terça-feira, 1 de maio de 2018

EM VALENÇA DO PIAUÍ, O 1º DE MAIO, É DIA DE COLOCAR FLORES NAS PORTAS FRONTAIS DAS CASAS


             EM VALENÇA DO PIAUÍ, O 1º DE MAIO É DIA DE COLOCAR FLORES NAS PORTAS DAS CASAS
                                                             Prof. Esp. Antonio Jose Mambenga
        A cidade de Valença do Piauí, guarda na sua História muitas manifestações culturais, uma delas é colocar flores nas portas e janelas no dia 1º de maio de cada ano. O costume é bastante remoto,  trazido pelos primeiros habitantes no início da colonização desta região ainda no século XVII.
        A História Oficial, aponta a presença do colonizador   por estas plagas por volta da segunda metade do século XVII, quando da presença do Bandeirante Domingos Jorge Velho e seus comandados, no vale do Rio Santa Catarina, atual Rio Catinguinha ou suas imediações, onde foi fundado o Arraial dos Paulistas.
                                                                   “O Arraial de Paulistas” foi o único centro urbano do  Piauí
                                                                   no século XVII, e sucumbiu ante a escassez de índios   para
                                                                   serem capturados como escravos, ... Nos escombros  da po-
                                                                   voação foi erguida a atual cidade de Valença do Piauí,   no
                                                                   centro-leste do estado .(SILVA: 2008 – p 36)
                               
         Este povo, vinha provido de hábitos e costumes oriundos de seus ancestrais, dentre as quais a tradição de colocar flores nas portas e janelas na noite de 30 de abril, para saudar o 1º de maio, acredita-se ter iniciado neste período. Aqui os bandeirantes, passaram cerca de 16 anos e  deram continuidade, repassando aos habitantes  do Arraial de Paulista, os hábitos e costumes que absorveram com seus ancestrais na terra berço. O tempo se encarregou de cristalizar na memória de cada um, como deveria ser visto o dia 1º de maio de cada ano. Outros moradores foram chegando e se adequando a realidade local, até construírem uma identidade própria mesmo tendo  que se adaptar a realidade de cada um, seguindo o princípio que “o homem é produto do meio que vive”.
                                                              Segundo a tradição em parte do norte de Portugal, na noite de
                                                              30 de abril para 1º de maio, muitas pessoas colocam maias (gi-
                                                              estas floridas) nas portas das casas para lembrarem o     tempo
                                                              da fuga de Jesus para o Egito Noutras terras colocam      maias
                                                              no  ferrolho da porta para serem protegidos  das doenças e dos
                                                              Espíritos maus.(MOTA: 2012)   
            Assim foi passando de geração para geração esta tradição de origem europeia na atual  cidade de Valença do Piauí. Embora sofrendo adaptações conforme a época e limitação cultural de cada família. Todavia, é comum observar a forma como são tratadas as flores que são colocadas nas portas. Convem dizer que em Valença, as flores são colocadas nas portas e janelas no amanhecer do dia 1º de maio, dependendo do despertar de cada um. Os que acordam mais tarde, assim fazem mas ninguém, se arrisca colocar pós as 9 horas da manhã, primeiro pela temperatura ser alta oscilando entre 28° e 35° Graus  e comumente o 1º de maio raramente amanhece chovendo.
              Minha mãe, Sra. Benedita Luzia(1922-2017), cultivava plantas, dentre elas um exemplar de buganville vermelho, ofertado por sua madrinha Maria Juvina, quando ainda morava na Rua Areolino de Abreu, e a medida que mudava de endereço, providenciava uma muda para nova residência. Além da buganville, cultivava outros tipos de flores, como margarida, bredo, jasmim, e bugarim, para que  no dia 1º de maio, não lhe faltasse flores para colocar nas portas e janelas da casa onde morava. Neste dia tudo era motivo de  festa. Acordava muito cedo, colhia flores do pequeno jardim e complementava com flores silvestres colhidas nos arredores da casa e circunvizinhança, e colocava nas portas e janelas frontais, e na porta de entrada, fazia uma espécie de  tapete.  Com as demais, cumpria o mesmo ritual enfeitando tambem a casa dos filhos que moram próximos. Quando acordávamos, era bonito ver a singeleza das flores cultivadas e das flores campesinas ornamentando nossas portas e janelas e melhor ainda era saber que eram colocadas por nossa mãe. Às vezes “a maioria eram flores do campo, que deixavam transparecer até nos mais distraídos a singeleza da vida bucólica”, ali incrustada.
       Em Valença, o costume de colocar flores nas portas no dia 1º de maio, para o imaginário das pessoas, funciona como uma saudação ao mês de Maria, Mãe de Jesus, que conforme a tradição,  neste dia, a Mãe de Nosso Senhora Jesus Cristo, percorre toda cidade, abençoando as residências ornamentadas com flores.
                                                 Maio recebeu o nome do deus Maius que era o   deus da  primavera
                                                 E do crescimento. Para outros vem de Maia, mãe de Mercúrio.    As
                                                Celebrações em honra de Flora, a deusa   das flores e da   juventude
                                                (mãe da Primavera).  Iniciavam o novo ano agrícola e atingiam,    na
                                                Roma antiga, o seu clímax nos três primeiros dias de Maio. A Igreja
                                                Católica declarou Maio como o mês de Maria, a mãe e rainha.(MOTA:
                                                2012).
     
          No entardecer do dia 1º de maio, bem na hora do crepúsculo, quando as atenções se voltam pra o momento do Angellus, é comum as famílias valencianas que ornamentaram  suas residências com flores, ascenderem uma fogueira para iluminar a passagem de Nossa Senhora, que novamente faz o sentido contrário da visitação matutina, em sinal de agradecimento.
          O objetivo da fogueira, é se por acaso, Nossa Senhora, durante a passagem matutina, tenha passado na  residência, e ainda não estivesse ornamentada,   a luminosidade da fogueira ao anoitecer, serve como indicativo, que os moradores cumpriram com a tradição, mesmo fora do horário. Quando da Passagem Nossa Senhora,  abençoará a família e tudo fica resolvido. E como   tudo tem um tempo, a medida que a cidade foi crescendo, a fogueira foi sendo substituída por iluminação elétrica, fincada em postes de cimento.
          É comum também as famílias colocarem uma lâmpada na frente da casa, ou mesmo, acender uma vela de preferência de cera de abelha silvestre e na ausência desta uma vela branca comum. Enquanto isso, nos bairros mais distantes e na zona rural a tradição da fogueira ainda permanece em voga.
           Na  década de 1940, quando a cidade se resumia entre a ruas do Maranhão, rua do Fio, rua do Fogo, Largo da Bela Flor, Cacimbas, Casa do Loreto e outras poucas casas na atual Rua Areolino de Abreu, no dia  1º de maio, a cidade era acordada pela cantoria do Ofício de Nossa Senhora, puxado por Dona Tereza Preta, moradora num casebre onde atualmente é a Casa Renascer, Dona Felisbela, mãe do Antonio de Mato, Dona Felícia, mãe do Pedro Mudo, ex-serviçal da Casa do Padre Aristeu, que morava na Casa Grande da Tranqueira, Dona Antonia, Mãe de Siá Chica Paraguai e tantas outras.  Das Cacimbas, participavam: Dona Josefa e Dona Matildes, irmãs de “seu” Lucas de Dona Neguinha. E  do Sítio Betel, eram presenças garantidas, a mãe da Maria Pretinha, Chiquinha Furtuosa,  Dona Maria Germana e a mãe do João Urubu. Estas mulheres, faziam a diferença, saiam cantando  em alta voz o Ofício de Nossa Senhora, rua acima e rua abaixo, numa linguagem entre a língua oficial e um latim, conforme aprenderam pela oralidade. Elas conduziam muitas flores, algumas  cultivadas  e a maioria eram  silvestres. O ritual era exótico, mas em momento algum se tem notícia que foram clicadas pela lentes do fotógrafo de época, Sr. Benedito Macaco, pai da Maria Macaquinha. O certo é que além de passarem pela Igreja São Benedito, e Nossa Senhora do Ó, onde deixavam parte das flores, tinham paradas nas casas de suas patroas, locais que  durante o ano exerciam prestação de serviço, umas como cozinheiras, outras como  lavadeiras de roupas, babás, ou mesmo como operárias no período da colheita dos cajus. Dentre elas, existiam aquelas que eram boleiras, e/ou outros serviços típicos de época como botadeiras de água do Rio Catinguinha para o consumo doméstico.  Muitas vezes paravam, na Casa da Dona Dina Dantas, Dona Odila Martins, Dona Chiquinha de “Seu” Abdon,  e de Dona Maricas do Sr. Clovis, aonde aumentavam a voz para que Nossa Senhora ouvisse melhor suas vozes. Examinadas  o porque das paradas em pontos estratégicos, Tereza Preta como era mais extrovertida, respondia: -- São estas pessoas que nos socorrem no momento que mais precisamos durante o ano todo e neste dia, somos gratas a Nossa Senhora e a elas pelos que fazem por nós. Em cada uma destas casas elas deixavam flores que somavam com as já existentes embelezando a cidade de Valença e mantendo viva a tradição do 1º de maio.
           O certo é que no 1º de maio, a cidade de  Valença do Piauí, era contemplada com a manifestação cultural das flores nas portas das residências, e a cantoria do Ofício de Nossa Senhora,  protagonizado por estas senhoras simples e anônimas que tinham uma forma diferente de saudar Nossa Senhora  pelas benesses recebidas e suas patroas pelo serviço que lhes davam durante o ano.
          Assim, a tradição era mantida e ainda continua na contemporaneidade, mesmo tendo ficado apenas na memória a participação das senhoras cantoras, que eram vistas mais pela forma exótica de manifestação de que mesmo como expressão de uma cultura popular e laicista,  mantida em nossa cidade  por muito tempo. Atualmente o 1º de maio é lembrado mais pelas flores colocadas nas portas e janelas das casas enquanto a memória se encarrega de atiçar as mentes atentas que garimpam os modos,  hábitos e costumes de nosso povo num determinado tempo histórico que ocorria no 1º de maio.

BIBLIOGRAFIA

CARITA, Lourdes, Tradição das Maias ... uma pratica tradicional e intercultural Recordação cristã e pagã – 12/05/2012 – Blog: http://abemda nação.blogs.sapo.pt 
MAMBENGA, Antonio Jose, Em Valença-PI,  Colocar Flores Nas Portas No Dia 1º de Maio é Mito Ou Tradição?:  www.tribunadevalenca.com  -  01/05/2017
MOTA, Maria do Céu, Maias à porta do 14º de Maio. https: www.aventar.eu – 01 de maio de 2012
SILVA, Reginaldo Miranda da, Piauí de Paulista, Revista História da Biblioteca Nacional, ano  03 – Nº 34 – Julho de 2008 – Rio de Janeiro - RJ  

sexta-feira, 27 de abril de 2018

HISTORIA DA COMUNIDADE PAI PEDRO EM VALENÇA DO PIAUÍ


        HISTÓRIA DA COMUNIDADE PAI PEDRO EM VALENÇA DO PIAUÍ


     A cidade de Valença do Piauí, situada na Mesorregião Centro Norte Piauiense, no Território do Vale do Sambito, possui uma área territorial de 1.033 km². É formada por uma zona urbana e a zona rural constituída pelas  comunidades campesinas, dentre as quais uma por nome Pai Pedro, localizada entre os povoados Isidória, Buritizal, Palmeirinha e Cumbe.
      A boa localização geográfica, formada por um solo fértil,  onde os moradores cultivam, cana de açúcar, arroz, milho, feijão e mandioca.
       Vestígios arqueológicos apontam a presença humana há cerca de 7 a 12 mil, conforme a arte parietal existente em abrigos rochosos, próximos ao Arco da Igreja, morro do Pereira e imediações. 
        Passado o período Pré-histórico, a História pontua a existência de antigos moradores na comunidade, atraídos pela existência de brejos, que favoreciam o plantio na entre safra  e a criação de gado.
        Notícias apontam que a comunidade funcionava como um corredor de passagem de transeuntes, e caminhantes, que iam e vinham entre as comunidades circunvizinhas, bem como mangaeiros,  em cujo labor tinham como parada obrigatória o local para  compra ou mesmo, a comercialização de seus produtos. Outros paravam, mais para descansar das longas jornadas.
         Por volta de 1910, o Sr. Pedro Dias, oriundo da Ribeira de Picos-PI, atual cidade de Santana, numa viagem de negócios para localidade Coroatá, atual cidade de Elesbão Veloso-PI, hospedou-se na residência do seu irmão João Dias, que morava na comunidade Brejo, atual Pai Pedro. A escolha foi feita pelos laços familiares, e tambem, para conversarem ou mesmo  para repouso da cansada viagem. Quando isso acontecia, era uma festa, primeiro por rever familiares, segundo pelas notícias de familiares e outros temas afins. Neste dia foi diferente, a conversa entre os dois e a família do Brejo se prolongou por muitas horas. Nem mesmo o canto rouco da coruja, e o canto estridente do galo, foram suficientes para anunciar que já passavam de meia noite.
           Assuntos não faltavam, uma história puxava outra, mas o Sr. João Dias, anunciou que ia se recolher para dormir os demais  membros da familia que ali estavam,  seguiram o patriarca.
            No romper da aurora, o Sr. Pedro, levantou-se, fez suas orações matutinas e rumbeia com destino a roça do brejo, onde pastavam seus animais. Seu irmão, João Dias, deu notícia do levantar do hóspede irmão, pelo ranger da porta quando esta foi aberta e também pelo latido consistente dos cachorros, anunciando sua saída rumo a roça do brejo para buscar os animais.
               O Sr. João Dias, não se preocupou, uma vez que, antes de dormirem, quando ainda conversavam na sala de frente, Pedro Dias, havia falado que na primeira barra do dia, ia buscar os animais e prepara-los para seguir viagem rumo ao Coroatá.
         A natureza já dava conta que o dia já estava amanhecendo, pelo canto das casacas, dos coquis e de tantas aves campesinas que saúdam o amanhecer. O Sr. João Dias e familiares, já estavam de pé. Sua esposa nos preparativos do café da manhã, naquele dia, seria um cardápio diferente, pois   sentaria a mesa com eles  um membro muito querido da família, Pedro Dias, o irmão mais velho.
         As horas  passavam, o Sr. João Dias, fitava o olhar para o caminho, e nem sinal de Pedro. O irmão achava esquisito tanta demora. Não suportando mais, resolveu ir ao encontro, chamou um de seus trabalhadores e seguiram para saber o que havia acontecido. Para sua surpresa, ainda numa distância aproximada de uns 30 metros, bem na curva do caminho, onde existia uma antiga  mangueira, Pedro Dias estava caído no chão, como se estivesse tropeçado nas raízes expostas da antiga árvore. Pedro Dias, já estava sem vida. Para seu irmão, foi uma surpresa tamanha. Trêmulo e sem alento, pede ao trabalhador que havia lhe acompanhado para retornar até sua residência e comunicar o ocorrido a esposa, aos demais familiares e vizinhos próximos
          O velório, foi realizado na residência do Sr. João Dias e como não tinha como levar o corpo para Santana, Pedro Dias, foi sepultado, na própria comunidade Brejo.
          A notícia se espalhou pela comunidade e circunvizinhança, porem seus familiares que residiam em Santana,  vieram apenas para visita de sétimo dia, mas anualmente seus netos, vinham visitar sua cova. E como em vida, chamavam o avô de Pai Pedro, quando se reuniam para planejar a viagem, era comum dizerem:   -- Vamos ao Brejo, visitar a cova do Pai Pedro, ou mesmo quando chegavam, na residência do Sr. João Dias, formulavam o mesmo convite: -- vamos visitar a cova do Pai Pedro ou mesmo, os moradores sempre que tocavam no assunto, faziam alusão a cova do Pai Pedro, seja quando visitavam também o campo santo, ou nas conversas sobre como tinha ocorrido a transcendência do ancião.  Assim, o nome Pai Pedro, foi se tornando popular e  referência para codinominar a comunidade Brejo, cujo espaço, passou ser conhecido em toda região e em documentos oficiais, como Pai Pedro.
          A localidade, possui uma beleza impar, formada por  paisagem exuberante, um solo fértil, um povo ordeiro e trabalhador, onde desenvolvem atividades agrícolas. Um relevo, formado por vales, onde se localizam os brejos com um numero bastante acentuado da palmeira buriti, bem como, muitas formações geológicas do estilo cabeça, cujos contornos foram moldados ao longo do tempo através da erosão eólica e pluvial, bem típicas da região central do Piauí, onde predomina o relevo conhecido por “Cuestas do Centro”.
          Nos grandes paredões de pedras, são encontradas muitas formações que receberam nomes populares como: Arco da Igreja, Pedra do Papagaio, Dedo de Deus, Pedra do Vigilante, além de outras formações onde existem pinturas rupestres, dentre elas, a Caverna do Cururu.
     Outros grandes atrativos, estão no Morro do Pereira, uma formação rochosa com mais de 30 metros de altura, onde existem vários  abrigos e um painel com varias pinturas rupestres na cor vermelha, conhecido por Abrigo das Ovelhas, o Poço do Cágado, onde existe as nascentes do riacho que corta o brejo.
       O Morro do Pereira, é cheio de mistérios e lendas, muitas delas com conotação  do sobrenatural, onde o povo da ufologia acredita  ser um local propício para pouso de disco voadores.
        Atrativos é que não faltam na comunidade Pai Pedro, a Pedra da Curva tem várias pinturas rupestres, a Serra da Prata, conhecida por sua exuberância, bem como as lendas e mistérios que povoam o imaginário popular, além de possuir  reserva de salitre, tanto que o Sr. Saló, grande artesão de foguetes e similares em Valença, vinha pegar esta matéria prima para confeccionar fogos, bombas, traques, e tantos outros artefatos. O pontal da Serra da Prata, servia de base para pouso de helicópteros dos americanos, quando estiveram em Valença, nos anos 1950, realizando  pesquisas geodésicas.
       O patrimônio material e imaterial da comunidade Pai Pedro, é bastante eclético. O primeiro formado pelas construções de pedras e tijolos, como a casa do Sr Jose Cipriano Barbosa, que existe há mais de um século, cujo mobiliário rústico, confeccionado por artesãos anônimos, resistem ao tempo para servir de base para se contar a História. São Baus, malas, camas cobertas de couro de boi, arados, pilões,  mesas, cadeiras,  bancos, prensas, gamelas e oratórios dedicados aos santos de devoções. Quanto ao patrimônio imaterial,  as referencias estão atreladas ao Morro do Pereira, a lenda do Galo no Arco da Igreja,  e ao Gritador, as bolas e rodas de fogo que aparecem nas noites escuras de verão.
       A comunidade Pai Pedro, destaca-se pela religiosidade desde os mais antigos moradores através dos novenários dedicados aos Santos de devoção, dentre eles podemos citar o festejo de São Sebastião, realizado por Dona Francisca Rosa de Sousa, anualmente, no mês de janeiro, cuja devoção serviu de base para que esta comunidade se mantivesse na fé.
        Atualmente, a comunidade se ufana por ter, oriundo dela um diácono permanente,  Evandro Sousa, cujo trabalho tem servido de referencia para outras comunidades de igual porte que se irmanam para propagação e manutenção da fé.

                      Valença do Piauí, 28 de abril de 2018
                                    Texto: Prof. Antonio Jose Mambenga
                                          Especialista em História do Brasil
                                                             


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO EM VALENÇA DO PIAUÍ


O Ginásio Santo Antonio, foi fundado no dia 03 de dezembro de 1949, numa reunião ocorrida numa das salas do Grupo Escolar Cônego Acylino, pelo Pe. Raimundo Nonato de Oliveira Marques.   Esta fotografia, mostra a farda original da referida escola, por ocasião de um Desfile Cívico     organizado pela Diretora Profª Etevalda Oliveira,  na segunda metade dos anos 80 do século XX. A História de um povo é contada através de fatos e acontecimentos e como diz Peter Burker: A função do historiador é lembrar a sociedade daquilo que ela quer esquecer. Estou fazendo a minha parte!


domingo, 7 de janeiro de 2018

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO EM VALENÇA DO PIAUÍ




O Instituto Santo Antonio, foi fundado em Oeiras-PI, em 1943, e transferido para Valença do Piauí, em 1948. Esta foto mostra o primeiro uniforme da escola em Valença-PI, por ocasião de um desfile Cívico, na segunda metade da década de 1980 do século XX, quando o Colégio Santo Antonio estava sob a direção da Profª Etevalda Oliveira. A História de um povo é contada com fatos e acontecimentos.
Acervo fotográfico: Prof. Antonio Jose Mambenga

sábado, 6 de janeiro de 2018

PE. MARQUES UM ANO DE ENCONTRO COM O PAI CELESTE

                                                     Acervo: Profª Maria do Amparo Coelho


Dia 29 de Janeiro, completará um ano do encontro definitivo de Pe. Marques com o Pai Celeste, para marcar a data, a Profª Maria do Amparo Coelho, sua sobrinha, está organizando uma Celebração Eucarística, na Igreja de São Raimundo Nonato, em horário ainda a ser definido.A Celebração será dia 28, de já sinta-se convidado(a).
                                                       

domingo, 29 de outubro de 2017

CADA POVO TEM SUA HISTÓRIA, TRISTE DO POVO QUE NÃO TEM HISTÓRIA

                                          Desenho Prof. George Barros                                                                            

    A BALEIA DA IGREJA SÃO BENEDITO, EM VALENÇA DO PIAUÍ, UMA HISTÓRIA QUE ENCANTA
Prof. Antonio Jose Mambenga

A Baleia da Igreja São Benedito, em Valença do Piauí, se agiganta a cada dia, noticias dos que vão e dos que  veem neste mundo "de meu Deus", apontam que sua cauda já está  no estado do Ceará, na cidade de Juazeiro, não sabemos  se debaixo de uma  das  igrejas católicas, ou se da estátua mor do "Padim Ciço". Sabe-se portanto, que alguem já comentou, isso e com muita veemência.  Não me lembro quem, mas acredito que  não foi Mãe Ana, porque esta expirou em 2008. Não foi João Ferry, esse também antecedeu Mãe Ana em 1962. Será se foi  o Pitirrãn? Não! Ele não foi, porque  era afilhado de Dona  Luzia Bem-bem, moradora do Bairro Cacimbas, mesmo sendo casada com Ezequiel, irmão de Lampião(segundo ela) e afilhado de Dona Luzia, tinha que dançar era Roda de São Gonçalo, e não ser acusado de “piar a ema” . Talvez tenha sido Teresa, filha de Maria Branca, mas,  essa também não foi, porque sua irmã Dilurdes, não tinha deixado ela, afirmar esta História, alem do mais Tereza, também, foi casada com Ezequiel, irmão do esposo de Maria Bonita,(segundo o povo), com direito a prole e tudo e moram em Recife. Neste caso, quem foi mesmo que contou esta História da cauda da Baleia da Igreja de São Benedito em Valença do Piauí, ter se elastecido até a terra do Padim Ciço? Evidencias apontam que foi o João Luzia, morador da localidade Ovelha Morta, localizada às margens da Estrada que vai para o povoado João Pires, próximo ao Poço da Burra, acidente geográfico no Rio Sambito. Tudo afunila para ter sido mesmo o  João Luzia, por ser catimbozeiro, e ter encabojado o Boi Serra Grande, filho da vaca preta.  Analizando, não pode ter sido o João Luzia, mesmo sabendo de suas diabruras, ele morria de medo de sua irmã Antonia, porque era casada com o mais respeitado senhor das ciências ocultas da região valenciana, o Sr Cinobilino da Tranqueira.  Finalmente, quem comentou mesmo esta elasticidade da cauda da Baleia até a cidade cearense? Pelo visto, foi Dona Tereza Preta, porque ela morria de medo de ir na rua do Maranhão em Valença (PI), temendo se desequilibrar nos degraus da Igreja São Benedito, cair e seu choro provocar a Baleia despertar do sono profundo ou mesmo se deparar com a Prisilina, querendo lhe entregar a vela da Procissão dos defuntos. Assim, não sei mesmo, quem é o e/ou  a protagonista desta História. O certo é que  a Baleia, está  atingindo outras regiões e novas personagens, meu medo é ela querer ir até a Escócia,  visitar o  Lago Ness. E afoita como ela é, corre o risco de querer mexer no monstro e causar uma reviravolta daquelas ou mesmo gostar e querer ficar morando lá. Duvidar não é preciso! Porque ela pode aprontar. Uma certa vez, num período não tão distante, ainda no século XX , aqui mesmo na cidade, ela quis se candidatar a um cargo majoritário. Examinada de tal pretensão, ela se justificou, “Desejo de salvar o Rio Caatinguinha” e tantos outros elementos da natureza que estão se degradando. Outra coisa é certa, esta Baleia tem feito muito rebuliço.  Ainda bem que o Luiz Carlos da Serra Negra, o Cão,  já levou para o inferno, porque pelo jeito a Baleia é quem quer ser serrada  viva, igual ele fez com a escrava da Fazenda dele e com esta cauda em Aroazes que fica bem próximo da Serra Negra, faz até medo.  “Morrendo o mito, morre o homem, não temos História”.

Valença do Piauí, 29/10/2017

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

COLÉGIO SÃO LUCAS DE PICOS PIAUÍ VISITA SÍTIO ARQUEOLÓGICO DE BURITIZAL EM VALENÇA DO PIAUÍ



             

          AULA PASSEIO DO COLÉGIO SÃO LUCAS EM BURITIZAL – VALENÇA DO PIAUÍ
                                                                       Prof. Antonio Jose Mambenga

A cidade de Valença do Piauí, localizada a 210km da capital Teresina, guarda no seu patrimônio Histórico cultural, um acervo bastante eclético dentro da Arte Parietal, o que denota a presença  humana há bastante tempo nesta região.
Os vestígios arqueológicos deixados pelo homem primitivo, encontram-se em várias partes do município o que tem atraído  pesquisadores bem como visitação de escolas de várias cidades do nosso estado.
Os sítios mais visitados, estão localizados na comunidade Buritizal das Pintadas, especificamente os que fazem parte do grupo Pintadas I – II e III, nestes sítios além de pinturas existem também inscrições rupestres bastantes acentuadas. Quanto a datações, segundo alguns arqueólogos que passaram por lá apontam que a maioria fazem parte da tradição agreste, algumas do grupo grafismo puro, no caso das machadinhas, feitas a cerca  de 7 a 12 mil anos.
As inscrições do sitio de Dona Pedrina, das Machadinhas e do Homem da chuva,  chamam atenção dos pesquisadores e visitantes pelo tamanho e pela definição do sexo.
No  Morro do Pereira, na furna das ovelhas, existem várias pinturas na cor vermelha enquanto na Pedra da Curva,  no   Saco do Pai Pedro, na furna do Cururu, existem  paineis bastante interessantes.
A comunidade Buritizal, possui  outros atrativos que também merecem destaque como: O Arco da Igreja,( onde existe uma lenda que é conduzida por o canto de um galo),  a furna do Profano,  a pedra do Papagaio, a Pedra do Dedo de Deus, A Pedra do Vigilante. O Poço Encantado, a Pedra do vaqueiro, e a Caverna do Assafraz.
O Painel do Homem da chuva, as pinturas e inscrições são bastante interessantes, uma vez que se apresentam em forma de círculo e em quadrículas, sem contar com inscrições com definições tanto do sexo masculino como do sexo feminino. Outro atrativo é a Pedra da Tartaruga, com uma pintura na parte interna. E pelas evidencias, funcionava como “camocim” no período pré-histórico.
Tudo isso tem despertado interesse nos pesquisadores e visitantes. Várias escolas, tanto da cidade como de outras cidades da circunvizinhança, e de Teresina, realizam aula passeio na comunidade para aprenderem, se deleitarem com o aspecto paisagístico e apreciarem tanto a beleza natural através da paisagem formada pela palmeira buriti e outras árvores típicas da região,  como as formações geológicas que se formaram ao longo do tempo, uma vez que a região valenciana, dentro do relevo piauiense, está incrustada no grupo das cuestas do centro.

Dentre as escolas visitantes, podemos destacar, o Colégio São Lucas da cidade de Picos Piauí, que há bastante tempo realiza aula de campo no Sitio Arqueológico de Buritizal, conduzidos por   Professores de História, Filosofia, Matemática, Língua Portuguesa, Educação Física, e a presença da Diretora e Proprietária da Escola,  Profª Ana Maria, que se baseia no seguinte pensamento:  O professor, como agente de memória educativa, leva os alunos a descobrir o sentido das coisas consideradas pontualmente importantes no presente e suas variações em outras épocas, a estabelecer relações entre tudo o que veio antes e o que virá (em termos de construções científicas e sociais), a identificar processos e descobertas que colocam esses saberes e práticas em permanente discussão e ajuda seus alunos, conhecer as origens, identidades e memória social.(KENSKI: 2002 – p 99). E que  “ A identidade de uma escola não é outorgada de fora e nem se faz no abstrato, mas construída pela ação das pessoas que ali vivem.(PENIN: 2002 – P 40) Somos gratos pela visita e que o Colégio São Lucas da cidade de Picos Piauí, continue sempre ativo e  na vanguarda de conhecimento em prol da transformação de utopia em realidade através do empenho do grupo gestor, do corpo docente e discente da escola.


Sitio Arqueológico de Buritizal - Vegetação típica da região


Arco da Igreja



Profª de História,  Aldenora Anjos


Arco da Igreja


Alunos rumo a Caverna do Assafraz, parada numa cerca secular de pedras 


Formação Geológica - Arco da Igreja, onde existe uma lenda conduzida pelo canto do Galo


Alunos do Colégio São Lucas ( Picos-PI) se preparando para subir a ladeira que dá acesso ao Arco da Igreja


Alunos observam a formação rochosa na parte inferior do Arco da Igreja


Caverna do não sagrado, próximo ao Arco da Igreja

                                                        Palmeiras típicas da comunidade

  
                                     

                                                 Caverna do Assafraz - 46 m de comprimento



Arte Parietal - (nome popular: O Homem da Chuva)

                                          Arte Parietal: pintura símbolo do sítio (Machadinhas)


                                                                  
                                       Alunos observam as formação rochosa da Caverna do Cururu


Profª de História, Aldenora Anjos


Visita ao acervo museológico da Secretaria Municipal de Cultura
(da esquerda para direita: Profª MirellaViviane, Prof. Antonio Jose, Sra Andreyanne Martins, Secretária de Cultura, Diretora e Proprietária do Colégio São Lucas, Profª Mestranda Ana Maria, Luan Fernandes, Coordenador de Pesquisas Históricas da Sec. de Cultura, Tadeu, funcionário da Sec de Cultura, Santinha, Funcionária da Sec de Cultura

                     Profª Mirella Viviane - Professora de Linguagens no Colégio São Lucas e Coordenadora da Aula Passeio.