sexta-feira, 27 de abril de 2018

HISTORIA DA COMUNIDADE PAI PEDRO EM VALENÇA DO PIAUÍ


        HISTÓRIA DA COMUNIDADE PAI PEDRO EM VALENÇA DO PIAUÍ


     A cidade de Valença do Piauí, situada na Mesorregião Centro Norte Piauiense, no Território do Vale do Sambito, possui uma área territorial de 1.033 km². É formada por uma zona urbana e a zona rural constituída pelas  comunidades campesinas, dentre as quais uma por nome Pai Pedro, localizada entre os povoados Isidória, Buritizal, Palmeirinha e Cumbe.
      A boa localização geográfica, formada por um solo fértil,  onde os moradores cultivam, cana de açúcar, arroz, milho, feijão e mandioca.
       Vestígios arqueológicos apontam a presença humana há cerca de 7 a 12 mil, conforme a arte parietal existente em abrigos rochosos, próximos ao Arco da Igreja, morro do Pereira e imediações. 
        Passado o período Pré-histórico, a História pontua a existência de antigos moradores na comunidade, atraídos pela existência de brejos, que favoreciam o plantio na entre safra  e a criação de gado.
        Notícias apontam que a comunidade funcionava como um corredor de passagem de transeuntes, e caminhantes, que iam e vinham entre as comunidades circunvizinhas, bem como mangaeiros,  em cujo labor tinham como parada obrigatória o local para  compra ou mesmo, a comercialização de seus produtos. Outros paravam, mais para descansar das longas jornadas.
         Por volta de 1910, o Sr. Pedro Dias, oriundo da Ribeira de Picos-PI, atual cidade de Santana, numa viagem de negócios para localidade Coroatá, atual cidade de Elesbão Veloso-PI, hospedou-se na residência do seu irmão João Dias, que morava na comunidade Brejo, atual Pai Pedro. A escolha foi feita pelos laços familiares, e tambem, para conversarem ou mesmo  para repouso da cansada viagem. Quando isso acontecia, era uma festa, primeiro por rever familiares, segundo pelas notícias de familiares e outros temas afins. Neste dia foi diferente, a conversa entre os dois e a família do Brejo se prolongou por muitas horas. Nem mesmo o canto rouco da coruja, e o canto estridente do galo, foram suficientes para anunciar que já passavam de meia noite.
           Assuntos não faltavam, uma história puxava outra, mas o Sr. João Dias, anunciou que ia se recolher para dormir os demais  membros da familia que ali estavam,  seguiram o patriarca.
            No romper da aurora, o Sr. Pedro, levantou-se, fez suas orações matutinas e rumbeia com destino a roça do brejo, onde pastavam seus animais. Seu irmão, João Dias, deu notícia do levantar do hóspede irmão, pelo ranger da porta quando esta foi aberta e também pelo latido consistente dos cachorros, anunciando sua saída rumo a roça do brejo para buscar os animais.
               O Sr. João Dias, não se preocupou, uma vez que, antes de dormirem, quando ainda conversavam na sala de frente, Pedro Dias, havia falado que na primeira barra do dia, ia buscar os animais e prepara-los para seguir viagem rumo ao Coroatá.
         A natureza já dava conta que o dia já estava amanhecendo, pelo canto das casacas, dos coquis e de tantas aves campesinas que saúdam o amanhecer. O Sr. João Dias e familiares, já estavam de pé. Sua esposa nos preparativos do café da manhã, naquele dia, seria um cardápio diferente, pois   sentaria a mesa com eles  um membro muito querido da família, Pedro Dias, o irmão mais velho.
         As horas  passavam, o Sr. João Dias, fitava o olhar para o caminho, e nem sinal de Pedro. O irmão achava esquisito tanta demora. Não suportando mais, resolveu ir ao encontro, chamou um de seus trabalhadores e seguiram para saber o que havia acontecido. Para sua surpresa, ainda numa distância aproximada de uns 30 metros, bem na curva do caminho, onde existia uma antiga  mangueira, Pedro Dias estava caído no chão, como se estivesse tropeçado nas raízes expostas da antiga árvore. Pedro Dias, já estava sem vida. Para seu irmão, foi uma surpresa tamanha. Trêmulo e sem alento, pede ao trabalhador que havia lhe acompanhado para retornar até sua residência e comunicar o ocorrido a esposa, aos demais familiares e vizinhos próximos
          O velório, foi realizado na residência do Sr. João Dias e como não tinha como levar o corpo para Santana, Pedro Dias, foi sepultado, na própria comunidade Brejo.
          A notícia se espalhou pela comunidade e circunvizinhança, porem seus familiares que residiam em Santana,  vieram apenas para visita de sétimo dia, mas anualmente seus netos, vinham visitar sua cova. E como em vida, chamavam o avô de Pai Pedro, quando se reuniam para planejar a viagem, era comum dizerem:   -- Vamos ao Brejo, visitar a cova do Pai Pedro, ou mesmo quando chegavam, na residência do Sr. João Dias, formulavam o mesmo convite: -- vamos visitar a cova do Pai Pedro ou mesmo, os moradores sempre que tocavam no assunto, faziam alusão a cova do Pai Pedro, seja quando visitavam também o campo santo, ou nas conversas sobre como tinha ocorrido a transcendência do ancião.  Assim, o nome Pai Pedro, foi se tornando popular e  referência para codinominar a comunidade Brejo, cujo espaço, passou ser conhecido em toda região e em documentos oficiais, como Pai Pedro.
          A localidade, possui uma beleza impar, formada por  paisagem exuberante, um solo fértil, um povo ordeiro e trabalhador, onde desenvolvem atividades agrícolas. Um relevo, formado por vales, onde se localizam os brejos com um numero bastante acentuado da palmeira buriti, bem como, muitas formações geológicas do estilo cabeça, cujos contornos foram moldados ao longo do tempo através da erosão eólica e pluvial, bem típicas da região central do Piauí, onde predomina o relevo conhecido por “Cuestas do Centro”.
          Nos grandes paredões de pedras, são encontradas muitas formações que receberam nomes populares como: Arco da Igreja, Pedra do Papagaio, Dedo de Deus, Pedra do Vigilante, além de outras formações onde existem pinturas rupestres, dentre elas, a Caverna do Cururu.
     Outros grandes atrativos, estão no Morro do Pereira, uma formação rochosa com mais de 30 metros de altura, onde existem vários  abrigos e um painel com varias pinturas rupestres na cor vermelha, conhecido por Abrigo das Ovelhas, o Poço do Cágado, onde existe as nascentes do riacho que corta o brejo.
       O Morro do Pereira, é cheio de mistérios e lendas, muitas delas com conotação  do sobrenatural, onde o povo da ufologia acredita  ser um local propício para pouso de disco voadores.
        Atrativos é que não faltam na comunidade Pai Pedro, a Pedra da Curva tem várias pinturas rupestres, a Serra da Prata, conhecida por sua exuberância, bem como as lendas e mistérios que povoam o imaginário popular, além de possuir  reserva de salitre, tanto que o Sr. Saló, grande artesão de foguetes e similares em Valença, vinha pegar esta matéria prima para confeccionar fogos, bombas, traques, e tantos outros artefatos. O pontal da Serra da Prata, servia de base para pouso de helicópteros dos americanos, quando estiveram em Valença, nos anos 1950, realizando  pesquisas geodésicas.
       O patrimônio material e imaterial da comunidade Pai Pedro, é bastante eclético. O primeiro formado pelas construções de pedras e tijolos, como a casa do Sr Jose Cipriano Barbosa, que existe há mais de um século, cujo mobiliário rústico, confeccionado por artesãos anônimos, resistem ao tempo para servir de base para se contar a História. São Baus, malas, camas cobertas de couro de boi, arados, pilões,  mesas, cadeiras,  bancos, prensas, gamelas e oratórios dedicados aos santos de devoções. Quanto ao patrimônio imaterial,  as referencias estão atreladas ao Morro do Pereira, a lenda do Galo no Arco da Igreja,  e ao Gritador, as bolas e rodas de fogo que aparecem nas noites escuras de verão.
       A comunidade Pai Pedro, destaca-se pela religiosidade desde os mais antigos moradores através dos novenários dedicados aos Santos de devoção, dentre eles podemos citar o festejo de São Sebastião, realizado por Dona Francisca Rosa de Sousa, anualmente, no mês de janeiro, cuja devoção serviu de base para que esta comunidade se mantivesse na fé.
        Atualmente, a comunidade se ufana por ter, oriundo dela um diácono permanente,  Evandro Sousa, cujo trabalho tem servido de referencia para outras comunidades de igual porte que se irmanam para propagação e manutenção da fé.

                      Valença do Piauí, 28 de abril de 2018
                                    Texto: Prof. Antonio Jose Mambenga
                                          Especialista em História do Brasil
                                                             


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO EM VALENÇA DO PIAUÍ


O Ginásio Santo Antonio, foi fundado no dia 03 de dezembro de 1949, numa reunião ocorrida numa das salas do Grupo Escolar Cônego Acylino, pelo Pe. Raimundo Nonato de Oliveira Marques.   Esta fotografia, mostra a farda original da referida escola, por ocasião de um Desfile Cívico     organizado pela Diretora Profª Etevalda Oliveira,  na segunda metade dos anos 80 do século XX. A História de um povo é contada através de fatos e acontecimentos e como diz Peter Burker: A função do historiador é lembrar a sociedade daquilo que ela quer esquecer. Estou fazendo a minha parte!


domingo, 7 de janeiro de 2018

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO EM VALENÇA DO PIAUÍ




O Instituto Santo Antonio, foi fundado em Oeiras-PI, em 1943, e transferido para Valença do Piauí, em 1948. Esta foto mostra o primeiro uniforme da escola em Valença-PI, por ocasião de um desfile Cívico, na segunda metade da década de 1980 do século XX, quando o Colégio Santo Antonio estava sob a direção da Profª Etevalda Oliveira. A História de um povo é contada com fatos e acontecimentos.
Acervo fotográfico: Prof. Antonio Jose Mambenga

sábado, 6 de janeiro de 2018

PE. MARQUES UM ANO DE ENCONTRO COM O PAI CELESTE

                                                     Acervo: Profª Maria do Amparo Coelho


Dia 29 de Janeiro, completará um ano do encontro definitivo de Pe. Marques com o Pai Celeste, para marcar a data, a Profª Maria do Amparo Coelho, sua sobrinha, está organizando uma Celebração Eucarística, na Igreja de São Raimundo Nonato, em horário ainda a ser definido.A Celebração será dia 28, de já sinta-se convidado(a).
                                                       

domingo, 29 de outubro de 2017

CADA POVO TEM SUA HISTÓRIA, TRISTE DO POVO QUE NÃO TEM HISTÓRIA

                                          Desenho Prof. George Barros                                                                            

    A BALEIA DA IGREJA SÃO BENEDITO, EM VALENÇA DO PIAUÍ, UMA HISTÓRIA QUE ENCANTA
Prof. Antonio Jose Mambenga

A Baleia da Igreja São Benedito, em Valença do Piauí, se agiganta a cada dia, noticias dos que vão e dos que  veem neste mundo "de meu Deus", apontam que sua cauda já está  no estado do Ceará, na cidade de Juazeiro, não sabemos  se debaixo de uma  das  igrejas católicas, ou se da estátua mor do "Padim Ciço". Sabe-se portanto, que alguem já comentou, isso e com muita veemência.  Não me lembro quem, mas acredito que  não foi Mãe Ana, porque esta expirou em 2008. Não foi João Ferry, esse também antecedeu Mãe Ana em 1962. Será se foi  o Pitirrãn? Não! Ele não foi, porque  era afilhado de Dona  Luzia Bem-bem, moradora do Bairro Cacimbas, mesmo sendo casada com Ezequiel, irmão de Lampião(segundo ela) e afilhado de Dona Luzia, tinha que dançar era Roda de São Gonçalo, e não ser acusado de “piar a ema” . Talvez tenha sido Teresa, filha de Maria Branca, mas,  essa também não foi, porque sua irmã Dilurdes, não tinha deixado ela, afirmar esta História, alem do mais Tereza, também, foi casada com Ezequiel, irmão do esposo de Maria Bonita,(segundo o povo), com direito a prole e tudo e moram em Recife. Neste caso, quem foi mesmo que contou esta História da cauda da Baleia da Igreja de São Benedito em Valença do Piauí, ter se elastecido até a terra do Padim Ciço? Evidencias apontam que foi o João Luzia, morador da localidade Ovelha Morta, localizada às margens da Estrada que vai para o povoado João Pires, próximo ao Poço da Burra, acidente geográfico no Rio Sambito. Tudo afunila para ter sido mesmo o  João Luzia, por ser catimbozeiro, e ter encabojado o Boi Serra Grande, filho da vaca preta.  Analizando, não pode ter sido o João Luzia, mesmo sabendo de suas diabruras, ele morria de medo de sua irmã Antonia, porque era casada com o mais respeitado senhor das ciências ocultas da região valenciana, o Sr Cinobilino da Tranqueira.  Finalmente, quem comentou mesmo esta elasticidade da cauda da Baleia até a cidade cearense? Pelo visto, foi Dona Tereza Preta, porque ela morria de medo de ir na rua do Maranhão em Valença (PI), temendo se desequilibrar nos degraus da Igreja São Benedito, cair e seu choro provocar a Baleia despertar do sono profundo ou mesmo se deparar com a Prisilina, querendo lhe entregar a vela da Procissão dos defuntos. Assim, não sei mesmo, quem é o e/ou  a protagonista desta História. O certo é que  a Baleia, está  atingindo outras regiões e novas personagens, meu medo é ela querer ir até a Escócia,  visitar o  Lago Ness. E afoita como ela é, corre o risco de querer mexer no monstro e causar uma reviravolta daquelas ou mesmo gostar e querer ficar morando lá. Duvidar não é preciso! Porque ela pode aprontar. Uma certa vez, num período não tão distante, ainda no século XX , aqui mesmo na cidade, ela quis se candidatar a um cargo majoritário. Examinada de tal pretensão, ela se justificou, “Desejo de salvar o Rio Caatinguinha” e tantos outros elementos da natureza que estão se degradando. Outra coisa é certa, esta Baleia tem feito muito rebuliço.  Ainda bem que o Luiz Carlos da Serra Negra, o Cão,  já levou para o inferno, porque pelo jeito a Baleia é quem quer ser serrada  viva, igual ele fez com a escrava da Fazenda dele e com esta cauda em Aroazes que fica bem próximo da Serra Negra, faz até medo.  “Morrendo o mito, morre o homem, não temos História”.

Valença do Piauí, 29/10/2017

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

COLÉGIO SÃO LUCAS DE PICOS PIAUÍ VISITA SÍTIO ARQUEOLÓGICO DE BURITIZAL EM VALENÇA DO PIAUÍ



             

          AULA PASSEIO DO COLÉGIO SÃO LUCAS EM BURITIZAL – VALENÇA DO PIAUÍ
                                                                       Prof. Antonio Jose Mambenga

A cidade de Valença do Piauí, localizada a 210km da capital Teresina, guarda no seu patrimônio Histórico cultural, um acervo bastante eclético dentro da Arte Parietal, o que denota a presença  humana há bastante tempo nesta região.
Os vestígios arqueológicos deixados pelo homem primitivo, encontram-se em várias partes do município o que tem atraído  pesquisadores bem como visitação de escolas de várias cidades do nosso estado.
Os sítios mais visitados, estão localizados na comunidade Buritizal das Pintadas, especificamente os que fazem parte do grupo Pintadas I – II e III, nestes sítios além de pinturas existem também inscrições rupestres bastantes acentuadas. Quanto a datações, segundo alguns arqueólogos que passaram por lá apontam que a maioria fazem parte da tradição agreste, algumas do grupo grafismo puro, no caso das machadinhas, feitas a cerca  de 7 a 12 mil anos.
As inscrições do sitio de Dona Pedrina, das Machadinhas e do Homem da chuva,  chamam atenção dos pesquisadores e visitantes pelo tamanho e pela definição do sexo.
No  Morro do Pereira, na furna das ovelhas, existem várias pinturas na cor vermelha enquanto na Pedra da Curva,  no   Saco do Pai Pedro, na furna do Cururu, existem  paineis bastante interessantes.
A comunidade Buritizal, possui  outros atrativos que também merecem destaque como: O Arco da Igreja,( onde existe uma lenda que é conduzida por o canto de um galo),  a furna do Profano,  a pedra do Papagaio, a Pedra do Dedo de Deus, A Pedra do Vigilante. O Poço Encantado, a Pedra do vaqueiro, e a Caverna do Assafraz.
O Painel do Homem da chuva, as pinturas e inscrições são bastante interessantes, uma vez que se apresentam em forma de círculo e em quadrículas, sem contar com inscrições com definições tanto do sexo masculino como do sexo feminino. Outro atrativo é a Pedra da Tartaruga, com uma pintura na parte interna. E pelas evidencias, funcionava como “camocim” no período pré-histórico.
Tudo isso tem despertado interesse nos pesquisadores e visitantes. Várias escolas, tanto da cidade como de outras cidades da circunvizinhança, e de Teresina, realizam aula passeio na comunidade para aprenderem, se deleitarem com o aspecto paisagístico e apreciarem tanto a beleza natural através da paisagem formada pela palmeira buriti e outras árvores típicas da região,  como as formações geológicas que se formaram ao longo do tempo, uma vez que a região valenciana, dentro do relevo piauiense, está incrustada no grupo das cuestas do centro.

Dentre as escolas visitantes, podemos destacar, o Colégio São Lucas da cidade de Picos Piauí, que há bastante tempo realiza aula de campo no Sitio Arqueológico de Buritizal, conduzidos por   Professores de História, Filosofia, Matemática, Língua Portuguesa, Educação Física, e a presença da Diretora e Proprietária da Escola,  Profª Ana Maria, que se baseia no seguinte pensamento:  O professor, como agente de memória educativa, leva os alunos a descobrir o sentido das coisas consideradas pontualmente importantes no presente e suas variações em outras épocas, a estabelecer relações entre tudo o que veio antes e o que virá (em termos de construções científicas e sociais), a identificar processos e descobertas que colocam esses saberes e práticas em permanente discussão e ajuda seus alunos, conhecer as origens, identidades e memória social.(KENSKI: 2002 – p 99). E que  “ A identidade de uma escola não é outorgada de fora e nem se faz no abstrato, mas construída pela ação das pessoas que ali vivem.(PENIN: 2002 – P 40) Somos gratos pela visita e que o Colégio São Lucas da cidade de Picos Piauí, continue sempre ativo e  na vanguarda de conhecimento em prol da transformação de utopia em realidade através do empenho do grupo gestor, do corpo docente e discente da escola.


Sitio Arqueológico de Buritizal - Vegetação típica da região


Arco da Igreja



Profª de História,  Aldenora Anjos


Arco da Igreja


Alunos rumo a Caverna do Assafraz, parada numa cerca secular de pedras 


Formação Geológica - Arco da Igreja, onde existe uma lenda conduzida pelo canto do Galo


Alunos do Colégio São Lucas ( Picos-PI) se preparando para subir a ladeira que dá acesso ao Arco da Igreja


Alunos observam a formação rochosa na parte inferior do Arco da Igreja


Caverna do não sagrado, próximo ao Arco da Igreja

                                                        Palmeiras típicas da comunidade

  
                                     

                                                 Caverna do Assafraz - 46 m de comprimento



Arte Parietal - (nome popular: O Homem da Chuva)

                                          Arte Parietal: pintura símbolo do sítio (Machadinhas)


                                                                  
                                       Alunos observam as formação rochosa da Caverna do Cururu


Profª de História, Aldenora Anjos


Visita ao acervo museológico da Secretaria Municipal de Cultura
(da esquerda para direita: Profª MirellaViviane, Prof. Antonio Jose, Sra Andreyanne Martins, Secretária de Cultura, Diretora e Proprietária do Colégio São Lucas, Profª Mestranda Ana Maria, Luan Fernandes, Coordenador de Pesquisas Históricas da Sec. de Cultura, Tadeu, funcionário da Sec de Cultura, Santinha, Funcionária da Sec de Cultura

                     Profª Mirella Viviane - Professora de Linguagens no Colégio São Lucas e Coordenadora da Aula Passeio.

sábado, 23 de setembro de 2017

COMUNIDADE REMANESCENTES DE QUILOMBOLAS EM TRANQUEIRA EM VALENÇA DO PIAUÍ

COMUNIDADE  TRANQUEIRA – HISTÓRIA E CULTURA DE UM POVO REMANESCENTE DE QUILOMBOLAS EM VALENÇA DO PIAUÍ

Prof.  Esp. Antonio Jose Mambenga

A presença da História do negro na corrente oficial é muito recente em se tratando de tempo, tornando-se mais elástica  e bem diferente de um passado recente que ultrapassava de poucas páginas nos livros didáticos, a nível nacional. No Piauí, não era diferente, existia certa anorexia por parte dos estudiosos para tratar do assunto em voga.
Este olhar europeizado convergente ao negro perpenetrou no solo piauiense,  onde eram aplicadas as mesmas torturas, olhares diferenciados, trabalho compulsório e tantos outros tipos de sociedade detentora do poder, também não poderia ser diferente, os que aqui estiveram eram remanescentes dos primeiros que chegaram ao Brasil e não fugiam do adágio popular “damos aquilo que temos”. 

O Piauí teve seu povoamento através da instalação das fazendas de gado, o negro chegou junto com os primeiros criadores. Por volta de 1674, Domingos Afonso Sertão amplia seus domínios até as terras que seriam mais tarde definidas como Piauí. Transfere algumas fazendas de gado e instala o vaqueiro negro, que com essa nova atividade e estrutura produtiva inicia outra experiência de trabalho a mão de obra negra na montagem das fazendas de gado. (MOTT, 1998).
           
A presença do africano escravizado na terra piauiense foi uma constante, foram, homens, mulheres, jovens e crianças que aqui chegaram e logo eram encaminhados para os engenhos para aplicar a força num labor diário.

Todo este contingente populacional absorveu através da memória, os hábitos e costumes, lendas, crenças, mandigas e religiosidade, bem como, as danças e culinária. Tudo ocorria tão normal que se tornava cotidiano para os próprios escravos, mesmo aglutinados na vastidão da terra estranha, parecia que o mundo era extenso demais e o  um fim se tornava cada vez mais distante.
A migração era constante, ficando mais definida após os meados do século XIX, quando ocorreu a migração interna. Em cada fazenda que ia recebendo o negro e este num espaço bem minúsculo de tempo iam se adaptando ao meio porque o destino era sempre o mesmo: senzala, serviço pesado e um novo patrão, e os mesmos castigos.
As referências sobre o negro escravo no Piauí, são bem mais amplas o que ocorre é ainda um número de pesquisadores muito resumido para trabalhar a temática.
E como diz a Professora Ivete Almeida no seu texto, Etnia, Cultura e Identidade, “nenhum grupo sofreu tão intensamente a separação e foi tão brutalmente obrigado a reconstruir sua leitura sobre si própria e sobre seu lugar no mundo como os povos negros”.
A  comunidade Tranqueira, está localizada a 18km de Valença. È formada por 34 famílias, com uma população de 58 habitantes. As principais manifestações culturais são: as festas de reisado e São Gonçalo e a dança típica conhecida como Manuê.
Os habitantes da comunidade Tranqueira, são conhecedores da importância das ervas medicinais e suas utilidades na medicina caseira, como as famosa garrafadas. Trabalham a palha de carnaúba no artesanato confeccionando: vassouras, chapéus e esteiras, bem como abanos e outras atividades pertinentes. Com a palha  de buriti, utilizam a fibra no artesanato. Com a polpa do buriti confeccionam doces ou mesmo a jacuba o suco como é mais chamado.
A buritanga do buriti, é utilizada pelas crianças como peteca para o jogo dos 3 buracos.
A tabatinga, serve para pintar as paredes e para ser utilizada no forno da farinhada como neutralizadora da argila.
A agricultura praticada na comunidade é de subsistência, destacando o cultivo do milho, feijão , arroz,  e mandioca.
Da mandioca, anualmente realizam a farinhada, mas na entre-safra  eles utilizam o tapiti para enxugar a massa para confeccionarem o beiju, que pode ser utilizado no desjejum (café da manhã) ou mesmo para mistura com feijão, o chamado beiju de massa. Com a mandioca, a comunidade também faz a puba, que serve para fazer mingau e o bolo .
Na comunidade, ainda existe parteira empírica, como também as conhecidas resadeiras em doença de crianças, como o quebranto, mau olhado e vento caído. Os adultos procuram as resadeiras para os males de espinhela caída, sol na cabeça e dor dente.
Quanto a alimentação, tem como básica, no feijão, arroz, milho e farinha, produzido na própria comunidade. Quanto á carne, se alimentam com carne de criação nome que serve para designar os caprino e ovino. A galinha caipira, que fazem ao molho pardo e normal. A carne bovina, também é bastante usada, embora o rebanho seja pequeno, mas eles complementam com as provenientes da cidade.
Os hábitos e costumes do povo da Tranqueira foram se transformando com o tempo mas ainda mantém muitos advindos dos ancestrais.
No mês de junho a comunidade festeja São João. Como não tem capela, o festejo é realizado na residência do patriarca da família, Sr. Feliciano. È costume na última noite servir um farto jantar para família e convidados, momento que ocorre o toque da Bandeira para saber quem é o festeiro do próximo ano. Todos ficam perfilados na frente da casa, onde queima uma fogueira. 0  patriarca da família, corre a bandeira sobre as pessoas, aquele que a ponta da bandeira tocar, foi o escolhido para ser o festeiro do ano seguinte. No momento todos se cumprimentam, soltam foguetes e se confraternizam. Logo após ocorrem o compadrio e os demais laços de amizades. Os mais afoitos saltam a fogueira, outros caminham sobre brasas. Neste momento a criançada faz a festa, assam batatas na fogueira, abóbora e carne.
É um hábito do  povo da Tranqueira, os famosos bolos de goma com ovos de galinha caipira, assados no  forno de brasa. As boleiras capricham, são eles bolo branco, bolo torrado, manuê e bolo doce.
No meio de tudo isso, na comunidade ainda existe  aqueles que castram os frangos – suínos e caprinos. Mas precisamos entender que cada povo tem suas particularidades de ser e agir, daí ninguém ser obrigado se aculturar para satisfazer algo fora do seu próprio conhecimento. As diferenças existem e precisam ser respeitadas, porque cada caso é um caso diferente do outro. A Comunidade Tranqueira, já é reconhecida pela Fundação Zumbi dos Palmares como Remanescentes de Quilombolas, pela História e luta de vida para manterem seus hábitos e costumes dentro dos padrões de uma sociedade hodierna e preconceituosa.

Valença do Piauí, 23 de outubro de 2014

Prof. Antonio Jose Mambenga