Eloisa Ferreira, uma mulher que soube viver e conviver com a
família, arte e cultura em Valença do Piauí. Primeira e única mulher até a
atualidade na cidade ter exercido a função de maestrina até a atualidade. Sua beleza era de inibir as mais belas mulheres
que viviam no Monte Olímpio; sua
capacidade musical em Valença, entre os anos 1940 e o limiar da década de 1960
era de impressionar até mesmo a Deusa
Euterpe caso estivesse vivido na antiga Grécia, mas quis o destino, que
Eloisa Ferreira, vivesse em solo valenciano sob os murmúrios da águas do Riacho
Catinguinha, de onde suas notas musicais ganhavam sonoridade e saciavam os
gostos mais refinados nos bailes
realizados no salão nobre da antiga Prefeitura situada na Praça José Martins,
ou mesmo nas refinadas festas do Teatro das Artes, também chamado de Cassino
Valenciano. Sua flauta, era uma dádiva
Divina, porque dela o querer se tornava ser e a vida um enigma para futuras
gerações entenderam que a música em Valença tinha um nome e se chamava Eloisa
Ferreira. Num período que arte valenciana procurava criar uma identidade, cujos músicos agiam com um pensar artístico, idealista e social, buscando na beleza
e elevação moral, usando o que vinha de fora para falar da terra, e
encontrando respostas na forma eclética musical de Eloisa Ferreira. Nas festas
que animava nas residências da elite local situadas nos entornos da Praça Jose
Martins, bem como as que aconteciam de forma mais esporádicas nos espaços
coletivos da cidade muito mais líricos que crítico para época. Enquanto das
cordas de seu violão, a arte atingia os corações mais palpitantes da juventude
valenciana que rumava para entrar numa nova era, os Anos Dourados. Enquanto
isso, a cidade crescia, a rua Mundico Dantas, se transformava em Rua dos
Estudantes, cuja parada obrigatória era ficarem frente a casa de Dona Preta
Bolô, para ouvir Eloisa Ferreira, retirar de seus instrumentos, ora a flauta,
ora o violão, ou quando preferia, apenas cantar músicas da época. Muitos, mais
os rapazes, permaneciam até ouvirem o toque da cineta do Ginásio Santo Antônio,
que ficava a uns 100 metros, na antiga casa onde nasceu Otávia Poty, primeira
Enfermeira do Piauí. Quando Eloisa, via o deslocamento dos alunos, aproximava
de uma das janelas que dava visão para rua e debruçada continuava as melodias.
Assim tornava cotidiano estes momentos
em Valença do Piauí no final dos anos 1940 e início da década de 1950.
Texto Prof. Antonio José Mambenga (Especialista em História Social da Cultura - (ufpi)
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