguinha até o dia da instalação da Vila de Valença, no dia 20 de setembro de 1762.
A partir da instalação da vila, o rio Caatinguinha tornou-se grande referência para os habitantes locais e transeuntes que por aqui passavam. Suas águas serviam para o consumo doméstico, saciar a sede dos animais silvestres e nas margens era comum a utilização das águas para irrigar as vazantes no período do estio.
Com o passar do tempo, foram surgindo os proprietários, cada um demarcando seus espaços ao longo de seu trajeto até a confluência no rio Tranqueira no Sítio Veneza.
Estudos apontam que a estrada Real e/ou Geral, que interligava o norte ao sul, da Capitania do Piauí, passa na margem esquerda, funcionando como parada obrigatória dos Tropeiros, viajantes e andarilhos desde o período colonial, ou mesmo para moradores próximos das Comunidades: Isidória, Buritizal, Fumal e Comboeiro.
A proximidade com o perímetro urbano, favoreceu a criação de uma afinidade com os moradores que procuravam suas nascentes para o banho diário ou mesmo como lazer, atraídos pela exuberância da paisagem, os poços profundos e o micro-clima oferecido. Eram, homens, mulheres e crianças que frequentavam diariamente as nascentes do Rio Caatinguinha.
As várias transformações ocorridas na povoação onde atualmente é Valença do Piauí, foram testemunhadas pelo Rio Caatinguinha, se em tempos remotos aqui foi o arraial que levava o seu nome, mais tarde chamado de Vila de Valença, nem mesmo a elevação da vila a categoria de cidade em 1889, o rio Caatinguinha deixou de exercer seu papel como referência sócio econômica e histórica nesta cidade.
Em 1922, o poeta João Ferry, fez o soneto Minha Valença, tendo o rio Caatinguinha como base., como expressa na primeira estrofe.
Minha Valença, é como uma rainha,
Exilada no centro dos Sertões
Corre em seu seio o riacho Caatinguinha
Que a dívide em dois meigos corações.
Em 1924, o Major Inácio Barbosa, finca uma roda d’água, no leito do Rio Caatinguinha para gerar energia elétrica para sua residência, no Sítio Canadá.
Em 1932, o Prefeito municipal Abimael Rocha, vendo o desenvolvimento da cidade e a dificuldade das pessoas no translado de água para suas casas, mandou cavar um poço para atender as famílias mais necessitadas. O local escolhido foi as Cacimbas, onde moradores próximos já tinham seus buracos para retirar a água para o consumo diário. Dentre eles, a cacimba escolhida para ser adaptada como poço, foi a da Dona Chiquinha, esposa do Sr. Anfrísio. Este local ficou conhecido por Poço da Prefeitura, ainda existe ao lado da residência da Professora Iolanda Pereira, no atual Bairro Cacimbas. O referido Poço é tombado pelo Patrimônio Histórico Cultural de nossa cidade desde 2002.
Com a construção do Poço das Cacimbas, o rio Caatinguinha, perdeu muitos de seus frequentadores, devido a distância que ficava das casas.
Os moradores, das atuais ruas: Aníbal Martins, Areolino de Abreu, Arlindo Nogueira, Engenheiro Elesbão Veloso, São João, São José, Cícero Portela, embora não fossem ainda abertas as ruas, mas de forma fragmentada existiam moradores, passaram usar as águas do Caatinguinha apenas para lavar roupas.
Da década de 1930 até o início da década de 1960 do século XX, foi um período áureo do Lazer nas nascentes do Caatinguinha, onde jovens da elite local buscavam o local para o banho, mas seguindo os princípios da ética, da moral e do respeito e dos bons costumes. No próprio espaço existia, um local destinado para os homens e outro espaço para as mulheres, além de ficar um guardião para avisar se podia passar ou não. A cena se repetia todos os dias no rio Caatinguinha.
No final da década de 1940, existia nas imediações do Bairro Cacimbas, um local de Lazer chamado de Nova Descoberta, muito procurado pela juventude de época, existindo assim um desvio de atenção dos frequentadores assíduos das nascentes do rio Caatinguinha.
No início dos anos 1960, na Quinta dos Martins, situada próximo ao Sítio Canadá, o casal Zé Tito e Benta, construíram uma bica aproveitando água do rio Caatinguinha. O local, tornou-se mais uma opção de lazer para os moradores da cidade e como tinha bebidas e tira gosto, muitos dos frequentadores do Caatinguinha, ficavam pós lá mesmo.
Segundo o Sr. Chico Gabriel, na década de 1940, ainda existiam muitas árvores frondosas nas suas imediações, como também animais e aves silvestres. Dentre os animais ele citou o bicho preguiça e quanto as aves a Seriema. Para preservação, era proibido caçar e se alguém persistisse era preso. Quem ousasse cortar uma árvore, até mesmo uma vara para cabo de vassoura, era preso. Mas como tudo que existe tem seus momentos, com o rio Caatinguinha, não foi diferente.
Em abril de 1956, o poeta valenciano João Ferry, fez o soneto: Meu Poço Azul.
Meu poço azul da minha meninice,
Todo ensombrado de árvores frondosas
Quem foi que te contou, quem foi que te disse
Que eu te esquecia nas manhãs formosas?...

Trepado num cipó, sem gabolice,
Em balanços de curvas perigosas,
Eu saltava-ti-bun-go! Aí que doidice,
No mergulho das águas vaporosas!

Depois, um dia, quando envelhecido,
Procurei teu regaço abençoado
Para o banho – Meu Deus, quantos abrolhos!...
Meu poço azul, havia sucumbido!
Tudo era morte, mas voltei banhado,
Com as lágrimas do poço dos meus olhos!.

Observa-se neste soneto, que em 1956, o rio Caatinguinha, já estava num estágio agravante.
Em 1962, quando o Prof. João Calado, escreveu o Hino de Valença, buscou inspiração no rio Caatinguinha:
Às margens do rio Caatinguinha
Cercadas de mil matagais
Está Valença dos encantos
Altiva, forte e sem rivais.
Com o tempo, o Rio Caatinguinha foi ficando em segundo plano, ocasionando pelas novas opções de Lazer da cidade; Outros porque foram estudar em outros centros ou mesmo residir, em outros lugares distantes, restando apenas a memória. O rio, ficou visitado por um número reduzido de pessoas e por Lavadeiras de roupas. Com isso o poder público municipal também se esquivou, dispensando apenas um olhar menos convergente para o rio e sua permanência de vida.
Muitas tentativas foram feitas para o resgate. Todos querem salvar, mas ainda falta um olhar científico para tanto. “Uma coisa é certa: Morrendo o rio, morre o homem e não temos historia”.
PONTOS DE REFERÊNCIA DO CAATINGUINHA
01-Nascente: Local Olho d’água.
02-Estrada Real
03-Pedra do Defunto
04-Poço Azul
05-Sítio Canadá, onde existia uma moenda.
06-Roda d’água para produzir energia elétrica.
07-Passagem da Doca (Beco).
08-Ponte Antiga
09-Ponte atual
10-Betel
11-Confluência no rio Tranqueira

Valença do Piauí, 05/04/2018.
Professor Antônio José Mambenga

quarta-feira, 26 de junho de 2019

HISTÓRIA DAS QUADRILHAS JUNINAS EM VALENÇA DO PIAUÍ


XXXI FESTIVAL CULTURAL DE QUADRILHAS JUNINAS DE VALENÇA DO PIAUÍ
A cultura de uma cidade é construída ao longo dos anos pelo próprio povo, levando em conta os ensinamentos e vivências de seus ancestrais, que por sua vez herdaram também os conhecimentos de seus antepassados. Todo este saber se imbrica  na memória e se esvai pelas mentes dos guardiões da cultura para no momento  certo delinear as boas lembranças de um passado, ora distante,  mas ora tão próximo,  cuja dicotomia não dificulta entrelaçar o saber entre  daqueles que são levados pela sensibilidade de ascender nas gerações em formação um olhar diferente para um tempo que virou saudade no contexto histórico da própria cidade. Estes guardiãos de conhecimentos  e/ou griôs como também podem ser codinominados, transformam em tradição estes momentos sublimes de onde viveram ou onde vivem ainda, levando em conta a sociedade local sem distinção social, porque cada caso é diferente do outro e cada grupo social viveu  ou ainda vive  sua história conforme seu próprio padrão sócio financeiro. E como a cultura é de todos, jamais  poderá se omitir de registrar as manifestações de um povo ocorridas  numa cidade. E como dia Antonio Novoa: A moeda tem sempre dois lados.
Em  Valença do Piauí, não é diferente, o que dificulta são os registros escritos. Daí, a necessidade do recorte temporal e histórico, e  buscar tambem informações através da metodologia da História memória, para  conseguir informações na tentativa de transformar em texto os dizeres, os fazeres, a cotidianidade do povo num período de suas vivências especificamente no mês de junho, onde ocorriam as manifestações dos três Santos Católicos: Santo Antônio, dia 13; São João, dia 24; São Pedro, dia 29. Outra dificuldade foi a fragmentação da área territorial da cidade de Valença, porque temos uma Valença até 1954 cuja área territorial agregava os 14 municípios que formam atualmente o Território do Vale do Sambito e a partir daquele ano  ocorreram os desmembramentos formando novas cidades. Daí ser difícil dar  uma noção geral das festas juninas na Valença do Piauí, anterior a este período, até que seria muito bom. Neste caso as informações serão dadas, conforme dados fornecidas, até o ano de 1988, porque em 1989, quando ocorreu o 1º Festival de Quadrilhas, na gestão do Prefeito Francisco Alcântara,  a Profª  Ineide Lima Verde(Secretária de Educação e Cultura, na época), criou o 1º Festival de Quadrilhas Juninas de Valença do Piauí, promovido pela Prefeitura Municipal,  onde teve a preocupação de fazer uma ficha de inscrição, e arquivar para ficar registrado na História da cidade este grande acontecimentos atrelado as manifestações juninas em nossa cidade.
Seguindo a tradição ancestral, aqui aconteciam comemorações  oriundas da Terra Lusa, trazidas pelos primeiros colonos que aqui se estabaleceram dentre elas as manifestações juninas que  ocorriam anualmente como festa da fertilidade, em sinal de agradecimento as divindades pela boa colheita, cuja simbologia se resumia numa fogueira em frente a casa, uma árvore fincada, ou mesmo um mastro numa peça de madeira escolhida entre as mais altas da redondeza, no topo era colocado uma mastro com a imagem do Santo Homenageado, São João era o mais preferido. Como era difícil a estampa do Santo, geralmente um tecido branco ou de cor clara para substituir. Geralmente este ritual ocorria nas residências onde aconteciam os novenários, uma por localidade na zona rural, principalmente nas fazendas sob a responsabilidade dos proprietários, momento que convidavam todos os moradores. Aqueles que por motivos superiores não poderiam ir, realizavam suas fogueiras na própria residência, em vez de mastro, colocavam era uma árvore ou mesmo uma palmeira dependendo da que se encontrava com facilidade na região, a mais usada era o paty, o tucum era o menos usado devido os espinhos. A carnaúba,  nem pensar devido a produção, e o buriti, era fatal, porque só tinha nos brejos e nem os proprietários tinham coragem de perder tão preciosa palmeira. Durante a fogueira, seguiam o mesmo ritual da manifestação junina.   No perímetro urbano da cidade, a festa era mais ampla,  pela dimensão de espaço e  a situação pecuniária de cada família. Cada um comemorava conforme as posses.
O tempo passou. O mundo do pós guerra, pontuava uma nova época. O Brasil, já não era mais o mesmo. Valença, também não. A migração interna começou. As famílias da zona rural optaram pelas cidades, não só em Valença-Pi, mais em todo Piauí e Brasil. De onde partiam deixavam a saudade, mas traziam consigo a memória de suas tradições, dentre elas das festas juninas. A cidade neste período recebeu pessoas de  cidades da circunvizinhança, bem como de outros Estados da Federação Brasileira, o que somou para o crescimento de nossa História e praticamente de nossa cultura. Convém dizer que pessoas daqui também migraram para o sul do País, São Paulo, foi a grande opção. Das localidades mais próximas, temos notícias de pessoas da família Baía da Lagoa do Sítio, foram as primeiras a se arriscarem ir para Terra Bandeirante. Da região do Sambito, tantas outras, para o Maranhão nem se contam a quantidade. O certo que estas pessoas também, levaram e deixaram saudade da terra mãe e lá com certeza se aclimataram e somaram com a cultura e História local.
O certo que em 1958, na Rua do Maranhão, que era todo aquele espaço pós a segunda Ponte do Catinguinha, até chegar na Ladeira a Valencinha, aconteceu a primeira  festa de Quadrilha com passos marcados e coreografados na atual Rua Ivete Veloso, frente a residência do Casal Didito Oliveira e Francisca, no mês de julho por ocasião de um festejo de São Benedito. A festa foi muito interessante, todos foram ver a grande novidade, uma festa matuta na cidade.
Para ensaiar os passos veio um senhor da cidade de Picos a convite da organização. O sanfoneiro, foi Zé Filho, proveniente  da localidade onde  atualmente é a  cidade de Lagoa do Sítio. Foi tão animada a festa, que foi criada uma relação de espera para aqueles  que não tiveram  oportunidade de dançar naquela quadrilha. Para tanto não eras só querer, precisava  passar por um período sendo observado o comportamento para poder dançar na quadrilha do ano seguinte. Existia e persistia ainda naquele período a divisão social, e o grupo organizador da quadrilha junina, era composto de pessoas que pertenciam a segunda classe social. Os da terceira classe, não poderiam participar, se não fossem primeiro observado e analisado pelo grupo, cujo comportamento somava para a ascensão ao grupo. Os do grupo da Primeira classe, ouviram falar da festa e até certo ponto, se admiraram! Eh! A cidade tá crescendo! (Darwim, explica.(grifo meu)  A divisão social era tão séria neste período, que certa vez, uma jovem da segunda classe, mas de comportamento apreciável, filha de funcionário público,  foi indagada se queria fazer parte do grupo da primeira, simplesmente ela deu um não, e se justificou; “Na primeira, serei sempre segunda e na segunda sempre serei primeira”. O tempo foi passando, o coronelismos foi enfraquecendo, e praticamente bem ainda no início  da década de 1960  aos poucos a verticalização social de alguns começa tomar rumo  horizontalizado e certos seguimentos(poucos) arriscam uma verticalização. Tudo começa mudar e  as  festas juninas, tomam rumo diferente e atingem praticamente todas as camadas sociais. A renda, os brocados, cretones e sedas, dão lugar a chita, o riscado e o algodãozinho.  Sendo que o ponto de partida para a dança de Quadrilha com passos coreografados em nossa cidade teve como pontapé inicial  esta apresentação realizada na Rua do Maranhão. Graças ao empenho destes organizadores, corajosos, porque  despertou um gosto pelas quadrilhas juninas na cidade e neste ano será realizado o XXXI FESTIVAL CULTURAL DE QUADRILHAS JUNINAS.
Por volta de 1984, a cidade já contava com vários grupos de quadrilhas juninas individualizadas e sem um nome que os identificassem. O grupo era conhecido pelo nome dos organizadores da festa. Observando isso a Profª Naildes Lima Verde, convidou o Prof. Jose Dantas, para organizarem um Festival de Quadrilhas Juninas, para escolherem os melhores grupos da cidade. O local onde ocorreu, foi na Quadra do Colégio Santo Antonio.
Em 1989, a Profª Ineide Lima Verde, teve a iniciativa de organizar o Festival num local mais amplo para atender o público que gostava de ver e dançar quadrilhas juninas.
O espaço escolhido, foi a Praça do Xerem, no centro da cidade. Para homenagear o local, a Profª Ineide Lima Verde, condinominou o espaço como “Arraial do Gorgulho”, porque lá aos sábados ocorria a feira livre e o feijão era o produto mais encontrado e também por ser um dos pratos típicos de grande parcela das famílias valencianas. Com ou sem farinha, arroz, ou milho bem como com beiju de massa de mandioca e rapadura, o feijão é degustado pelo povo, mas quando for armazenado para o período da entre safra, se não for bem cuidado e com muita areia  peneirada, ele esquenta e cria gorgulho, daí o nome do Festival, uma homenagem ao gorgulho, inseto que dá no feijão, quando não é bem areiado.
Para organizar o Primeiro Festival de Quadrilhas Juninas de Valença, a Profª Ineide Lima Verde, convidou para lhe assessorar, a Profª Nereide Fernandes e o Prof. Antonio Jose Mambenga. E no dia 28 de junho de 1989, às 20:00hs foi inciada a festa com um grande público presente e muitas barracas de comidas e bebidas típicas.
Participaram as Quadrilhas Juninas: Joaquim Manoel, do Lindomar Amancio, Bela Flor da Profª Carmelita Batista, Maravilha, da Profª Walmira do Adão, Matutos da Noite da Profª Dona Rodrigues, Renascer do Crovapi, e da zona Rural: Quadrilha do Fumal, Quadrilha da Isidória. A campeã foi a Quadrilha Bela Flor. Neste ano de 1989, não houve participação de quadrilhas mirins.
As quadrilhas juninas em Valença, se mantém, através da força e força de vontade dos grupos organizados, da Prefeitura Municipal, que oferece toda infra-estrutura para o evento, através de contratação de bandas regionais e locais,  palco, som, iluminação, limpeza do espaço, decoração, premiações, banheiros químicos, segurança. Tudo isso para  que o evento continue sendo uma grande referencia no Território do Vale do Sambito e até mesmo a nível de Estado do Piauí. Pena que ainda falta mais apoio por parte de quem poderia patrocinar, mas um dia quem sabe a sensibilidade chega e sejam tocados pela essência da cultura local. Não é surpresa lê-se avisos desta natureza: Patrocínio de qualquer tipo,  suspenso!
Neste ano de 2019, o XXXI FESTIVAL CULTURAL DE QUADRILHAS JUNINAS DE VALENÇA DO PIAUÍ, será realizado, graças ao empenho da Prefeita Maria da Conceição Cunha Dias, da Secretária Municipal de Cultura e Turismo, Josilânia Lopes Martins Policarpo, do Vereador Leilivan Martins, das Secretaria Municipais, dos Grupos Juninos Organizados, e dos funcionários da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.
É com este querer que o XXXI  Festival Cultural de Quadrilhas Juninas,  vai acontecer nos dias 28 – 29 e 30 de junho no Espaço Cultural do C S U em nossa cidade, com a graça de Deus e das pessoas de boa vontade, na certeza que a cultura de um povo é grande quando cada um faz sua parte é este o nosso sonho ou talvez a nossa grande utopia! Sintam-se todos convidados!

TEXTO: Prof. Antonio Jose Mambenga – Valença do Piauí, 25/06/2019
                         



                                     PROGRAMAÇÃO

Dia 28/06/2019 (Sexta-Feira) 19h00min as 23h00min  
Alusão ao Evento
Composição da mesa de honra

Apresentações:

01 -20h00min- ABERTURA OFICIAL (GRUPO CULTURAL XAMEGÃO DA 15) APRESENTAÇÃO DO CASAL MARIA BONITA E LAMPIÃO 2019/ GAROTO (A) FOLGUEDOS 2019.
02- 20h15min - 20h35min - QUADRILHA TINDÔ-LÊ-LÊ – MIRIM (U.E. JAIME LIMA VERDE – PROFª CARMEM)
03 – 20h35min –DANÇA XAXADO DAS ESTRELAS - UNIDADE ESCOLAR JOAQUIM MANOEL (CRISTIANO E TENÉ)
04 – 20h45min - QUADRILHA ESTRELINHA DO SERTÃO- MIRIM (U. E. JOAUIM MANOEL – PROFª LÍDIA E MARA)
05- 21h05min - PINGA FOGO – MIRIM  (U E AMANDO LIMA- PROFª IARA E PROFª MARIINHA)
06 –21h25min- QUADRILHA FELICIDADE- MIRIM (SENHOR PLÁCIDO E DONA EROTILDES)
07 – 21h45min- QUADRILHA SASSARICANOS DA NOITE –IDOSOS (ASSISTENCIA SOCIAL- IELVA MELÃO
08 –22h15min- QUADRILHA LUA DE PRATA (DEMERVAL LOBÃO)

ATRAÇÕES DA NOITE- 23h00min as 06h00min
D’ ALCANTARA E BANDA MONTAGEM – PALCO 01
NODA DE CAJÚ – PALCO 01
NO ESQUENTA – BANDA DOS MAGRINHOS

Dia 29/06/2019 (Sábado) 19h00min as 24h00min
Alusão ao Evento
Composição da mesa de honra e jurados

Apresentações:
01 –19h50min- QUADRILHA DO CHIQUINHO-ADULTO (PADRE ANTONIO CARLOS)
02- 20h15min- QUADRILHA ESTRELAS DA TINDÔ-LÊ-LÊ – ADULTA (U.E. JAIME LIMA VERDE - DEYSE).


Competição:
03 –20h40min- QUADRILHA DO EJC- ADULTA (RAUL SOARES)
04-21h05min- QUADRILHA TINDÔ-LÊ-LÊ – ADULTA (U.E. JAIME LIMA VERDE – (Professoras -CARMEM E ANDRELINA)
05– 21h35min- QUADRILHA ESTRELA DO SERTÃO- ADULTO (U. E. JOAUIM MANOEL – PROFª LÍDIA E MARA)
06- 22h05min - QUADRILHA FELICIDADE- ADULTO (SENHOR PLÁCIDO E DONA EROTILDES)
07- 22h30min –QUADRILHA ARRAIÁ DAS PASTORAIS – ADULTO-(AMPARO)
08- 23h00- CANGAÇO DE OURO- ADULTO (LUAN FERNANDES).

ATRAÇÕES DA NOITE- 24h00min as 06h00min
TOME FORRÓ – PALCO 01
 FABRICIA SHOW– PALCO 01
CRISTIANO PIPOW
NO ESQUENTA - VANVAN FURAÇÃO


Dia 30/06/2019 (Domingo)- 19h00min as 24h00min
Alusão ao Evento
Composição da mesa de honra e Jurados

Apresentações:
01- 19h35min- GRUPO JUNINO ARRASTA PÉ DO CAPS (PAULA- SEC. DE SAÚDE)

Competição
02-20h00min- QUADRILHA EVOLUÇAÕ JUNINA- ADULTA – NOVO-ORIENTE
03 –20h35min- QUADRILHA JUNINA ARRASTA PÉ DOS CAIPIRAS– ADULTA – PICOS
04 –21h10min- QUADRILHA BEIJA FLOR DO SERTÃO - ADULTA- PIMENTEIRAS
05 – 21h45min- QUADRILHA JUNINA VERDE AMARELO – ADULTA- PICOS
06 –22h20min- QUADRILHA JUNINA CHAPEU DE PALHA – ADULTA - TERESINA
07–22h55min- FOLE DA SANFONA  - ADULTA- TERESINA
08-23h30min- RAIZES DO SRTÃO  - ADULTA-FRANCISCO AYRES

ATRAÇÕES DA NOITE- 24h30min as 04h30min
 GUILHERME DANTAS– PALCO 01
 FELIPE ENVOLVENTE– PALCO 01

Programção: Secretaria Municipal de Cultura e Turismo – Valença do Piauí 


terça-feira, 18 de junho de 2019

SÍNTESE BIOGRÁFICA DO VALENCIANO DR ALCIDES MARTINS NUNES








                                                       Foto: internet www.alepi.pi.gov.br

                         HISTÓRIA DE VIDA – DR ALCIDES MARTINS NUNES
Alcides Martins Nunes, nasceu no dia 19 de maio de 1918 em Valença, filho de Abdon Portella Nunes e de Francisca Martins de Castro Nunes. Teve uma infância não diferente das crianças de sua época, que se bifurcava entre a vida na cidade e as visitas às propriedades rurais da família. O certo é que Alcides Nunes, se adaptava às realidades de cada espaço. Se na cidade usufruía de bons momentos de lazer às margens do Rio Caatinguinha, .... tão bem retratados pelo poeta João Ferry no soneto Poço Azul. Na zona rural se deleitava com a vida campesina em aventuras não tão diferentes das praticadas na zona urbana, Cada realidade era diferente uma da outra, mas completavam a vida e sonhos de criança.
Estudou as primeiras letras na Escola São Jose do mestre Jose Francisco Ferreira, aprendendo o suficiente para obter conhecimentos cuja continuidade foram dados em Teresina, no Colégio São Francisco de Sales(Diocesano), onde fez o Curso Ginasial e o Secundário. Em São Luis(MA), fez o Curso Pré Jurídico. Em 1941, ingressou na Faculdade de Direito do Piauí. Em Salvador(BA) estudou Ciências Jurídicas e Sociais, cuja conclusão ocorreu em 1945, o que lhe deu o direito de exercer o exercício da advocacia a partir de 1946.
Ingressando na política, foi constituinte em 1947 e se reelegeu deputado em 1950 e 1954, sob a legenda do Partido Social Democrático. Foi membro da Comissão de Constituição e Justiça. Bem como da Redação Final na Assembleia Legislativa – 1947/1957. Foi Vice-Presidente da Assembleia – 1955/1957. Foi de sua autoria o Projeto de Lei Nº 128/07/1948 que mudou o nome da cidade de Berlengas para Valença do Piauí, a partir de 1º de janeiro de 1949, atendendo a reivindicação do povo valenciano que não se adaptava com a mudança do nome da cidade berço, Valença para Berlengas ocorrido em 1943 pelo Decreto Nº 754 de 30 de dezembro pelo Governo Federal. O Deputado Alcides Nunes, viu o clamor do povo e lutou pelo retorno do nome original (Valença, acrescido do nome Piauí).
Como Deputado Estadual, prestou relevantes serviços à terra berço, colocando-se sempre à vanguarda dos interesses da coletividade, por entender as necessidades individuais e coletiva de seus conterrâneos, tudo isso por ser um homem inteligente, profundamente democrático, o que lhe proporcionava desfrutar em grande parte do Estado do Piauí, de prestígio político (Almanaque do Cariri – 1952)
Nomeado Juiz( hoje Conselheiro) do Tribunal de Contas do Estado do Piauí, cuja posse ocorreu no dia 19 de setembro de 1957. Neste Colegiado, foi Vice-Presidente durante mais de um decênio. Instalou e Dirigiu a Diretoria de Assuntos Municipais: foi Supervisor da Auditoria Externa na fase de  implantação; e Presidente do biênio 1979/1980.(1º de janeiro de 1979 a 31 de dezembro de 1980)
Agraciado com as seguintes Comendas:  Medalha do Mérito  Renascença, Medalha do Mérito Legislativo, Medalha do Mérito Conselheiro Jose Antonio Saraiva, Medalha Ordem do mérito Governador João Pereira Caldas, Medalha Petrônio Portella da Academia de Letras da Confederação Valenciana.
Em Teresina, exerceu a docência no Colégio São Francisco de Sales, com as disciplinas: História do Piauí e Economia, bem como Organização Social e Política Brasil. Também em Teresina, fundou com outros parlamentares o Jornal O Estado, do qual foi seu Diretor. Dirigiu também, durante dois biênios consecutivos (1951/1954) a Associação Piauiense de Imprensa. Colaborou, ainda. Para o Jornal do Comercio, Resistência, Jornal do Piauí e Estado do Piauí. Foi Vice-Presidente da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade – CNEC – (1966/1976), tendo exercido a Presidência por várias vezes.
Membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí. Sócio Benemérito do Instituto Histórico e Geográfico de Oeiras. Membro da Academia de Letras da Confederação Valenciana.
OBRAS PUBLICADAS:
- Anuário de Valença do Piauí (1951/1952)
- Cronologia Histórica de Valença do Piauí (1962)
- Discursos ( 1968)
- Participação  do Piauí na luta pela Independência do Brasil (1972)
- Meu Bisavô – Norberto de Castro (1974)
- A Obrigatoriedade da prestação de Contas (1979)
- Vultos de Valença (1982)
- Meu Pai – Abdon Portella Nunes (1988)
Casado com a Sra. Odete Soares Ferreira Nunes(in memoriam) de cujo enlace nasceram: 11 filhos: Célia, Odete, Alcides Filho, Maria Franci(in memoriam) Tânia, Raimundo, Maria Franci, Vânia, Liana, Liene e Kênia.
Em 1952, por ocasião do Centenário de Teresina, O Almanaque do Carriri, dedicou uma Edição especial sobre o Piauí, e o texto sobre Valença, foi escrito por Alcides Nunes.
Em 1960, fundou em Valença o Jornal Folha Rural, cujo primeiro número circulou no dia 25 de dezembro do mesmo ano, por ocasião da Festa do Natal do Senhor e Festa da Padroeira Nossa Senhora do Ó.
Em 1980, escreveu a Biografia do Cônego Acylino Baptista Portella Ferreira, na Revista Nº 02 do Instituto Histórico de Oeiras.
Alcides Nunes, era um valenciano que amava sua terra berço, sempre estava presente nas festividades cívicas, religiosas e sociais. Por várias vezes foi Imperador da Festa do Divino Espírito Santo, como político trabalhou em prol do bem comum, não só em Valença mas para toda região confederada. São de sua autoria os primeiros textos sobre a História de nossa cidade, cujos conteúdos serviram e ainda servem de base para pesquisadores encontrarem referencias sobre a História de nossa terra. Como diz (Lucília Salgado: 2006 – 35 – 34) São os homens que constroem sua visão e representação das diferentes temporalidades e acontecimentos que marcaram sua própria história, isto porque, tempo e memória são processos interligados. O tempo da memória ultrapassa o tempo de vida individual e encontra-se com o tempo da História. Daí a História ser construída baseada no tempo que cada um escolhe para escrever.

Sua transcendência ocorreu no dia 13 de julho de 2007 em Teresina-PI

MEU POÇO AZUL (João Ferry)
Meu Poço Azul da minha meninice,
Todo ensombrado de árvores frondosas,
Quem foi que te contou, quem foi que te disse
Que eu te esquecia nas manhãs formosas?...
       Trepado num cipó, sem gabolice,
       Em balanços de curvas perigosas
        Eu saltava, “ti-bun-go”, ai que doidice.
         No mergulho das águas  vaporosas!
Depois, um dia, quando, envelhecido,
Procurei teu regaço abençoado
Para o banho, meu Deus, quantos abrolhos!....
         Meu Poço Azul havia sucumbido,
         Tudo era morte, mas voltei banhado,
          Com as lágrimas do poço dos meus olhos!
O Soneto Meu Poço Azul, João Ferry, dedicou a seu amigo Alcides Nunes, em 16 de abril de 1955)

BIBLIOGRAFIA
DELGADO, Lucília de Almeida Neves, História Oral – memória, Tempo, Identidades,
                    Autêntica Editora – Belo Horizonte - 2006
NOGUEIRA, Tânia Ferreira Martins Nunes, Os Martins Nunes – 2018 – Teresina – Piauí
NUNES, Alcides Martins, Anuário de Valença do Piauí  - 1951/1952 -  Teresina- PI(1953)
_______ VALENÇA – Dados Gerais sobre o município – (IN) Almanaque do Carriri – 1952 – Fortaleza - CE
______  Vultos de Valença, 1982 – Teresina – PI
_______ Meu Pai Abdon Portella Nunes – Teresina – 1988
_______ Cônego Acylino, IN Revista do Instituto Histórico de Oeiras – Nº 02  - 1980
_______ Cronologia Histórica de Valença, Jornal Folha Rural – 1962 – 1965 – Teresina
MATOS, J. Miguel de, Garimpagem – Senado Federal – Centro Gráfico: Distrito Federal – 1980
Webgrafia: Portal HTTP//WWW.alepi.pi.gov.br – Biografia: Dep Alcides Martins Nunes
 Pesquisa feita em 25/11/2018

                                         Valença do Piauí, 29 de novembro de 2018
                                                   Prof. Antonio Jose Pereira da Silva
                                                                       Pesquisador





sábado, 4 de maio de 2019

REPRESENTAÇÕES SOBRE O COMERCIO DE VALENÇA DO PIAUI


             REPRESENTAÇÕES SOBRE O COMERCIO EM VALENÇA DO PIAUÍ (recorte histórico)
O Comércio é uma das bases econômicas para o desenvolvimento de um lugar. Em Valença do Piauí  a atividade comercial é bem remota, cujas manifestações surgiram com a chegada dos primeiros colonizadores por volta dos anos 60 do século XVII. Com a instalação das fazendas de gado no início do século XVIII ocorreu a prática de exportação do gado para outras regiões da colônia.
O extrativismo vegetal da cera de carnaúba, leite de maniçoba e mangaba foi muito fluente no final do século XIX até o final da década de 1920, bem como a produção de rapadura e farinha e goma.
A falta de documentos escritos dificultam informações mais seguras sobre o assunto, daí a necessidade de recorrer a História memória para obter  informações pertinentes com pessoas mais idosas que viram e/ou ouviram falar sobre o comercio e comerciantes da cidade.
A feira livre, realizada aos sábados em Valença, desempenhou e ainda continua em voga, por se tratar de um tipo de comercio coletivo onde se encontra praticamente de tudo, primeiro funcionou num espaço por traz da atual Igreja São Benedito, debaixo de umas árvores de grande porte, o local ficava às margens da estrada real que passava entre as atuais casas do Sr Abdias Isidório e Sr. Jaime Lima Verde. Depois com o desenvolvimento da cidade, a feira livre funcionou num espaço do cruzamento da Rua Norberto de Castro com Mundico Dantas até o ano de 1924. O referido local por muito tempo ficou conhecido por “feira velha”.
Em 1924, o Prefeito Municipal Zeca de Castro, construiu o Mercado Público, ao lado da Igreja Nossa Senhora do Ó, com espaços suficientes para instalação de bodegas ou quitandas como eram conhecidas na linguagem de época.
Na década de 1970 o Prefeito municipal Dr Nemésio Veloso, construiu um novo local para funcionar a feira livre, dando o nome de Centro de Abastecimento “O XEREM”. Com a criação do Mercado Público em 1924 ocorreu uma definição do Comércio, das bodegas, quitandas e/ou mercearias de gêneros. Cada uma vendia de tudo, praticamente dentro da realidade sócio econômica dos moradores da cidade e região.
Em todos os estabelecimentos comerciais, tinha sal em pedra, vendido no litro ou no prato de madeira, ou em pequenas porções chamadas de “mercado”.  O café, era outro produto, era comercializado no quilo,  meio quilo, 250g, mas em grãos e cru em casa era torrado na panela de ferro mexido com uma palheta de madeira, depois socado no pilão e peneirado, mas antes passava por um processo de ser emergido em melaço, para pegar a consistência. Do que ficava na panela e pilão era feito a “margarida”, um café que era degustado por quem fazia o trabalho de preparação da massa preciosa do café. Era muito gostosa.
O açúcar, para classe popular era tão raro e caro que era vendido na colher. O freguês chegava e solicitava uma, duas, ou mesmo três colheres de açúcar. Era preciso adoecer para poder ingerir açúcar.
Linha de costurar, era vendida em novelos pequenos e só tinha na cor branca. Anil, era em forma cilíndrica no tamanho de 2cm, mas era procurado como pedra DE ANIL. Biscoitos, era bolacha Maria, também vendida por unidades. As bolachas vinham em latas de tamanho médio, geralmente nas chamadas meia latas, mas existiam umas latas em forma oval e outra redondas. Todas com tampas.
Outro produto muito vendido nestes estabelecimentos comerciais, era querosene, este também o mais fragmentado possível, litro, garrafa, meia garrafa e muitos como Dona Tereza Preta, levava a própria lamparina para comprar o mercado de querosene (quantidade suficiente para uma noite ou duas). Outro produto muito procurado era fumo de rolo, soda cáustica, naquele tempo chama de “potassa”
Nome como: Newtom Borges, Celso, Fernando Isidório, Eliseu, Piano, Zé Arteiro. Pedro Curdulino, Ze Marreiros, Dolande, Ze Cateu, dentre outros eram referencias, muitos já substituindo outros.
No Mercado Central, existiam outros pontos comerciais, para venda de tecidos, como a Loja do Sr Joaquim Lima Verde, do Sr Gil Marques, do Sr Grosso Rabelo, e do Sr João Luzia, onde vendiam:  morim, algodãozinho, linho, seda, bramante, cretone, rendas, chitas, cambraias, opalas, gorgorão, caque, riscado, tricolina, tropical, eno final da dácada de 1960, o famoso “volta ao mundo” e tergal. Os tecidos eram chamados de fazendas e eram vendidos no metro. No meio de tudo isso, tinha também chapéus e pano de rede. 
No mercado Público, existia espaço para venda de cachaça destilada e outras, cinzano, conhaque, são joão da barra, jurubeba e outras marcas, os clientes comprava, por um sistema chamado “dose”, ou meiota.
Numa das entradas frontais, porque eram quatro ao todo, a que ficava do lado da Rua Deputado Jose Nunes, ficava o Café da Dona Preta Bolô, que vendia: beiju de goma, cuscuz de milho, e bolo frito. O referido Café de Dona Preta, era aberto a partir da 5:00hs da manhã para atender as pessoas que iam comprar carne no açougue municipal que funcionava no local onde atualmente é a Casa Dantas e imediações.
Dona Preta, atendia também o serviço de restaurante com um cardápio variado que ia da costela de vaca, mão de vaca, bife de fígado acebolado, cozidão, galinha caipira, carne de porco ao molho, assada no forno e feito frito. As verduras vinham da casa da Chiquinha Furtuosa, eram: cebola em folha, coentro, alface,  folha de mantegueira e tomates d’água, só aos sábados porque vinham da comunidade macambira, cultivados por Dona Branca. As abóboras, jerimuns, e macaxeiras, eram provenientes do Riacho Barnabé trazidos pelo Sr. Martinho Sousa. Com tudo isso, mas o espaço era conhecido  por Café da Dona Preta Bolô. O serviço  de atendimento era feito por suas filhas: Morena, Leni e a Marlene, mais conhecida por Noinha mãe do Rarrá, cuja simpatia enobrecia o espaço.
Ao lado do Mercado Público, ficava a Mercearia do Sr Augusto Sampaio, uma das mais sortidas da cidade, funcionando na cidade desde o final da década e 1950. Existia também a mercearia do Sr. Eneas Barreto.
Em outros pontos da cidade existia outros estabelecimentos comerciais: Casa Martins, Farmacia Martins, Farmácia Central, Casa Nunes.
A cidade de Valença, não existia serviço de Bancos, as pessoas recorriam a senhores da elite local que praticavam a agiotagem, somente em 1968 chegou a primeira instituição financeira.
A educação escolar, também era um comercio através das escolas particulares, inclusive o Ginásio Santo Antonio.
A cidade cresceu, com isso o comercio foi se adequando a realidade de seus habitantes. Novos grupos foram chegando e se radicando na cidade, nome como o Grupo Dino Barbosa, e tantos outros. Somente na década de 1980 chegou o primeiro Supermercado, o Servilar da Dona Araci e o Sr Natan, funcionou num espaço de frente o atual Bar da Onda.    
A primeira Churrascaria, com garçon uniformizado foi a Meu Cantinho, do Juvenal Marreiro, funcionou em frente a Creche Dayane Lima Verde.
Os Bares e restaurantes, que também são referencias comerciais, podemos citar o Bar Glória às margens do Rio Catinguinha e o Bar Glória, a Pensão Moderna e a Pensão Melão. São tambem referencias comerciais que não podem deixar de ser citados, O bar e Restaurante Alvorada, a Casa Flórida e os  Postos de Gasolina Alvorada, e o Posto Esso, que funcionou em frente ao antigo Bar Glória.
Percebe-se que o comercio valenciano, funciona como um dos setores de desenvolvimento da cidade. Parei na década de 1980, ficando os anos 1990 a atualidade um novo texto.

                                           Texto: Prof. Antonio Jose Mambenga
                                            Valença do Piauí, 04/05/2019





sexta-feira, 5 de abril de 2019

ACERVO MUSEOLÓGICO DE VALENÇA DO PIAUÍ

Todo povo tem sua História construída ao longo do tempo, através de fatos e acontecimentos que vão formando o patrimonio material e imaterial de cada comunidade. O tempo se encarrega de marcar o modo de viver e conviver da sociedade os avanços, os comportamentos e retrocessos. Tudo isso uma marca o estilo de vida e o apego a cada coisa. Daí surge a necessidade de um local para ser guardado todo este acervo, e o local propício é o museu que funciona como o guardião de História e cultura de um povo através da memória incrustada nos objetos que marcaram o estilo e comportamento de época.
Em Valença do Piauí, não é diferente, grande parte destes objetos estão expostos no Museu do Município que funciona no sede da Secretaria Municipal de Cultura. O acervo é bastante diversificado, com peça raras que mostram a cotidianidade do povo valenciano ao longo do tempo, bem como peças oriunda de outras localidade da Região. Existem mostra de material paleontológico, como fósseis, bem como artefatos de pedra, as famosas machadinhas que denotam a passagem do homem pre histórico ´por nossa região.
Uma das peças bem raras é uma gargalheira de prender escravos e uma corrente, proveniente da Fazenda Tapera, uma serra que foi utilizada na construção da Igreja Matriz Nossa Senhora do Ó nos anos 90 do século XIX.
O Museu Municipal de Valença, possui um acervo fotográfico que mostra os momentos que marcaram a sociedade valenciana. Mobiliarios antigos e peças de louças porcelana e cerâmica utilizadas pelas familias valencianas.
O Museu Municipal de Valença, possui cerca de 550 peças catalogadas, é bastante visitado tanto pelos habitantes da cidade, como por turistas que visitam a cidade.
Em Valença do Piauí, além do Museu Municipal, existem pessoas particulares que também possuem seus acervos museológicos, como a Historiadora Sonia Bomfim, que mora num casarão  construído no final do século XIX, onde possui várias peças antigas formando o mobiliário do seu lar, conhecido como Casa da Tia Dina. O casarão onde a Historiadora Sônia Bomfim mora faz parte do roteiro turístico da cidade e é muito visitado pela beleza das peças e pela própria história de cada peça.
Outro local de memória na cidade de Valença do Piauí, é O Espaço Cultural Progênie de Mãe Luiza Caboré, localizado na Rua Edmundo Soares no Bairro Lavanderia, organizado e mantido pelo Prof. Historiador Antonio Jose Mambenga. O referido acervo é formado por várias peças de metal, louças, cerâmica, fotografias e livros antigos, fotografias, cédulas antigas, moedas, imagens católicas, e uma coleção de rochas com exemplares oriundos de quase todo |Brasil e alguns países do mundo. A coleção não é de "pedras preciosas" e sim formada pela procedência da Pedra. O local há três anos participa de Semana Nacional dos Museus e da Primavera dos Museus, onde tem sua programação local.
As visitas ao Museu Municipal localizado na Secretaria de Cultura, Ao Acervo Historico Cultural da Historiadora Sônia Bomfim e ao Espaço Cultural Progênie de Mãe Luiza Caboré, são agendadas.
O certo que estas instituições de acervo museológico em Valença do Piauí, servem como guardiãs da memória do povo valenciano e como local de manter viva a história do cotidiano do nosso povo.

Texto: Prof. Historiador Antonio Jose Mambenga
            Valença do Piauí,   05 de abril de 2019

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

CARNAVAL 2019 - VALENÇA DO PIAUÍ


                                CARNAVAL 2019 É EM VALENÇA DO PIAUÍ
A cidade de Valença do Piauí, situada a 210 km da capital Teresina, realiza neste ano de 2019 um dos melhores carnavais do interior do Piauí. Para tanto a Prefeita Municipal Ceiça Dias, não mediu esforço para se adequar a realidade econômica do país, e poder proporcionar ao folião valenciano e aos turistas que optarem pela cidade, se deleitar com o carnaval da cidade.
A organização do evento ficará a cargo da Secretária Municipal de Cultura e Turismo, Andreyane Martins e sua equipe de trabalho, mediados pelo o Vereador e Produtor Cultural Leilivan Martins.
A cidade já vive o clima carnavalesco, já ocorreram as prévias para o lançamento do tema que será desenvolvido pelos os blocos organizados, bem como a escolha do garoto e garota carnavalesco 2019, cuja  final é realizada na sexta feira que antecede o carnaval no grande Baile intitulado como uma noite no Hawai, cujo  tema será uma alusão a fantasia, sob a organização do Promoter  Railson Lima(Rarrah), momento também que ocorre o Concurso de Rei e Rainha do Carnaval 2019. Neste ano os olhares se pontuaram para a figura do folião Nemésio Soares, por preencher os requisitos pertinentes ao rei, seja na espessura seja na elegância. ,Nemesio assume atualmente o papel do folião Zé da Chica,(in memorian), que por sua transcendência, foi substituído pelo  Francisco Prudencio, que mudou de credo religioso no cristianismo, o que levou o Némesio Soares, ser  aclamado como sucessor do folião Zé da Chica. Neste ano o Carnaval de Valença, consta com um numero bastante razoável de blocos. Cerca de 14 blocos  se inscreveram , são eles : Bloco Talvez, Bloco Desmantelo, Os kafagestes , Os cachorrões , Bloco Opa!, Bloco os Lecs, Bloco Chama na Labigás, Bloco os Boêmios, Bloco Vai por Mim,Bloco Azam-Bujão, Bloco Kapiteriores, Turma da Esquina, Bloco os Papudinhos, Bloco  FB Pinturas, e o grupo amigos do Zé da Chica. Cada um realizou suas prévias e participará do corso no sábado, e prometendo muita animação.
O carnaval de Valença do Piauí , se destaca dos demais do interior do Piauí, por seguir uma tradição que atende o gosto musical  e estético do  folião da terceira idade, que prefere as marchinhas, os jovens que se optam pelos sons e ritmos hodiernos  e as crianças, com animação e atrativos infantis. Tudo isso faz a diferença e o protagonismo de cada faixa etária.
O tema deste ano está voltado para um dos codinomes que a cidade já recebeu, daí a Secretária de Cultura é Turismo Andreyane Martins em comum acordo com sua equipe de trabalho  codinominar como” Carnaval Sorriso “ a nossa festa,  que se somados a animação de cada um, tudo se transforma em alegria e bem – estar total .
Para o carnaval de Valença do Piauí, atingir este padrão, foi preciso um querer da Gestora Municipal Ceiça Dias, em manter viva a chama cultural da cidade na organização de eventos e manifestações alusivas as tradições populares em sinal de respeito ao querer popular especificamente aqueles que querem ver o  engrandecimento, e manutenção da cultura de raiz .
A Prefeitura Municipal através de sua Gestora Ceiça Dias, da Secretaria de Cultura e Turismo Andreyane Martins, contrataram boas Bandas: Patente A, Danny Mellody, Edy Sakana, Fafá Santana , Pilera ,Pegada para Moer, Os Brotheres ( Fortaleza) . Vanvan Elétrico,l Montagem Elétrico e a Suingueira Dr. Pop, e bons paredões para animar os intervalos e fazer o esquenta. Além de contar com o apoio da Polícia Civil, Policia Militar, Seguranças particulares e bombeiros civis . Haverá também no Corredor da Folia e Terminal Rodoviário, duas viaturas da Policia, duas ambulâncias, com enfermeiro(a), técnico de Enfermagem e motoristas para atendimento de Primeiros Socorro; uma cabine para imprensa, e uma linda decoração temática, dando ar de brilho e elegância ao folião .
Em Valença do Piauí, o carnaval mexe com o folião, ninguém consegue ficar em casa porque  as opções são múltiplas, cuja excentricidade permeia entre os sonhos ou mesmos fantasia individuais e coletivas,  emolduradas pelo  folião, cuja metamorfose se evapora entre o ser e as delicias do querer, porque somente o período momesco é capaz de cristalizar utopias em realidade. Nas prévias , o chamado é feito, no corso é o momento que a imaginação aflora e nos dias que seguem, a  animação toma conta, seja com, ou sem fantasia, abadá , ou fora dele , porque os que optam para ir de si próprio, também fazem a diferença . É no corso onde a criatividade se explode, seja no carro alegórico ou no chão como muitos preferem por ser diferente, nomes como:  Lucinha do Samba , Aldenora da Matança , Fuxa , Nemesio Soares, Januaris , Paulim Treme Terra , Zorro, Bambolin, Dona Maria Elisa, Silvana dos Campestres, Besouro, Messias, Prego no Pé e tantos outros, conseguem manter viva esta magia chamada Carnaval, como personagens e tipos característicos, de Valença, que durante o período carnavalesco, fazem a diferença.
            O epicentro, ocorre no Terminal Rodoviário, montado com uma boa infra estrutura, palco, som, iluminação, barracas de bebidas, praça de alimentação, segurança, estande  da saúde. Enquanto o Corredor da Folia, se abre para funcionar com o vai e vem dos foliões, se estendendo do cruzamento da Rua Cícero Portela com a Rua Epaminondas Nogueira até a Praça Getúlio Vargas, todo decorado dando assim um aspecto apoteótico ao carnaval de Valença. É neste  Corredor da Folia, onde descem e sobem os paredões do som, conduzindo os blocos, com parada obrigatória no Bar do Nelsim, o maior é mais animado clube de rua da Região. Central do Piauí. De lá  o folião desce com opções de degustar um Açaí , e bem como saborear o melhor espeto e arrumadinho da cidade, o Bode Branco, confeccionado pela Zazá Mambenga, sob a Coordenação da Fernanda e Dona Maria. Ainda neste Corredor da Folia, você desce até a Praça Getulio Vargas, no Espaço Zé da Chica, onde funciona as marchinhas Carnavalescas, local de encontro dos que optam pelo o carnaval tradicional. O espaço, também muito bem decorado, cuja a animação ficará com Dodô Leite e Banda. Lá é comum  as pessoas usarem suas fantasias temáticas e realizarem um concurso para escolherem as mais bonitas e originais.
            O Carnaval de Valença se estende aos bares, no caso do  Bar da Onda na Rua Deputado Zé Nunes, cuja  animação, será com a banda Kapiteriores e Tendência do Forró e também som mecânico com marchinhas tradicionais,.
            O Crovapi, também abrirá suas portas e fará os seus vesperais no domingo, segunda e terça-feira. Na segunda-feira, do Crovapi  sairá o maior bloco carnavalesco Infantil do Território do Vale do Sambito, organizado pela Secretaria de Cultura, com apoio de Vereador Leilivan Matins, o bloco será animado pela a TURMA DA ALEGRIA e vai até o Espaço Zé da Chica. Outro espaço que desponta neste ano, é o Xique- Xique, além de servir como concentração dos blocos para desfile até o Terminal Rodoviário, ele também terá som mecânico para animar os foliões . Existem outras opções no carnaval Valenciano, como: O Balneário Santa Rosa, cujo  mergulho nas suas águas frias e transparentes rejuvenesce suas energias. A Cachoeira da Fazenda Velha, um encontro impar com a natureza. A Barragem Mesa de Pedra, cujo o espelho da água encanta o gosto estético do mais exigente Narciso. O banho nas águas  do Rio Sambito,na Ponte, nos limites com Aroazes, lhe proporcionam mais energias.  As opções não param por aqui. Neste mesmo período é realizado o Festival do Senhor na quadra do Colégio São Francisco na avenida 15 de novembro, sob a organização dos carismáticos da Igreja São Francisco e da Igreja Nossa Senhora do Ó. Outros Credos religiosos cristãos,  também se recolhem para jejum e orações. O que se percebe que enquanto uns se divertem outros se dedicam ao recolhimento e orações cujas súplicas são atendidas pela Divindade  Superior e retornam em forma de paz.
A AABB também terá sua programação carnavalesca  durante o período  Momesco com muitos atrativos. No meio de tudo isso, há bastante tempo ocorre na Rua Deputado José Nunes o Carnalinda, organizado por um grupo de amigas que durante o período carnavalescos realizam sua festa, além de ser um espaço aconchegante,  é decorado conforme o gosto estético das organizadoras, momento que escolhe a Rainha que têm um reinado de 6 meses a que fica em primeiro  lugar e 6 meses a que fica em segundo lugar e assim o Carnalinda, é também um dos atrativos do Carnaval Valenciano. Assim é realizado o carnaval em Valença, som, atrativos e coberturas especificas pelos portais locais e regionais, Mídia televisiva, emissora de rádios, rede sociais e o  NW-DRONE.
            O Carnaval sorriso do Piauí , é em Valença , vem brincar com agente!
TEXTO: Prof. Antonio Jose Mambenga
Valença do Piauí, 22 de fevereiro de 2019

domingo, 17 de fevereiro de 2019


                             DOMINGOS FERREIRA – UM ANO DE ENCONTRO COM DEUS

        A  vida é um espaço que se percorre andando. Às vezes se torna grandioso, outras tão minúsculo que mal percebemos que somos capazes de acreditar na certeza do dever cumprido. Mas são estes momentos que evaporam ou elastecem para encontrar refúgio nos locais mais inesperados.
        A década de 1910 passava do meio. A famosa seca 1915 ainda permeava entre a memória das pessoas, mais pela forma negativa do que positiva pelas lembranças da dor e do sofrimento. Mas precisamos entender que nada é permanente, tudo se transforma.   
        Mesmo sem usufruir das quatro estações do ano, o calendário acusava o mês de setembro, um dos meses mais simpáticos do ano pelas comemorações que ocorrem, especificamente por ser o dia 16 o escolhido para vi o mundo a criança que na pia Batismal foi confirmado o nome de Domingos e no cartório o acréscimo de Ferreira.
        Foi neste clima de  primavera que no   povoado Papagaio,    hoje    Francinópolis, o
Casal, Manoel Ferreira e Margarida, no ano de 1919 recebiam o filho Domingos.
         A criança teve uma infância normal, típica das crianças de época ajudava os pais nos afazeres pertinentes à agricultura e similares seguindo os paradigmas que regiam o mundo que se encontrava em plena I Guerra Mundial nas nações européias, embora os ensinamentos familiares, as doutrinas religiosas serviram de base para viver e conviver com as outras crianças da própria comunidade.
         Como cristão, participava dos novenários do mês de maio, dos festejos de São Francisco de Francinópolis e de outras festividades típicas da circunvizinhança. Gostava de participar do Reisado, do Bumba-meu-boi, onde vestido de branco bailava interpretando a personagem da “burra” ou da “ema”. Tudo isso lhe fazia bem e aumentava o conceito de bom filho e amigo da população um servidor de Deus.
          Quando participava destas festividades e nos momentos de folga ajudava nos afazeres de casa preparando a festa, assando as leitoas, carneiros ou mesmo organizando as prendas para o leilão.
           Quando da passagem da Coluna Prestes, pelo Papagaio em 1926,  Domingos ficou muito receoso pelas histórias que ouvia falar, daí, não ter feito nenhuma objeção e seguir os conselhos de seu genitor e se refugiar longe da cidade.
            O tempo passou, Domingos, veio morar em Valença, onde montou uma pensão,  para receber estudantes que vinham para estudar no ginásio do Pe. Marques. Nesta mesma pensão, tinha o serviço de restaurante onde servia comidas típicas e convencionais o que fez o deleite da população pelas iguarias que preparava,  atendendo o paladar do mais simples ao mais sofisticado.
            O tempo passou, a idade avançou, surgiram os problemas de saúde, o que não foram empecilho para retirar o lado família, cuidando de seus sobrinhos que vinham para estudar ou mesmo para enfraquecer seu dom fraternal.
             Católico praticante, não faltava a missa aos domingos especificamente no turno da manhã. Era membro do Apostolado da oração e usando no bolso sua fita símbolo. Devoto de Nossa Senhora do Ó e São Benedito, Divino Espirito Santo onde recebia a imagem na sua residência anualmente. No período da Semana Santa, praticava o Jejum e abstinência de carne nas quarta e sexta-feiras da Quaresma. Anualmente participava da procissão de Bom Jesus dos Passos, conduzindo a lendária flor de “passos”, sendo que era um dos membros dos que conduziam Nossa Senhora das Dores, saindo da Igreja Matriz.
         No mês de maio, durante toda sua vida adulta, preparava em sua residência o altar dedicado a Nossa Senhora e durante todo mês rezava o terço. Era comum ter as “Santas convidada” para o altar, uma Nossa Senhora da Conceição em madeira da devoção do Senhor Chico Zeca.
          Um dos momentos bem sublimes de sua vida foi quando comemorou 80 anos. Convidou os familiares, amigos de Valença, Elesbão Veloso, Francinópolis, Aroazes e Teresina, para juntos confraternizem; A celebração religiosa, uma missa foi celebrada na Igreja matriz Nossa senhora do Ó, pelo Pe. Marques, seu grande amigo e a parte social, no CROVAPI club através de um farto jantar e musica ao vivo.
           Domingos, era muito família, seus sobrinhos considerava como filhos. Eles carinhosamente chamavam de “Padim” – Tudo era alegria, mantinha uma boa amizade com eles embora fosse muito severo para que não sofressem as consequencias do mundo  fora de casa.
          Maria da Cruz, Maria das Graças, Maria do Rosário, todos ele tinha um carinho especial porque eram os mimos de sua vida e o deleite de sua existência.
           No final da vida, foi morar em Elesbão Veloso, embora jamais tenha esquecido Valença e os bons momentos que aqui passou. E no dia 18/112012, faleceu, sendo sepultado lá mesmo em Elesbão Veloso, talvez contra sua vontade, porque amava Valença.
            Foi o homem, ficou a História, que  se perpetuou na Memória de cada um de seus familiares e amigos.

                                                    Valença do Piauí,  28 de novembro de 2013

TEXTO: Prof. Esp. Antonio Jose Mambenga