Acervo: Profª Maria do Amparo Coelho
Dia 29 de Janeiro, completará um ano do encontro definitivo de Pe. Marques com o Pai Celeste, para marcar a data, a Profª Maria do Amparo Coelho, sua sobrinha, está organizando uma Celebração Eucarística, na Igreja de São Raimundo Nonato, em horário ainda a ser definido.A Celebração será dia 28, de já sinta-se convidado(a).
sábado, 6 de janeiro de 2018
domingo, 29 de outubro de 2017
CADA POVO TEM SUA HISTÓRIA, TRISTE DO POVO QUE NÃO TEM HISTÓRIA
Desenho Prof. George Barros
A
BALEIA DA IGREJA SÃO BENEDITO, EM VALENÇA DO PIAUÍ, UMA HISTÓRIA QUE ENCANTA
Prof. Antonio Jose Mambenga
A Baleia da Igreja São Benedito, em Valença do Piauí, se
agiganta a cada dia, noticias dos que vão e dos que veem neste mundo "de meu Deus",
apontam que sua cauda já está no estado
do Ceará, na cidade de Juazeiro, não sabemos
se debaixo de uma das igrejas católicas, ou se da estátua mor do "Padim
Ciço". Sabe-se portanto, que alguem já comentou, isso e com muita
veemência. Não me lembro quem, mas
acredito que não foi Mãe Ana, porque
esta expirou em 2008. Não foi João Ferry, esse também antecedeu Mãe Ana em
1962. Será se foi o Pitirrãn? Não! Ele não foi, porque era afilhado de Dona Luzia Bem-bem, moradora do Bairro Cacimbas,
mesmo sendo casada com Ezequiel, irmão de Lampião(segundo ela) e afilhado de
Dona Luzia, tinha que dançar era Roda de São Gonçalo, e não ser acusado de
“piar a ema” . Talvez tenha sido Teresa, filha de Maria Branca, mas, essa também não foi, porque sua irmã
Dilurdes, não tinha deixado ela, afirmar esta História, alem do mais Tereza, também, foi casada com
Ezequiel, irmão do esposo de Maria Bonita,(segundo o povo), com direito a prole
e tudo e moram em Recife. Neste caso, quem foi mesmo que contou esta História
da cauda da Baleia da Igreja de São Benedito em Valença do Piauí, ter se
elastecido até a terra do Padim Ciço? Evidencias apontam que foi o João Luzia,
morador da localidade Ovelha Morta, localizada às margens da Estrada que vai
para o povoado João Pires, próximo ao Poço da Burra, acidente geográfico no Rio
Sambito. Tudo afunila para ter sido mesmo o
João Luzia, por ser catimbozeiro, e ter encabojado o Boi Serra Grande,
filho da vaca preta. Analizando, não
pode ter sido o João Luzia, mesmo sabendo de suas diabruras, ele morria de medo
de sua irmã Antonia, porque era casada com o mais respeitado senhor das
ciências ocultas da região valenciana, o Sr Cinobilino da Tranqueira. Finalmente, quem comentou mesmo esta
elasticidade da cauda da Baleia até a cidade cearense? Pelo visto, foi Dona
Tereza Preta, porque ela morria de medo de ir na rua do Maranhão em Valença
(PI), temendo se desequilibrar nos degraus da Igreja São Benedito, cair e seu
choro provocar a Baleia despertar do sono profundo ou mesmo se deparar com a
Prisilina, querendo lhe entregar a vela da Procissão dos defuntos. Assim, não
sei mesmo, quem é o e/ou a protagonista
desta História. O certo é que a Baleia,
está atingindo outras regiões e novas
personagens, meu medo é ela querer ir até a Escócia, visitar o
Lago Ness. E afoita como ela é,
corre o risco de querer mexer no monstro e causar uma reviravolta daquelas ou
mesmo gostar e querer ficar morando lá. Duvidar não é preciso! Porque ela pode
aprontar. Uma certa vez, num período não tão distante, ainda no século XX ,
aqui mesmo na cidade, ela quis se candidatar a um cargo majoritário. Examinada
de tal pretensão, ela se justificou, “Desejo de salvar o Rio Caatinguinha” e
tantos outros elementos da natureza que estão se degradando. Outra coisa é certa,
esta Baleia tem feito muito rebuliço.
Ainda bem que o Luiz Carlos da Serra Negra, o Cão, já levou para o inferno, porque pelo jeito a
Baleia é quem quer ser serrada viva,
igual ele fez com a escrava da Fazenda dele e com esta cauda em Aroazes que
fica bem próximo da Serra Negra, faz até medo.
“Morrendo o mito, morre o homem, não temos História”.
Valença do Piauí, 29/10/2017
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
COLÉGIO SÃO LUCAS DE PICOS PIAUÍ VISITA SÍTIO ARQUEOLÓGICO DE BURITIZAL EM VALENÇA DO PIAUÍ
AULA PASSEIO DO COLÉGIO SÃO LUCAS EM BURITIZAL – VALENÇA DO PIAUÍ
Prof. Antonio Jose Mambenga
Prof. Antonio Jose Mambenga
A cidade de Valença do Piauí, localizada a 210km da capital Teresina, guarda no seu patrimônio Histórico cultural, um acervo bastante eclético dentro da Arte Parietal, o que denota a presença humana há bastante tempo nesta região.
Os vestígios arqueológicos deixados pelo homem primitivo, encontram-se em várias partes do município o que tem atraído pesquisadores bem como visitação de escolas de várias cidades do nosso estado.
Os sítios mais visitados, estão localizados na comunidade Buritizal das Pintadas, especificamente os que fazem parte do grupo Pintadas I – II e III, nestes sítios além de pinturas existem também inscrições rupestres bastantes acentuadas. Quanto a datações, segundo alguns arqueólogos que passaram por lá apontam que a maioria fazem parte da tradição agreste, algumas do grupo grafismo puro, no caso das machadinhas, feitas a cerca de 7 a 12 mil anos.
As inscrições do sitio de Dona Pedrina, das Machadinhas e do Homem da chuva, chamam atenção dos pesquisadores e visitantes pelo tamanho e pela definição do sexo.
No Morro do Pereira, na furna das ovelhas, existem várias pinturas na cor vermelha enquanto na Pedra da Curva, no Saco do Pai Pedro, na furna do Cururu, existem paineis bastante interessantes.
A comunidade Buritizal, possui outros atrativos que também merecem destaque como: O Arco da Igreja,( onde existe uma lenda que é conduzida por o canto de um galo), a furna do Profano, a pedra do Papagaio, a Pedra do Dedo de Deus, A Pedra do Vigilante. O Poço Encantado, a Pedra do vaqueiro, e a Caverna do Assafraz.
O Painel do Homem da chuva, as pinturas e inscrições são bastante interessantes, uma vez que se apresentam em forma de círculo e em quadrículas, sem contar com inscrições com definições tanto do sexo masculino como do sexo feminino. Outro atrativo é a Pedra da Tartaruga, com uma pintura na parte interna. E pelas evidencias, funcionava como “camocim” no período pré-histórico.
Tudo isso tem despertado interesse nos pesquisadores e visitantes. Várias escolas, tanto da cidade como de outras cidades da circunvizinhança, e de Teresina, realizam aula passeio na comunidade para aprenderem, se deleitarem com o aspecto paisagístico e apreciarem tanto a beleza natural através da paisagem formada pela palmeira buriti e outras árvores típicas da região, como as formações geológicas que se formaram ao longo do tempo, uma vez que a região valenciana, dentro do relevo piauiense, está incrustada no grupo das cuestas do centro.
Sitio Arqueológico de Buritizal - Vegetação típica da região
Arco da Igreja
Profª de História, Aldenora Anjos
Arco da Igreja
Alunos rumo a Caverna do Assafraz, parada numa cerca secular de pedras
Formação Geológica - Arco da Igreja, onde existe uma lenda conduzida pelo canto do Galo
Alunos do Colégio São Lucas ( Picos-PI) se preparando para subir a ladeira que dá acesso ao Arco da Igreja
Alunos observam a formação rochosa na parte inferior do Arco da Igreja
Caverna do não sagrado, próximo ao Arco da Igreja
Palmeiras típicas da comunidade

Caverna do Assafraz - 46 m de comprimento
Arte Parietal - (nome popular: O Homem da Chuva)
Arte Parietal: pintura símbolo do sítio (Machadinhas)

Alunos observam as formação rochosa da Caverna do Cururu
Profª de História, Aldenora Anjos
Visita ao acervo museológico da Secretaria Municipal de Cultura
(da esquerda para direita: Profª MirellaViviane, Prof. Antonio Jose, Sra Andreyanne Martins, Secretária de Cultura, Diretora e Proprietária do Colégio São Lucas, Profª Mestranda Ana Maria, Luan Fernandes, Coordenador de Pesquisas Históricas da Sec. de Cultura, Tadeu, funcionário da Sec de Cultura, Santinha, Funcionária da Sec de Cultura
sábado, 23 de setembro de 2017
COMUNIDADE REMANESCENTES DE QUILOMBOLAS EM TRANQUEIRA EM VALENÇA DO PIAUÍ
COMUNIDADE TRANQUEIRA
– HISTÓRIA E CULTURA DE UM POVO REMANESCENTE DE QUILOMBOLAS EM VALENÇA DO PIAUÍ
Prof. Esp. Antonio
Jose Mambenga
A presença da História do negro na
corrente oficial é muito recente em se tratando de tempo, tornando-se mais
elástica e bem diferente de um passado
recente que ultrapassava de poucas páginas nos livros didáticos, a nível
nacional. No Piauí, não era diferente, existia certa anorexia por parte dos
estudiosos para tratar do assunto em voga.
Este olhar europeizado convergente ao
negro perpenetrou no solo piauiense, onde eram aplicadas as mesmas torturas, olhares
diferenciados, trabalho compulsório e tantos outros tipos de sociedade
detentora do poder, também não poderia ser diferente, os que aqui estiveram
eram remanescentes dos primeiros que chegaram ao Brasil e não fugiam do adágio
popular “damos aquilo que temos”.
O Piauí teve seu povoamento através da
instalação das fazendas de gado, o negro chegou junto com os primeiros
criadores. Por volta de 1674, Domingos Afonso Sertão amplia seus domínios até
as terras que seriam mais tarde definidas como Piauí. Transfere algumas
fazendas de gado e instala o vaqueiro negro, que com essa nova atividade e
estrutura produtiva inicia outra experiência de trabalho a mão de obra negra na
montagem das fazendas de gado. (MOTT, 1998).
A presença do africano escravizado na
terra piauiense foi uma constante, foram, homens, mulheres, jovens e crianças
que aqui chegaram e logo eram encaminhados para os engenhos para aplicar a
força num labor diário.
Todo este contingente populacional
absorveu através da memória, os hábitos e costumes, lendas, crenças, mandigas e
religiosidade, bem como, as danças e culinária. Tudo ocorria tão normal que se
tornava cotidiano para os próprios escravos, mesmo aglutinados na vastidão da
terra estranha, parecia que o mundo era extenso demais e o um fim se tornava cada vez mais distante.
A migração era constante, ficando
mais definida após os meados do século XIX, quando ocorreu a migração interna.
Em cada fazenda que ia recebendo o negro e este num espaço bem minúsculo de
tempo iam se adaptando ao meio porque o destino era sempre o mesmo: senzala,
serviço pesado e um novo patrão, e os mesmos castigos.
As referências sobre o negro escravo
no Piauí, são bem mais amplas o que ocorre é ainda um número de pesquisadores
muito resumido para trabalhar a temática.
E como diz a Professora Ivete Almeida
no seu texto, Etnia, Cultura e Identidade, “nenhum grupo sofreu tão
intensamente a separação e foi tão brutalmente obrigado a reconstruir sua
leitura sobre si própria e sobre seu lugar no mundo como os povos negros”.
A comunidade
Tranqueira, está localizada a 18km de Valença. È formada por 34 famílias, com
uma população de 58 habitantes. As principais manifestações culturais são: as
festas de reisado e São Gonçalo e a dança típica conhecida como Manuê.
Os habitantes da comunidade Tranqueira, são conhecedores da
importância das ervas medicinais e suas utilidades na medicina caseira, como as
famosa garrafadas. Trabalham a palha de carnaúba no artesanato confeccionando:
vassouras, chapéus e esteiras, bem como abanos e outras atividades pertinentes.
Com a palha de buriti, utilizam a fibra
no artesanato. Com a polpa do buriti confeccionam doces ou mesmo a jacuba o
suco como é mais chamado.
A buritanga do buriti, é utilizada pelas crianças como peteca
para o jogo dos 3 buracos.
A tabatinga, serve para pintar as paredes e para ser
utilizada no forno da farinhada como neutralizadora da argila.
A agricultura praticada na comunidade é de subsistência,
destacando o cultivo do milho, feijão , arroz,
e mandioca.
Da mandioca, anualmente realizam a farinhada, mas na
entre-safra eles utilizam o tapiti para
enxugar a massa para confeccionarem o beiju, que pode ser utilizado no desjejum
(café da manhã) ou mesmo para mistura com feijão, o chamado beiju de massa. Com
a mandioca, a comunidade também faz a puba, que serve para fazer mingau e o
bolo .
Na comunidade, ainda existe parteira empírica, como também as
conhecidas resadeiras em doença de crianças, como o quebranto, mau olhado e
vento caído. Os adultos procuram as resadeiras para os males de espinhela
caída, sol na cabeça e dor dente.
Quanto a alimentação, tem como básica, no feijão, arroz,
milho e farinha, produzido na própria comunidade. Quanto á carne, se alimentam
com carne de criação nome que serve para designar os caprino e ovino. A galinha
caipira, que fazem ao molho pardo e normal. A carne bovina, também é bastante
usada, embora o rebanho seja pequeno, mas eles complementam com as provenientes
da cidade.
Os hábitos e costumes do povo da Tranqueira foram se
transformando com o tempo mas ainda mantém muitos advindos dos ancestrais.
No mês de junho a comunidade festeja São João. Como não tem
capela, o festejo é realizado na residência do patriarca da família, Sr.
Feliciano. È costume na última noite servir um farto jantar para família e
convidados, momento que ocorre o toque da Bandeira para saber quem é o festeiro
do próximo ano. Todos ficam perfilados na frente da casa, onde queima uma fogueira.
0 patriarca da família, corre a bandeira
sobre as pessoas, aquele que a ponta da bandeira tocar, foi o escolhido para
ser o festeiro do ano seguinte. No momento todos se cumprimentam, soltam
foguetes e se confraternizam. Logo após ocorrem o compadrio e os demais laços
de amizades. Os mais afoitos saltam a fogueira, outros caminham sobre brasas.
Neste momento a criançada faz a festa, assam batatas na fogueira, abóbora e carne.
É um hábito do povo da
Tranqueira, os famosos bolos de goma com ovos de galinha caipira, assados no forno de brasa. As boleiras capricham, são
eles bolo branco, bolo torrado, manuê e bolo doce.
No meio de tudo isso, na comunidade ainda existe aqueles que castram os frangos – suínos e
caprinos. Mas precisamos entender que cada povo tem suas particularidades de
ser e agir, daí ninguém ser obrigado se aculturar para satisfazer algo fora do
seu próprio conhecimento. As diferenças existem e precisam ser respeitadas,
porque cada caso é um caso diferente do outro. A Comunidade Tranqueira, já é
reconhecida pela Fundação Zumbi dos Palmares como Remanescentes de Quilombolas,
pela História e luta de vida para manterem seus hábitos e costumes dentro dos
padrões de uma sociedade hodierna e preconceituosa.
Valença do Piauí, 23 de outubro de 2014
Prof. Antonio Jose Mambenga
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