quarta-feira, 20 de setembro de 2017

                                                                      Flor Laranginha de Noiva


                                                                           Flor de Acerola


sábado, 16 de setembro de 2017

ARVORE DESNUDADA NA PRAÇA PEREIRA CALDAS, GANHA POEMA SOLIDÁRIO

JUAZEIRODA PRAÇA PEREIRA CALDAS – VALENÇA DO PIAUÍ

Sou Juazeiro, nasci no século vinte
Cresci, fiquei formoso e forte
Sou uma árvore de requinte
E atingi um grande porte
Desenvolvi em altura
Sou da flora um suporte
 Represento uma cultura
Desafiando a própria sorte


Meus galhos se estenderam
Alinhados e bem formais
Pequenos frutos nasceram
Para alimentar os animais
Ao entardecer fico perto
Da sinfonia que há
Deixando de bico aberto
A majestade o sabiá

Sou uma pequena atração
Na praça Pereira Caldas
Sou contra a devastação
Como nas tirinhas da Mafalda
O meu verde é poesia
Que defendo com ardor
A quem me pergunta todo dia
Ai Juazeiro, onde anda meu amor?


À minha sombra respiram
Os humanos do local
Estes, meu caule retiram
Para curarem seu mal
Mataram o tamarineiro
Devastaram o Caatinguinha
Não respeitam o Juazeiro
O que querem afinal?

Vejo aqui neste quadrado
A praça, a igreja, a ponte
Lendas que vem do passado
A rua, o olho d’água, a fonte
O rio, era de se admirar
A água corria na veia
Pois até a baleia
Veio aqui encalhar

Saiu dos mares profundos
Para aqui visitar
Encantou-se com este mundo
E não quis mais voltar
Pôs sua cauda em Aroazes
Firmou aqui sua crença
Sob a igreja vive em paz
A baleia em Valença

Observo os agressores
Que vivem na impunidade
Não entendo os malfeitores
Praticante da maldade
A quem com decência
Contribui com a humanidade
Está faltando consciência
Nos moradores da cidade

O tamarineiro morreu
Há uns anos atrás
Porém o que sofreu
Ninguém lembra mais
Teve frutos pra oferecer
A homem, mulher e criança
Viu Rosângela nascer
A filha da Preta Mão de Onça


Palmas para quem salvar
O nobre rio Caatinguinha
Depois de tanto penar
Que nem mais esperança tinha
Suas margens replantaram
Revitalizaram o seu leito
Só assim amenizaram
O mal que lhe haviam feito

Eu Juazeiro peço socorro
Habitantes da cidade
Me ajudem, se não morro
Por falta de humanidade
Uma árvore que chora
Clamando por liberdade
Esperando a qualquer hora
Um ato de piedade

Neste cenário de dor
Que quase não tem solução
Imploro por favor
Ao santo de devoção
Agora entendo a baleia
Esperta entrou em ação
Bebeu a água do rio
E fugiu da agressão


Só queria entender
A atitude de vocês
Vão me socorrer
Ou tenho que gritar outra vez?
Só quero aqui residir
Me reconstruir por inteiro
Agradeço a quem me ouvir
Falou o Juazeiro.

Autora: Professora Maria Francisca da Rocha

Docente da Unidade Escolar Oto Veloso e Unidade Escolar Joaquim Manoel, Valença do Piauí

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

IGREJA NOSSA SENHORA DO Ó - REFORMA DE 1948 A 1956

                        HISTÓRIA DA IGREJA NOSSA SENHORA DO Ó EM VALENÇA DO PIAUÍ
                                                                         Prof. Antonio Jose Mambenga
A cidade de Valença do Piauí, teve origem da aldeia dos índios aruaques. Em 20 de setembro de 1762, o governador da Capitania do Piauí, João Pereira Caldas, instalou a Vila, dando o nome de Valença em homenagem à sua cidade natal, Valença em Portugal.
Em 30 de dezembro de 1889, Valença foi elevada à categoria de cidade.
No ano de 1943, passou a denominar-se Berlengas, conservando este nome até janeiro de 1949 quando passou a denominar-se Valença do Piauí.
A cidade de Valença do Piauí, conhecida como “Cidade Sorriso”(1984) e/ou Rainha dos Sertões (Ferry: 1951 – p 10), traz na sua cotidianidade uma imagem hospitaleira, típica das cidades interioranas, destacando-se entre as demais do seu tope, pela forma pacata, mantendo suas tradições religiosas, culturais e os  costumes típicos das cidade interioranas. A cajuína e suas comidas típicas, somam aos atrativos de seu calendário religioso social, cívico e histórico  cultural, além da beleza natural e de  seu acervo dentro do patrimônio material e imaterial.
Segundo o Pe Gilberto Freitas, no seu livro, História de um povo e sua fé, o primeiro registro sobre a existência de uma Igreja em Valença, data de 09 de fevereiro de 1727. Essa Igreja era apenas uma capela de taipa, pequena e particular, dedicada a Nossa Senhora do Ó.
Em 1836, por força da Lei provinciana Nº 52 de 05 de dezembro, foi determinado a transferência da sede de residência do Pároco de Aroazes, João Antonio Cardoso Sampaio, para vila de Valença, já com o título de Paróquia de Nossa Senhora do Ó, conservando esta denominação até 1946.
Com a chegada do Cônego Acylino Baptista Ferreira Portella, em  1879, foi necessário a construção de um novo Templo, que pudesse atender a demanda dos fieis católicos, provocado pelo bom pastoreio do referido sacerdote, uma vez que,  percorreu a cavalo, todo município de Valença,  evangelizando e conhecendo a realidade do povo, através das chamadas desobrigas religiosas.
Com a eclosão da República Brasileira em novembro de 1889, ocorreram várias transformações no país, ocasionadas pelo movimento positivista, que culminou com o desligamento da Igreja do Estado. Momento também que todas as vilas do Estado Brasileiro foram elevadas a categoria de cidade e Valença, foi uma delas.
A cada dia, a cidade de Valença dava sinal de progresso, tudo isso impulsionava o Cônego Acylino, pensar na construção de um novo templo Sagrado, que pudesse atender o grande numero de fieis. E de acordo com o Bispo do Maranhão Dom Antonio Cândido e os membros da Confraria de Nossa Senhora do Ó, a pedra fundamental da nova Igreja, foi lançada no dia 27 de agosto de 1893, com grande festa.
Segundo o Pe Marques, o projeto da construção da igreja,  teve como base a Igreja Nossa Senhora dos Remédios da cidade de Picos-PI, mas os pedreiros  se confundiram com as medidas, aumentando os espaços, mesmo assim foi construída, inclusive com duas torres  singelas no frontal.
A nova igreja de Valença, levou cinco anos para ser construída, mas no dia 18 de dezembro de 1898, dia dedicado a Nossa Senhora do Ó, o Templo foi oficialmente batizado, momento também que ocorreu uma celebração Eucarística, que contou com a presença dos Padres: Francisco Jose Batista(Amarante); Carino Nonato da Silva(Monsenhor Gil); Jose Dias Freitas(Oeiras), cuja celebração foi presidida pelo grande idealizador e construtor, Cônego Acylino. A celebração contou também com um grande número de  fieis e autoridades de todo município.
Não foi fácil, construir o novo templo, uma vez que o município, ainda estava vivendo a transição da mudança de vila para cidade e se adaptando aos novos paradigmas da República e ainda as seqüelas deixadas pela terrível seca de 1877 que devastou quase tudo. E como afirma, Reginaldo Miranda(2012): Em Valença, o Cônego Acylino, construiu e adornou a nova matriz em local diverso, para isso, a falta de recursos tendo despender mais de vinte contos de reis do seu próprio bolso, à custa do empenho de bens particulares.
Em 1948, o Pe Raimundo Nonato de Oliveira Marques, em pleno acordo com o povo da zona urbana e rural, bem como com as autoridades locais e estaduais, e aval do Bispo Dom Severino Melo, fizeram uma ampliação geral na  atual Igreja Matriz, ainda conservada até a atualidade. Da construção de 1898, foram demolidas as duas singelas torres laterais, os oratórios laterais internos, mas foram construídos dois corredores  e braços laterais, bem como largas colunas no estilo neoclássico, com 1,35 cm de largura, o altar-mor. As capelas que atualmente são dedicadas ao Santíssimo Sacramento e ao Divino Espírito Santo, um nicho para as imagens de Bom Jesus dos Passos, Nossa Senhora das Dores e Senhor Morto e um outro, que por muito tempo serviu para Pia Batismal, onde ocorriam os batizados.
O grande diferencial da reforma, foi a construção da enorme torre, vista de todos os pontos da cidade, nelas abrigam os sinos e um grande  relógio.
Para reforma e ampliação da Igreja Matriz, a população tornou-se protagonista, mas à medida que o tempo passava, a euforia inicial se tornava estanque, o poder econômico de cada um comprometia, provocando um choque entre a força física e a limitação financeira de grande parcela da população, mesmo assim, o grande projeto teve que sofrer uma modificação, a segunda torre  tornou-se apenas uma  utopia. O próprio Pe Marques, sentiu necessidade de parar, porque viu que a população já estava exausta financeiramente,  porém  via em cada um dos devotos,  a vontade de ver a outra torre concluída, porém   a força física superava a financeira, e  a fé em Nossa Senhora do Ó, encorajava todos.
O certo, é entender que não foi fácil, fazer a reforma e ampliação da Igreja matriz de Nossa Senhora do Ó, num exíguo espaço de tempo, 1948 a 1956. Pe. Marques, contou com ajuda do povo católico, que não media esforço para ver o serviço concluído, mesmo sabendo da impossibilidade da construção da segunda torre.
Segundo alguns fieis, tudo era feito com muito entusiasmo, famílias inteiras, sem distinção social e/ou cultural, após a missa de domingo de manhã, se deslocavam até o bairro Cacimbas, para buscar pedras, tijolos, areia, barro, e trazer até a igreja para ver o andamento da construção, à noite, ocorria o mesmo pós a missa das dezenove horas enfrentando a escassez da iluminação públicas, mas as lamparinas e fachos de cipó de vaqueiro eram utilizados para enfrentar o caminho estreito e cheio de buraco que interligava a igreja ao bairro Cacimbas .
Muitos mestres de carpintaria, pedreiros e/ou operários sem qualificação profissional, prestavam serviços. Sob a orientação do Mestre Acilino, na parte da carpintaria, nomes como: Didito, Manoel Apolinário, Zé Dandá, Manoel Mambenga, Mestrim, Cornélio,  Zequinha Carlota, Zé Tenório, Mário Lima,  Zé Ferreira e Milú, Antonio Mambenga, Arão Tenório, cuidavam da montagem  do teto,  das portas e das janelas, enquanto a parte de paredes e rebocos, ficavam a cargo de Antonino Carlota, Justino Poty, Pedro Bolô, Antonio Maciel, Joaquim Pereca, Osvaldo da Dona Filomena, e tantos outros.
As madeiras das linhas, caibros e ripas e barrotes, foram trazidas da região de Aroazes, Novo Oriente e Várzea Grande, porque somente nestes locais existiam árvores de grande porte, cuja condução era feita pelo próprio Pe. Marques, no seu jepp, amarradas na parte trazeira  do meio de transporte e puxadas até o quintal da igreja, onde existia uma grande mangueira e operários de força como Ze Ferreira, Milú e Zé Paraguai, Augustinho do Sambito, Antonio Monteiro faziam o tratamento da madeira e depois serravam numa serra rústica, uma vez que o serrote vertical, individual ainda não era conhecido na cidade. A serra, era estilo daquelas mostradas nas obras de arte de Debret. A última, encontra-se no acervo museológico da Secretaria de Cultura nesta cidade. Outra parte do material, era colocado debaixo do cajueiro do Melão, frente ao Grupo Escolar Cônego Acylino ou mesmo no antigo prédio do Cassino, onde atualmente funciona o juizado das Pequenas Causas.
A água para construção, vinha do Poço da Prefeitura, localizado no bairro Cacimbas,  carregada em ancoretas, sob o lombo de jumentos. Os tijolos, foram construídos na Olaria do Sr. Romão Batista de França e outra parte nas imediações do Olho Dágua, confeccionados pelo Sr. Benedito Branco, Sr. Izídio irmão do Sr. Kaé,  enquanto as telhas, foram confeccionadas, parte na Lagoa Seca, outra parte no Retiro e outra na Lagoa do Barro perto do Sitio Betel, sob a orientação do Sr. Jose Cesário. O Altar-mor, ficou a cargo do mestre Antão, proveniente de Pimenteiras e seus operários, dentre eles Antonio Maciel.
Assim foi feita a ampliação e reforma da Igreja Nossa Senhora do Ó em Valença do Piauí, de forma parcial, porque a limitação financeira do povo e da própria Igreja não foi possível construir a segunda Torre, o que causa uma lacuna na certeza do dever cumprido e interrogações quando alguém ler o Soneto VALENÇA, do poeta valenciano João Ferry
Minha Valença é como uma rainha
Exilada no centro dos sertões...
Corre em seu seio o riacho Caatinguinha,
Que a divide em dois meigos corações
               De um lado vê-se, linda, uma capela,
               Desde 1840,
               Do outro lado, a Matriz simples e bela,
               Duas torres lindíssimas ostenta.
Nos telhados, na branca casaria,
Nos flamboyans esparsos pelas
Em  tudo se denota uma alegria.
                Para pintá-la é pouco este folheto,
                Descrevo-a, mas bem sei que as cores suas,
                Não podem conter neste soneto.
O certo,  é que a Igreja Nossa Senhora do Ó, é um dos maiores templos católicos do Piauí, possuindo 22,80cm de largura e 39 m de comprimento, mas a ausência da segunda torre, causa espanto e grande confusão, principalmente quando se lê o soneto Valença de João Ferry, quando ele fala das duas torres e você olha e só vê uma torre, mas como a História é investigativa e  analítica, encontrou uma resposta pra as perguntas, retornando ao tempo e descobrindo que o soneto do Ferry, foi feito em abril de 1922, quando na realidade existiam as duas torres singulares, na Igreja Nossa Senhora do Ó,  uma vez que a torre atual data de 1956, daí, nada mais justo e buscar embasamento em Eclesiastes: 3:1, quando alude sobre o tempo: Para tudo há uma ocasião certa, há tempo certo para cada propósito debaixo do céu.
O momento é mais que oportuno para concretização do grande sonho do povo valenciano, vê a segunda torre da Igreja construída, para tanto é preciso que cada um faça sua parte para que seja concretizado o querer, porque o ser não funciona sem as aspirações do querer.

BIBLIOGRAFIA:
FREITAS, Pe. Gilberto – História de um povo e sua fé, Gráfica Mendes – Teresina – PI – 1997
FERRY, João Francisco- Chapada do Corisco, Imprensa Oficial – Tersina – PI 1952
FERNANDEA, Jose Nunes, Aspectos da Arquitetura de Floriano – Academia Piauiense de Letras – Teresina – PI – 1991
MIRANDA, Reginaldo, Biografia do Cônego Acylino Portella – Revista Eletrônica da Academia Piauiense de Letras - 2012 



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11ª PRIMAVERA DOS MUSEUS E 7ª MUNICIPAL EM VALENÇA DO PIAUÍ


VALENÇA DO PIAUÍ
ESPAÇO CULTURAL PROGÊNIE DE MÃE LUIZA CABURÉ
RUA EDMUNDO SOARES, 125 - LAVANDERIA
mambenga@bol.com.br
(89) 9998-55283
18/09/2017 a 24/09/2017 - 08:30 às 12:00 
EXPOSIÇÃO - fotográfica com o tema Flores Campesinas.
Local: Biblioteca Municipal Mãe Ana Apolinário.
19/09/2017 a 24/09/2017 - 09:00 às 16:30 
VISITAÇÃO - guiada ao acervo do Espaço Cultural Progênie de Mãe Luiza Caburé.
22/09/2017 - 19:30 às 20:30 
PALESTRA - sobre a história do Colégio Santo Antonio em Valença do Piauí.
Local: Auditório Pe. Raimundo Nonato de Oliveira Marques.
22/09/2017 - 15:30 às 16:30 
CONTAÇÃO DE HISTÓRIA - Histórias que caracterizam Valença.
Local: Unidade Escolar Prof. João Calado - Ministrante Prof. Antonio Jose Mambenga.


Flor de jasmim


                                                            Lirio do campo e/ou cebola "braba"


Miosote





Laranginha de Noiva



Flor de Joaninha



Capim Silvestre


Bem me quer selvagem




                                                Perpétua, encontrada as margens da Br 316 rumo ao Posto Icarai


                                        

                                                                                     Chanana



Flor de pequi




Flor de  cipó de macaco


                                                             
                                                                             Flor Marianinha



                                           

                                                                       Flor de Urtiga de boi






terça-feira, 20 de junho de 2017

FESTAS JUNINAS EM VALENÇA – PI
A cultura de um povo é plural quando é construída e mantida pelo próprio povo.
As festas juninas chegaram ao Brasil ainda no período colonial, trazida pelo colonizador europeu. No início, apenas as manifestações atreladas às divindades católicas do mês de junho: Santo Antônio, São João e São Pedro.
As Festas Juninas, caracterizava como festas da fertilidade em sinal de agradecimento pela colheita da safra agrícola. Para tanto, cada família acendia uma fogueira, fincava um mastro e preparava uma mesa com comidas e bebidas, utilizando os produtos colhidos em sinal de agradecimento pela fartura conseguida. Aos pouco foi virando tradição e ganhando espaço no restante do Brasil. Com a chegada da Família Real Portuguesa em 1808, as festas juninas adquiriram nova roupagem, foram introduzidas as danças com passos marcados, as chamadas “Quadrilhas Juninas”, baseadas nas danças de Salão da nobreza francesa.
Assim se aclimataram as quadrilhas, somando às fogueiras, às comidas e bebidas típicas do ciclo junino.
Em Valença do Piauí, a primeira quadrilha junina ocorreu no mês de julho de 1958 na Rua do Maranhão, por ocasião de um festejo de São Benedito. Dentre muitos valencianos que participaram, podemos destacar o casal de noivos formado por Eustásio Oliveira e Profª Etevalda Oliveira.
A apresentação festiva agradou os organizadores e dançarinos, bem como, serviu de base para o restante da cidade que a partir da década de 60 do século XX, incrementou a dança da quadrilha às manifestações festivas do mês junho. Vários grupos foram surgindo, à fogueira, às comidas típicas e ao compadrio foi somando á dança caipira codinominada quadrilha.
A população criou gosto pela dança e tornou-se  popular, primeiro pela novidade, segundo pela manifestação em si, que era atraente.
Nos anos de 1970, as escolas da rede Estadual, já realizavam seus arraiais, em praça pública, no Centro Social São Jose, no Loreto, ou mesmo isolando ruas próximas das escolas, onde decoravam o espaço com bandeirolas e outros artefatos típicos das festas juninas como fogueira, balões e folhagem de palmeira. A palmeira pati, muito comum na vegetação valenciana era a mais utilizada.
Neste período, a Rua do Maranhão, tornava-se a mais movimentada da cidade. A criançada se dirigia para lá, para comprar “bombinhas” traques, foguetes dos mais variados tipos e maracás, todos confeccionados de forma artesanal pelo Sr. Saló.
Por volta de 1984, a cidade já contava com vários grupos de quadrilhas juninas. Observando isso a Profª Naildes Lima Verde, convidou o Prof. José Dantas, para organizarem um Festival de quadrilhas juninas para escolherem os melhores grupos da cidade.
Os três primeiros grupos que adquirissem mais pontos na visão do corpo de jurado recebiam uma premiação.
O local escolhido para o Festival, foi a quadra do Colégio Santo Antônio. Nos anos seguintes a mesma equipe organizou outros  Festivais . Tudo isso despertava o gosto da juventude da cidade. Novos grupos eram formados, dentre eles a quadrilha da Rua São João, organizada pelo João da Alexandrina, como também, o grupo da Rua Areolino de Abreu, organizado pelo Sr. Plácido (Praça) e sua esposa Erotildes Barbosa. O grupo da Bela-flor, era o mais organizado, por ser formado na maioria por jovens remanescentes do grupo que dançou na quadrilha de 1958.
Em 1989, foi organizado o primeiro Festival de Quadrilhas Juninas de Valença do Piauí, pela Prefeitura Municipal. Neste período o gestor municipal era  o Dr. Francisco de Assis Alcântara e a Secretária de Educação e Cultura a Profª Ineide Lima Verde.
A Profª Ineide Lima Verde, teve a iniciativa de organizar o Festival, num local mais amplo para atender o público que gostava de ver e dançar quadrilhas juninas. O Espaço escolhido, foi a Praça do Xerém, no centro da cidade. Para homenagear o local, a Profª Ineide Lima Verde, codinominou o espaço como “Arraial do Gorgulho”, porque lá aos sábados ocorria a feira livre.
Para, organizar o Primeiro Festival de Quadrilhas Juninas de Valença do Piauí, Profª Ineide Lima Verde, convidou para lhe assessorar a Profª Nereide Lima Verde e o Prof. Antônio José Mambenga. Ocorreram várias reuniões com os grupos para definição de premiação, regulamento, barracas, quesitos que seriam julgados e segurança. E no dia 28 de junho de 1989 às 20:00 hs foi iniciado a festa. Participaram do Primeiro Festival de Quadrilhas Juninas de Valença do Piauí, os grupos: Quadrilha Joaquim Manoel, Quadrilha Bela Flor, Quadrilha Show, Quadrilha Maravilha, Quadrilha  Matutos da Noite, Quadrilha Renascer, (zona urbana), Quadrilha do Fumal e Quadrilha da Isidória, ( zona rural). A quadrilha Bela Flor, conseguiu o primeiro lugar.
Assim, teve início o Festival de Quadrilhas Juninas de Valença do Piauí. Com o passar do tempo, passou acontecer na sexta e no sábado e com o surgimento de novos grupos, passou para três dias, sexta, sábado e domingo.
O Festival foi ganhando nome e referência, a partir de 2005, passou acontecer em quatro dias: quinta, sexta, sábado e domingo, sempre no último final de semana do mês de junho ou no primeiro final de semana do mês de julho. Da Praça do Xerém, foi transferido para a Praça de Eventos do Bairro Novo Horizonte até 2012, a partir de 2013 no espaço Cultural do CSU. Entre 2001 e 2004 o nome  Arraial do Gorgulho foi substituído por Arraial da Alegria. Em 2005, retornou o nome   até o momento para o Arraial do Gorgulho.
As festas juninas em Valença do Piauí têm se mantido vivas, graças ao empenho dos grupos  de quadrilheiros organizados, dos gestores municipais e  da própria comunidade valenciana. Daí, despertar interesse de grupos de cidades circunvizinhas ou mesmo distantes, em  participarem do evento, como  grupos que vieram da cidade de Bom Jesus do Gurguéia, Paulistana, Francisco Aires, Oeiras, Picos, Barras, Teresina e tantas outras cidades, até mesmo um grupo da cidade de Tauá no estado do Ceará, se interessou em participar. Tudo isso, graças a organização do evento e a receptividade dos quadrilheiros locais e organizadores.
Neste ano de 2017, será realizado  o 29º Arraial de Gorgulho, no Espaço Cultural do C S U, nos dias 30 de junho, 01 e 02 de julho, uma realização da Prefeitura Municipal e organização da Secretaria Municipal  de Cultura e Turismo, demais Secretarias Municipais.
Valença do Piauí, 20 de junho de 2017
Texto: Prof. Antonio Jose Mambenga