sexta-feira, 10 de novembro de 2023

 

                                                     BANDEIRA DE VALENÇA DO PIAUÍ

 


 

A História de um povo, é contada através dos fatos e acontecimentos que permeiam no cotidiano do próprio povo.  A medida que o tempo passa, a identidade histórica e cultural vai sendo construída, cuja solidificação requer, uma história,  tendo por base o patrimônio material e imaterial, bem como os símbolos que traduzam a caminhada e luta deste próprio povo.

 Em Valença do Piauí, não é diferente, temos o Hino Oficial,  a Bandeira e o Brasão, representando os símbolos municipais oficiais. 

A Hino com letra do Prof. João Gonçalves Ferreira(João Calado) e a música da Maestrina Heloisa Ferreira.

 A Bandeira, com desenho do Porf. Antonio Jose Pereira da Silva(Mambenga), Oficializada pela Lei Nº 548 de 05 de outubro de 1983.

Em de 1983, mês de maio,  na gestão municipal Sr. Joaquim Matias Lima Verde, o Sr Gregório Veloso, procurou o Prof. Antonio Jose, para desenhar, uma Bandeira para o município de Valença, porque, a cidade havia sido convidada para a Feira dos Municípios e um dos requisitos exigidos era  levar uma Bandeira para ser hasteada juntamente com as bandeiras das outras cidades participantes.

A solicitação foi atendida, o Prof. Antonio Jose, fez vários desenhos,  que foram para ser  observados e escolhidos  pela Câmara Municipal.

 O Desenho, foi escolhido e aprovado, que é este que representa nossa cidade. O Sr. Gregório Veloso, levou o desenho para Teresina, lá ele foi confeccionado em cetim, obedecendo o tamanho oficial e as gravuras e no dia 30 de outubro de 1983, ao som de uma Banda de Música, a Bandeira de Valença foi hasteada pela primeira vez ao lado das bandeiras dos outros município piauienses participante,  por ocasião da Feira dos Municípios, na Avenida Marechal Castelo Branco, em Teresina(PI) 

                                    DESCRIÇÃO DA BANDEIRA

01 – Tamanho retangular  100 X 130cm, fundo branco.

02 -  Fita verde/amarela na parte central, cada uma com 12cm de largura e comprimento de 130cm.

03 – Na parte central o mapa do Piauí,  na cor azul claro, representado as águas dos mananciais valencianos e uma estrela azul escuro, pontuando a cidade de Valença do Piauí, como pertencente a constelação piauiense.

04 - O mapa do Piauí, ladeado por um pé de cana-de-açucar, representando a riqueza do passado(lado esquerdo) e do lado direito, um pé de milho, como agricultura praticada e muito consumida pela comunidade na contemporaneidade.

05 – Uma haste marron, simbolizando um mastro, como sendo Valença – PI, um dos sustentáculos do Piauí .

06 – Uma fita azul claro, com a data  da criação da vila: 20 de setembro de 1762.

Obs: Desenho Prof. Historiador, Antonio Jose Pereira da Silva(Mambenga)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

 

                                                  Foto: Meio Norte

                                FESTEJO DE NOSSA SENHORA DO Ó EM VALENÇA DO PIAUÍ

                                                                              Prof. Esp. Antonio  Jose Mambenga

A cidade de valença do Piauí, nasceu sob a égide da fé! A História nos aponta o festejo de Nossa Senhora do Ó no início da segunda década do século XVIII. Quando ainda era feito por uma devoção popular através do leigo Jose Fernandes. Numa capela simples e de taipa.

Com a criação da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição na Missão dos Aruaques em 1740, o Arraial do Catinguinha, reivindicou  a instalação de uma Freguesia. Pedido aceito e em 1741 fora criada a Freguesia de Nossa Senhora do  Ó da Catinguinha.

A Instalação da vila no arraial da Catinguinha em 1762, com o nome de Valença, serviu de base para o povo da vila  se comprometer com os designios da fé.

Em 1836, a vila de Valença teve o seu 1º Padre residente, João Antonio Cardoso Sampaio, que exercia o Paroquiato na Missão dos Aruaques .

As celebrações Litúrgicas de Nossa Senhora da Conceição da Missão dos Aruaques, passaram acontecer na Igreja Matriz em Valença no dia 8 de dezembro e dia 18 de dezembro a festa de Nossa Senhora do O e dia 24 a Missa do Natal do Senhor

Tudo isso nos fortalece pela tradição e a longevidade de nossa devoção. O tempo se encarregou de adaptar o festejo a realidade do Povo. O novenário começava dia 9 de dezembro  e a Festa dia 18 de dezembro. Com a chegada do Conego Acylino em 1879, ocorreu a mudança do festejo do dia 9 a 18/12 para 17 a 26 de dezembro. O certo que desde os tempos mais remotos o festejo de nossa Senhora do Ó é muito animado e feito com muita fé e devoção. Cada Pároco gestor não mede esforços para manter a mediação entre a devoção e fé do povo valenciano através de Nossa Senhora do Ó.

BIBLIOGRAFIA

FREITAS, Pe  Gilberto – História de um povo e sua Fé – Teresina - 1997


quinta-feira, 25 de novembro de 2021

 

                                                           Foto: Portal Valencaonline-2019

     JUBILEU DE OURO: CONJUNTO MUSICAL OS MAGNOS – VALENÇA - PIAUÍ 

                                                           Texto: Prof. Antonio Jose Mambenga

A cidade de Valença do Piauí, guarda no seu acervo histórico cultural, grandes momentos. Muitos pela simpliscidade e pela forma efêmera como aconteceram, se perderam no tempo. Outros, se cristalizaram na memória de cada um e pela importância que adqueriram, tornaram-se referências na História e memória da cidade .

Era o ano de 1969, que apesar de podermos acompanhar a chegada do homem na lua...; aqui na Terra vivíamos momentos de muitas inseguranças sob ameaças da Guerra Fria. No Brasil, coexistíamos com o controle e vigilância do Regime Militar, que embora não nos afetasse muito, nos amedrontavam só  pelo conhecimento de informações filtradas que colhíamos nas poucas horas de conversas, nas revistas, jornais e rádio. Contudo não é este tempo a razão de suscitar estas lembranças, mas sim o nascimento do Conjunto Musical “Os Magnos”(Profª Ineide Lima verde: 2019)

Segundo Neto Leite, um grupo de amigos, composto por Neto Leite, Boxó, Marlon Leitão, Benoni Oliveira, e Artur Veloso(Tutu),  se reunia sempre pra tocarem violão e cavaquinho.

 Um certo dia, o Zé da Chica, perguntou se eles tinham interesse de formar um Conjunto Musical. O grupo respondeu que sim, mas o problema era o financeiro. Ouvindo isso, Zé da Chica, que não era de ficar parado, organizou um bingo de uma guitarra para arrecadar recursos pecuniários, bem como, conseguir uma verba com dona Floriza Silva, esposa do então governador Alberto Silva, viabilizando assim recursos pra dar entrada no equipamento, mesmo assim, o adquirido não foi suficiente. Então, a Professora Maria dos Prazeres, contratou o ainda não formado Conjunto, pra tocarem a primeira festa no Colégio Santo Antonio, no dia 24 de dezembro de 1969, pagando adiantado o valor que faltava para comprar os equipamentos.

Os equipamentos chegaram, e os ensaios tiveram início e frequentes para fazerem bem feito. Quanto ao nome do Conjunto, não tiveram muitas dificuldades, utilizaram o mesmo que já tinha, uma vez que a maioria eram provenientes de uma banda de Teresina e por coincidência, possuía o nome  Os Magnos, inclusive este nome já constava na bateria, retirar ia gerar mais despesas, então chegaram ao consenso de permanecer o mesmo nome.

Os primeiros ensaios foram realizados na residência do Senhor Artur e de Dona Graci Veloso.

Segundo, Artur Viana(2019), os ensaios era uma festa. Todas as noites na Rua Norberto de Castro, próximo ao Bar Glória, gente de todas as localidades da cidade ficavam em frente da sede, nas portas, janelas, outros encima dos muros e ainda os que optavam ficar trepados nos pés de figueiras, pra verem o conjunto ensaiar. Como também confirmou a Profª Ineide Lima Verde,  quando afirmou: “... morávamos no Glória e numa tarde de verão de 1969, o Zé da Chica, chegou todo eufórico, dizendo que havia chegado novos instrumentos do conjunto Os Magnos e os meninos precisavam de um espaço maior e aberto para fazer um ensaio porque iam fazer a primeira  apresentação. E o Glória, ele achava o local ideal. Primeiro por ser um dos locais mais frequentados da cidade, e tinha uma área aberta, espaçosa e frequentado por uma clientela jovem.... E assim foi. Naquela mesma noite, em um dia de semana,  os valencianos tiveram a alegria de ouvir o primeiro ensaio técnico musical dos Magnos em local aberto, do que seria se não o maior, e  um dos mais conceituados conjuntos musicais da Região Valenciana naquela época, atual Território do Vale do Sambito.

No início, o Conjunto era formado por cinco componentes: Neto Leite, na guitarra base, Benoni Oliveira, na guitarra solo, Marlon Leitão, no contrabaixo, Boxó na Bateria e Tutu Veloso no vocal. O tempo se encarregou de construir uma escala. As apresentações eram constantes, os espaços se tornavam pequenos.

 A recíproca da cidade era boa e o nome do Conjunto Os Magnos, já ultrapassavam as linhas limítrofes da cidade e até mesmo do Estado do Piauí, mas nesta verticalização, houve a necessidade de fazer as primeiras substituições: Tutu Veloso, o vocalista, foi o primeiro a sair, depois foi a vez do Benoni, que foi pra São Paulo; Boxó, passou num concurso publico e foi trabalhar em Parnaíba, enquanto Marlon Leitão, foi estudar em Teresina. Para isso, ocorreram as substituições, como também o ingresso de novos profissionais, dentre os quais: Vésio, Fabio, Netinho, Toinho, Chico Gabriel, Xanadur,, Gereide, Edinho Neiva, Teles, Natan Ferreira, Noasson Ferreira, Neto Moura, Leão, Abinabel, Baldoino, Miúdo, Dodô, Miguel, Aline, Bindô, Fogoió, e Chicão, .... A montagem, ficava a cargo do Geró, Alcione, e Zé Henrique.

A primeira cidade da circunvizanhaça que Os Magnos se apresentaram, foi Elesbão Veloso, no Cabana Clube, contratados pelo Sr. Mosar. Bem como Inhuma, Aroazes, Pimenteiras, Ipiranga, Novo Oriente, Varzea Grande. Em Teresina, se apresentaram várias vezes, na AABB, no clube do BNB, clube dos Economiários,  Clube dos Professores e clube dos Cem. No Piauí, praticamente em 50% dos municípios e fora do Estado, em Pernambuco, Ceartá, Maranhão, e Bahia, No período de 1975 a 1990, o Conjunto os Magnos, teve como empresário o Sr. Francisco Veloso.

A História de um povo é grande, quando todos participam da construção. Em Valença com os Magnos, não foi diferente. Daí ser toda História, para ser completa necessita buscar as memórias vivas do cotidiano, cujas representações somam para construção e cristalização da própria História.

Para Pedagoga Cassandra Veloso, as lembranças do período do Conjunto Os Magnos, são maravilhosos, porque a juventude se divertia bastante com as festas. Momento também que os amigos se encontravam e dançavam até amanhecer o dia. O sentimento é de agradecimento a todos os que fizeram o Conjunto em especial o Marlon Rodrigues(in memoriam) que deixou muita saudade, e aos organizadores, principalmente o Dodô pela iniciativa de organizar este encontro festivo.

Para Wilson Benedito, “.... As noites de sábado, Valença, mergulhava na efervecência cultural dos anos 70 e 80, um grupo liderado por Neto Leite, Boxó e Miúdo, e outros, embalavam os finais de semana da nossa cidade. Eram bem moços. Tinha um baterista por nome Toinho, que tocava fazendo expressões faciais múltiplas, bem como, sacudindo a cabeleira alourada. Este era nosso ídolo no grupo, impressionava-nos vê-lo tocar em vários tambores e pratos ao mesmo tempo. Isso nos motivou criar nossa bandinha de latas, nos terrenos baldios, próximos a nossa casa onde fazíamos também a nossa zueira, naturalmente incomodando os vizinhos, com o som desconcertante e incomodativo. Eles eram nossos Rolling Stones tupiniquins. Uma banda eclética, visceral que ecoava dentro da nossa cidade seu som original, fazendo todos viajarem nas asas de suas melodias.

Para Rosimar Torres, o conjunto Os Magnos de Valença do Piauí,  marcou sua vida, no tocante a adolescência. Foram muitas festas embaladas por eles e acredita ter sido as melhores de sua vida, porque nelas vivenciou as primeiras paqueras, os primeiros namoros, a certeza de que aqueles momentos, serão para sempre lembrados.

Para o músico Carlos Tenório, Os Magnos de Valença, foi a essência nos palcos nos anos 80, cuja referência a sua época serviram de inspiração, uma vez a partir dos ensaios se aprendia muita coisa. Pois o que se via era ação e reação, a volta da energia e da subversão dos gêneros da época em sucesso.

A Professora Luciana Silva,  O Conjunto Os Magnos, foi a época de ouro no cenário musical cultural e artístico de Valença. Atravessou fronteiras durante as décadas de 70 e 80. As lembranças são memoráveis destacando as festas do Crovapi, Bela Miragem, Centro Social São Jose, Flor de liz, e também em algumas casas de família.

Para Neto Leite, o período que esteve no Conjunto Os Magnos, foram inesquecíveis, casa cheia, muita alegria: Festas de Natal em Valença, Raveillon, Festas de Colação de Grau e não poderia deixar de citar a mais importante, Baile de Carnaval de 1982, em que conheceu sua alma gêmea, Luiza Solano, sua eterna amada, mãe de seus filhos.

O certo é que o Conjunto Os Magnos, teve seu espaço em nossa cidade e também contribuiu para elevar o nome da terra berço. Mas como tudo tem inicio, tem um período de crescimento onde ocorre a verticalização, chegando ao ápice da pirâmide, mas quando menos se espera a oscilação, talvez por motivos ignorados apareceu e provocou  mudanças que exigiu uma parada para descanso, Talvez para uma reflexão ou um amadurecimento,  porque como a vida, tudo é uma construção, o grupo se inspirou no pensamento de Charles Chaplin, que diz “As melhores e as mais lindas coisas do mundo, não se pode ver nem tocar. Elas devem ser sentidas com o coração” e foi isso que o Conjunto Os Magnos proporcionou na construção de sua estrada e na formação de opinião dos jovens valencianos.

Parabéns! Feliz Jubileu de Ouro do Conjunto Musical Os Magnos de Valença do Piauí.

Valença do Piauí, 13 de julho de 2019

Texto: Prof. Antonio Jose Mambenga

PESSOAS PESQUISADAS:

01 - Neto Leite

02 – Profª Cassandra Veloso

03 - Profª Ineide Lima Verde

04 - Capitão do Corpo de Bombeiros de Teresina: Wilson Benedito

05 - Profª Rosimar Torres

06 - Profª Luciana Silva

07 –Profº e  Musico Carlos Tenório

08 -  Artur Viana

 

 

 

 

 

 

 


terça-feira, 31 de agosto de 2021

 

Foto: Reinaldo Coutinho - Gravura: Acervo Pof. Antonio Jose Mambenga

A PROCISSÃO DOS MORTOS

 

Cada povo tem sua história que se bifurca entre o patrimônio material e imaterial, formando assim um acervo Cultural de grande importância para criação da identidade local.

A cidade de Valença do Piauí, guarda no seu contexto histórico muitas lendas que se formaram ao longo do tempo, dentre elas a Procissão dos Mortos

 

A PROCISSÃO DOS MORTOS

A procissão dos Mortos, destaca-se como uma das mais conhecidas lendas da cidade de Valença do Piauí, pelo contexto e antiguidade que se insere, cujo enredo remota ao início do século XX. Sobe-se, portanto, que seu auge foi no período que a igreja tinha como Vigário o Cônego Acylino. E se o Cônego chegou em Valença em 1879 o episódio mais marcante ocorreu neste período.

Segundo Dona Maria Juvina, matriarca da família e Juvina, numa certa noite de quarta-feira da Semana Santa, conhecida popularmente como “Quarta-feira de Trevas”, uma moradora de rua do Maranhão, por nome Prisilina, estava com insônia mexeu-se, remexeu-se na velha cama coberta de couro de boi e não conseguia dormir. Debulhou o rosário Santo de Maria e o sono não chegava. Inquieta, resolveu ir até a janela da casa que dava visão para rua e percebeu um longo silêncio, mas um silêncio tão grande como se a cidade estivesse morta, nem mesmo os grilos que habitavam nas margens do Rio Caatinguinha davam sinal de vida, bem como, se a própria correnteza do rio estivesse também repouso. Isso deixou Prisilina em estado de choque, principalmente por ser responsável pela transmissão das boas e más notícias da cidade, mesmo assim, seu olhar convergia para Ponte Velha, Largo da Igreja Nossa Senhora do Ó Atual São Benedito atingindo até a Cadeia Velha e Casa de Dona Maria Luiza, onde nem mesmo a escrava Elentéria dava sinal de vida.

De repente, escuta bem distante, o som de uma banda de música executando hinos sacros, dentre eles...

- Prisilina, continuou na janela contemplando a rua, mais achando estranho a melodia executada pela banda de música, que se aproximava a cada instante. Sem querer, mesmo sendo uma mulher de coragem, sentia uns calafrios, mas a curiosidade era tamanha que a coragem superava o medo e à medida que o tempo passava o som se aproximava e ela já não se suportava de tanta ansiedade para saber o que era. Para aguçar mais a curiosidade, sentiu o cheiro forte de incenso de igreja, cuja fumaça subia ao céu como se quisesse tocar as estrelas. Para surpresa sua, observou um pálio, protegido por quatro arandelas e sobre um padre conduzindo um ostensório acompanhado por uma banda de música com que em vez de calça e camisa usavam túnicas brancas. Após a banda os devotos que formavam uma procissão, todo vestidos de túnicas brancas e conduzindo uma vela de cera de abelha Silvestre, e a medida que ia sendo queimada exalava um cheiro agradável que somado ao cheiro do incenso aromatizava a rua do Maranhão e o olfato da velha moradora.

Vendo isso, Prisilina, ficou atônita, faltaram-lhe as pernas, as mãos trêmulas, não conseguiam atingir o rosto para enxergar as lágrimas que persistiam escoar pelo rosto cheio de rugas. Os cabelos, estes nem pensar, estavam todos arrepiados como se quisessem espetar caju.

A cena foi aterrorizante ao extremo, mas o estado de choque foi pior ainda, quando a última pessoa do cortejo, se desprendeu do grupo e saiu em sua direção. Neste momento, Prisilina se vale do inconsciente, mesmo com dificuldades eleva o pensamento até Deus, clama por todos os santos conhecidos e os que já tinha ouvido falar, para que lhe ajudasse naquele momento difícil.

Trêmula e sem ação, viu que era inevitável o encontro. Em pensamento reza o credo e a oração de Maria valei-me, tempo suficiente de fazer a invocação as almas penadas:

Por três vezes fez a Invocação:

─ Quem pode mais que Deus?

A pessoa da procissão, não respondeu nada, mas faz um gargarejo tão grande como se uma força superior lhe dominasse.

Prisilina, ainda em estado de choque, continua rezando e percebeu que as rezas aliviaram o penitente.

De forma brusca, o penitente, entrega a vela a Prisilina e com uma voz rouca e atrapalhada diz:

─Amanhã, por estas horas querem de volta e se retirou, caminhando de costa, mantendo o conhecimento popular que alma nenhuma dá das costas para alguém.

Prisilina, recebeu o lamparina acesa e para aumentar o choque, percebeu a metamorfose não era mais uma vela, e sim um fêmur humano. Com isso, a moradora da rua do Maranhão, cai desfalecida. Enquanto isso o cortejo entra na igreja N.S. do Ó, ao som da matraca. Logo após Prisilina vai voltando o normal, escuta o canto do galo e o mugir das vacas de Dona Maria Luiza que morava no outro lado da igreja na atual Rua Major Leite Pereira, próximo à Casa Grande e a Cadeia Velha.

Cambaleando, Prisilina consegue levantar, retorna ao leito de dormida, debulha mais um Rosário de Nossa Senhora e adormece.

No dia seguinte, bem cedo ainda, vai até a casa do Cônego Acylino que ficava na atual Rua Ivete Veloso, e relata todo ocorrido a sacerdote. Ele por sua vez aconselhou ela cumprir o pedido, mas para isso precisava encontrar uma criança de braço por nome Maria, para entregar a vela/osso, mas não conte nada a mais ninguém, para que a notícia não se espalhe.

Assim Prisilina fez, conseguiu uma criança por nome Maria e recolheu-se em casa, aguardando o dia passar o que provocou curiosidade aos demais moradores da Rua do Maranhão e adjacências, nem mesmo Elentéria, amiga e confidente de Prisilina ficou sabendo do acontecido.

Naquele dia a rua do Maranhão viveu um silêncio intenso, alguns moradores perceberam por ser um período de Semana Santa, outros nem tanto, se Prisilina não apareceu, algo de inusitado deveria ter acontecido para deixar a vizinha fofoqueira reclusa em casa, não sabendo eles que Prisilina, estava era em apuros com coisas do outro mundo.

O dia era como se os ponteiros do relógio em vez de marcar os minutos, indicava era os segundo, mas o tempo passava. O entardecer foi inevitável, na hora do crepúsculo, Prisilina preferia a Aurora, mas num passe de mágica, ouviu o canto rouco da coruja anunciando a noite.

A menina Maria, já estava sob os cuidados da moradora da Rua do Maranhão, aguardando o momento certo de entregar o “osso vela”, ao penitente da procissão.

Na hora certa, lá para as tantas da madrugada, Prisilina e a criança Maria, se prostram sob a janela do frontal da casa, quando tudo ficou como dia anterior, barulho, nem dos grilos das margens do rio Catinguinha. O som da banda de música já penetravam seus ouvidos, a fumaça do incenso já subia ao céu e cheio atingia o olfato. Era a procissão que se aproximava, Pálio, Padre conduzindo o ostensório e os penitentes vestidos de túnicas brancas e com velas acesas rumavam em direção da Igreja de N.S. do Ó, quando o último se desprende e se dirige para a casa de Prisilina, esta já pronta para entregar o osso vela, como havia sido combinado.

O penitente chegou, ouviu a saudação de Prisilina:

─ Quem pode mais do que Deus (3 vezes)

O penitente responde:

─ Ninguém

E a menina Maria, efetua a entrega o osso vela. O penitente recebe e resmunga, situando os olhos, com aquele olhar de assombração.

─Foi o que te salvou! Estas são as horas mortas, onde os vivos devem estar dormindo e os mortos em penitentes. Dizendo isso, se retira da mesma forma que a anterior, de costa, porque a alma não mostra as costas para nenhum ser vivo, acompanhou o cortejo, que entregou na igreja só Deus sabe para fazer o que. Prisilina, pós este momento, recolheu aos aposentos para tentar dormir, mas para sua surpresa, no outro dia encontrou uma mensagem escrita num pedaço do osso vela que havia se desprendido, com o seguinte texto: a história não acabava aqui, este pedaço de osso, ficará com você para entregar as pessoas, em forma de vela, sempre nas quartas-feiras da Semana Santa não só neste espaço da rua do Maranhão, mas em qualquer parte desta cidade, tanto, que uma pessoa que mora na Rua São João, numa certa quarta-feira de Procissão, viu a procissão passar,  vinda das bandas do Valentim. Por isso em noite de quarta-feira da Semana Santa, a conhecida quarta-feira de Trevas, em Valença do Piauí, não receba vela das mãos de pessoas estranhas, porque pode ser a Prisilina, metamorfoseada de pessoa comum querendo lhe entregar a vela osso e a maldição ficar com você. Cuidado! A Prisilina, não é raça de gente, não se deixe levar porque ela é bem comunicativa e o mais difícil na atualidade é uma criança com o nome Maria.

 


                                      Desenho: Prof. George Barros





                                               Foto: Acervo Teatrólogo - Raimundo Barbosa




Foto: Acervo do Teatrólogo Raimundo Barbosa




domingo, 22 de agosto de 2021

 

A instituição ESPAÇO CULTURAL PROGÊNIE DE MAE LUIZA CABORÉ está participando da 15ª PRIMAVERA DOS MUSEUS.Os dados e o(s) evento(s) cadastrados são os seguintes:

 

RUA EDMUNDO SOARES , 125  - LAVANDERIA

mambenga57@gmail.com Tel:(89) 9998-55283 

64300-000

VALENÇA DO PIAUÍ - PI

 

 

•20/09/2021 a 24/09/2021 - 09h30 às 11h30

EXPOSIÇÃO - EXPOSIÇÃO FOTOGRAFICA: PONTOS DE MEMÓRIA NA CIDADE DE VALENÇA DO PIAUI

Local:AUDITÓRIO DA ACADEMIA DE LETRAS DA CONFEDERAÇÃO VALENCIANA

 

•22/09/2021 a 24/09/2021 - 15h às 17h

VISITA MEDIADA - VISITAÇÃO MEDIADA AO ACERVO MUSEOLÓGICO DO ESPAÇO CULTURAL PROGÊNIE DE MÃE LUIZA CABORÉ

•23/09/2021 a 25/09/2021 - 08h30 às 16h

EXPOSIÇÃO - exposição Fotográfica: Tema: Flores de margem de caminho(estrada do Icaraí em Valença do Piauí)

Local:Auditório da Secretaria Paroquial da Igreja Matriz Nossa Senhora do Ó em Valença do Piauí